Água E Sais Minerais Exercícios - Lista de Exercícios 2 - Água e Sais Minerais | PDF
Lista de Exercícios 2 - Água e Sais Minerais | PDF

O que realmente acontece com a água e os sais durante o exercício

Muita gente acha que água basta. Não basta. Durante um treino de uma hora em ambiente quente, você perde entre 0,8 e 1,5 litro de suor, e nesse líquido vão sódio, potássio, magnésio e cálcio. Beber só água pura sem repositar o sal pode diluir o sódio sanguíneo a ponto de causar hiponatremia. Isso não é teoria. Já vi corredor amador desmaiando em meta de 10km no verão porque só bebeu água filtrada durante toda a prova. A reposição precisa ser proporcional ao volume e à intensidade. O sódio é o eletrolito mais relevante porque é o principal do suor. A concentração média de sódio no suor varia de 20 a 80 mmol/L, mas alguns indivíduos são "saltadores" e chegam a 90 mmol/L. Não existe fórmula única. Tem que observar a resposta do próprio corpo.

Água e sais minerais exercícios: guia prático

Vou explicar do jeito que funciona na prática, não da forma como os manuais ensinam. O primeiro passo é calcular seu déficit hídrico pós-treino. Pese-se nu antes e depois do exercício. Cada quilo perdido corresponde a aproximadamente 1 litro de fluido. Se perdeu 1,2 kg, precisa repor cerca de 1,2 a 1,5 litro, considerando a urinização que vai acontecer durante a reposição.

A quantidade de sódio recomendada fica entre 300 e 600 mg por litro de água para treinos que duram mais de uma hora. Para treinos curtos, água normal resolve. Para endurance, trail running, ou treinos em calor, o sódio entra como componente obrigatório, não opcional. O potássio merece atenção separada. A perda pelo suor é menor que a do sódio, mas a reposição ajuda na prevenção de cãibras e na recuperação da função neuromuscular. Uma banana média tem cerca de 420 mg de potássio. Um copo de água de côco tem aproximadamente 600 mg. São fontes práticas que funcionam bem.

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O magnésio é o mais complicado de dosar via suor porque a relação suor-coro sanguíneo é diferente. A suplementação viaTableta ou pó tem eficácia variável. Eu costumo recomendar alimentos ricos em magnésio depois do treino: castanha do pará, abóbora, espinafre. O suplemento isolado só faz sentido se o indivíduo já tem deficiência diagnosticada. Um detalhe que pouca gente menciona: a presença de glicose na solução de reidratação acelera a absorção de sódio e água no intestino delgado através do cotransportador SGLT1. Uma concentração de aproximadamente 60 g de carboidrato por litro é o ponto ideal. Concentrações maiores que 90 g/L retardam o esvaziamento gástrico e podem causar desconforto abdominal. Isso é fisiologia básica, mas muita gente faz isotônico caseiro com açúcar demais e reclama que sinto peso no estômago.

Aqui vai uma situação real que eu enfrentei. Um aluno praticava triathlon e tinha suor extremamente salgado. A roupa dele ficava com manchas brancas visíveis após cada treino. A hidratação padrão não funcionava. Ele continuava com dor de cabeça pós-treino e cãibras nas panturrilhas. A solução foi aumentar o sódio para 700 mg por litro e adicionar 200 mg de magnésio citrato no pós-treino. Em três semanas, os sintomas sumiram. O problema era que a recomendação genérica de "beba eletrólitos" simplesmente não cobria o perfil dele. O erro mais comum é tratar todos os atletas da mesma forma. Existe variação individual enorme. O teste do panço é rápido: treine, use uma camisa clara, seque as manchas de suor e observe o resíduo branco. Quanto mais visível, mais salgado é o suor. Esse método caseiro dá uma ideia razoável da concentração de sódio.

Há também a limitação prática dos sais minerais em pó vendidos comercialmente. Muitos têm quantidades irreais de potássio por dose, o que pode ser problemático para quem tem função renal comprometida. Sempre verifique a bula. O sódio é seguro na maioria dos casos. O potássio exige mais cuidado. Para quem faz exercício moderado de 40 minutos em ambiente climatizado, água pura é suficiente. Não precisa gastar com bebida esportiva. O excesso de sódio e calorias nessas situações só adiciona carga renal e calórica desnecessária. O equilíbrio está em entender quando o corpo realmente pede reposição eletrolítica e quando pede apenas água.

Outro ponto que ninguém gosta de ouvir: a sede não é um indicador confiável para atletas de alta performance. Quando você sente sede, já está desidratado em cerca de 1 a 2% do peso corporal. Para performance, a hidratação deve ser programada, não reativa. Beber nos intervalos planejados, independentemente da sede, faz diferença mensurável no rendimento. Se você quer montar uma solução caseira, a proporção funcional é: 1 litro de água, 1 pitada generosa de sal marinho (cerca de 0,5 a 1 gramas, dependendo do paladar), 60 g de açúcar ou mel, e suco de meio limão para sabor e potássio. Misture até dissolver. Teste em treinos baixos antes de usar em competição. O estômago precisa se adaptar.