O que você precisa saber sobre adjetivo demonstrativo
O adjetivo demonstrativo é uma daquelas classes gramaticais que todo mundo acha que domina até o dia em que precisa escrever algo formal e se dá conta de que não tem certeza absoluta. Os principais são este, esse, aquele e suas flexões em gênero e número: esta, esta, essa, aquela, estes, essas, aqueles, etc. A função básica é apontar para um referente no espaço, no tempo ou no discurso. Mas o problema real começa quando você tenta explicar em qual situação usar cada um, porque a gramática normativa e o uso efetivo nem sempre caminham juntos.
Como identificar e usar o adjetivo demonstrativo na prática
A regra tradicional que você vê em qualquer livro diz algo como: este indica proximidade com o falante, esse com o ouvinte e aquele com ambos distanciados. Funciona bem para exemplos didáticos. Na vida real, especialmente em português do Brasil, essa divisão se desfaz rapidinho. Eu trabalhei por anos com produção de conteúdo técnico e jurídico, áreas onde a escolha do demonstrativo faz diferença na clareza do texto. Um problema específico que encontrei foi em contratos e memoriais: usar o referido versus o supra mencionado versus este contrato versus esse contrato. O tribunal ou o leitor atento percebe quando há inconsistência. A correção que adotei foi padronizar: referências ao próprio documento usam sempre este, referências a documentos externos ou anteriores usam esse ou aquele, conforme o nível de distância temática. Isso reduziu significativamente as objeções de forma em revisões.
Outra coisa que as gramáticas não enfatizam o suficiente: este pode se referir a algo que ainda será mencionado. Não apenas a algo próximo fisicamente. Se você está escrevendo e vai falar de algo em seguida, pode usar este para introduzir. É um uso legítimo e frequente em textos formais.
Pegadinhas que ninguém conta
A concordância do adjetivo demonstrativo com o substantivo que modifica é trivial. O que causa dificuldade real é a diferença entre isto, isso e isso como pronomes demonstrativos neutros, que muitos confundem com funções distintas quando na verdade são variants contextuais do mesmo sistema. Outro ponto: a omissão do substantivo após o demonstrativo. Este livro versus apenas este. Ambos estão corretos, mas a ambiguidade aumenta quando você tem múltiplos antecedentes possíveis. Nesse caso, valer-se de aquele para o mais distante no discourse é mais seguro do que insistir com este.
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Exemplo prático rápido. Frase problemática: "O projeto A foi enviado ao projeto B, mas este não foi aprovado." Qual dos dois projetos este está se referindo? Depende inteiramente do contexto que o leitor não tem. A solução é simples: substituam por o segundo, o projeto B, ou reestruturem a frase.
Quando o adjetivo demonstrativo simplesmente não funciona
Em textos muito longos com múltiplos referente ao longo de dezenas de páginas, o sistema este/esse/aquele perde eficácia porque o leitor não consegue manter todos os referentes ativos na memória de trabalho. Nesse cenário, repetir o substantivo ou usar sinônimos é mais confiável do que confiar no demonstrativo para resolver anáfora. Também não funciona bem em inglês quando você traduz automaticamente. O sistema demonstrativo inglês (this/that/these/those) tem regras de uso diferentes, e uma tradução literal frequentemente soa artificial ou gera ambiguidade. Sempre revise manualmente.
Resumo útil para consulta rápida
Este, esta, estes, estas — proximidade com o falante ou referenciação a algo futuro no texto. Esse, essa, esses, essas — proximidade com o ouvinte ou referenciação a algo já mencionado ou presente no contexto compartilhado.
Aquele, aquela, aqueles, aquelas — distanciamento de ambos os interlocutores ou diferenciação clara entre dois ou mais referentes. A flexão em gênero e número é regular. O desafio real está na escolha contextual, não na forma. Pratique lendo textos formais e prestando atenção em como os autores escolhem, e você desenvolve intuição. A intuição vem da exposição, não da decoreba de regras isoladas.