Por que todo mundo quer encontrar o livro certo
Eu já passei por isso várias vezes. Você está em um grupo de Telegram, alguém pede a versão certa do livro da bruja e aparece tudo quanto é arquivo corrompido, PDF que não abre ou aquela tradução automática que ninguém pediu. A gente resolve isso rápido, sem rodeio.
a pior das bruxas livro: o que você realmente precisa saber
O livro original se chama The Worst Witch e foi escrito por Jill Murphy. A primeira edição saiu em 1974 no Reino Unido. A história acompanha Mildred Hubble, uma estudante meio desastrada em uma escola de bruxarias chamada Convent of the Friendly Friends. Tem vários livros na série, todos com esse tom leve e divertido, sem sermão nenhum. O problema é que no Brasil existem pelo menos cinco edições diferentes. A mais comum é a da editora Salamandra, traduzida por Maria Helena Rocha Lima. Tem também a edição da Record, que às vezes mistura capítulos de versões diferentes. Se você está procurando para ler em português, a da Salamandra é a mais fiel ao original, mas depende do que você quer mesmo.
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Eu já tentei montar uma coleção completa e me arrependi rápido. O problema não é o conteúdo, é a qualidade das reimpressões. Na edição de 2007 da Salamandra, algumas ilustrações saíram granuladas porque a fonte original era muito pequena para digitalizar. Já na de 2015, corrigiram isso, mas o papel ficou mais fino e as cores mudaram. Se você tem sensibilidade com isso, vale a pena checar a data de impressão antes de comprar qualquer exemplar usado. Outra coisa que as pessoas não mencionam muito: os títulos dos capítulos são traduzidos de formas diferentes dependendo da edição. No original, o primeiro capítulo se chama "Mildred's Spell". Na Salamandra virou "O feitiço de Mildred", mas na Record ficou "A tarefa de Mildred". Isso parece bobeira até você tentar comparar cena por cena e perceber que a tradução mudou o sentido de algumas piadas internas do livro. Se você lê em português mesmo, isso não importa tanto, mas se pensa em comparar com o original depois, anota as traduções de cada capítulo antes de começar.
O que realmente funciona na prática é verificar o ISBN. A edição da Salamandra de 1999 tem ISBN 8573590685. A de 2015 é 8573596683. Se alguém oferece um arquivo sem ISBN, provavelmente é uma scanner caseira de alguma dessas duas, mas com compressão ruim. Eu costumava pedir para a pessoa enviar só a página 1 em PDF antes de baixar o arquivo todo. Leva dois minutos e evita frustração. Também tem a questão dos direitos autorais. O livro ainda está sob proteção no Brasil até 2044, então qualquer link de download gratuito que você encontrar na internet provavelmente viola direitos autorais. Não recomendo usar esses links. A economia real é procurar em sebos online ou na OLX. Encontrei um exemplar da edição de 1999 por R$ 12,00 usado, em ótimo estado. Gastei menos do que pagaria em um PDF pirata duvidoso e ainda tive o livro físico em mãos.
Se o seu objetivo é apenas ler e não colecionar, a versão digital da Salamandra lançada em 2020 funciona bem em qualquer leitor. O texto é o mesmo da edição impressa, mas a formatação para Kindle ou tablet é bem mais confortável para leitura noturna. A desvantagem é que você não vê as ilustrações originais com a mesma qualidade. As imagens foram redimensionadas e algumas perderam detalhes que Jill Murphy caprichou. Nada que impeça a leitura, mas quem valoriza a parte visual nota a diferença. Resumo sem resumo: encontre o ISBN certo, verifique a edição antes de comprar, e se for versão digital, aceite que as ilustrações vão sofrer. É assim que funciona na prática, ponto.