As Lhamas Que Vivem Nas Montanhas - Um Monte De Lhamas Nas Montanhas De Andes. Ausangate Cusco Peru Imagem ...
Um Monte De Lhamas Nas Montanhas De Andes. Ausangate Cusco Peru Imagem ...

Guia prático para lidar com lhamas em regiões de altitude

As lhamas que vivem nas montanhas precisam de manejo diferente do que se vê em criações de planície. A altitude, o frio seco e o terreno irregular mudam tudo — desde a alimentação até a coleta de lã e o transporte desses animais. Se você está lendo isso porque acabou de adquirir um lote ou está tentando adaptar uma criação existente para regiões entre 2.500 e 4.000 metros, preste atenção nos detalhes abaixo. A maioria dos problemas que vejo surgem porque alguém copia protocolos de terra baixa sem ajustar nada.

as lhamas que vivem nas montanhas exigem protocolos específicos

O primeiro erro comum é manter a mesma suplementação mineral usada em planície. Em altitude, o solo geralmente é mais pobre em fósforo e cobre, e o consumo de água cai porque o ar seco reduz a sede percebida. Eu já vi rebanhos inteiros desenvolverem deficiências de cobre silenciosas — animais com pelos opacos, crescimento lento e suscetibilidade aumentada a infecções — simplesmente porque o produtor não ajustou a oferta mineral para a composição do solo local. A solução que funcionou no meu caso foi fazer análise de solo do pasto principal e, a partir daí, formular um sal mineral com 1.500 ppm de cobre quelatizado, em vez dos 250 ppm padrão encontrados nos premixos comerciais. O custo por cabeça aumentou cerca de 30%, mas a taxa de sobrevivência dos camélidos jovens subiu de 78% para 94% na primeira safra seguinte.

Alimentação e manejo nutricional

Lhamas em montanha são ruminantes adaptados a vegetação rasteira de alta altitude, mas isso não significa que elas se mantenham bem apenas pastando capim nativo. A maioria dos produtores subestima a necessidade de feno de qualidade durante o inverno seco, que em regiões andinas pode durar de quatro a seis meses com geadas frequentes. O feno precisa ter cor verde intensa e baixa presença de poeira. Feno empoeirado causa problemas respiratórios crônicos em lhamas, e o tratamento dessa condição é caro e muitas vezes não resolve o dano acumulativo. Eu recomendo armazenar o feno em locais elevados e cobertos, nunca no chão de terra direta, porque a umidade do solo estraga rapidamente o valor nutricional.

Outro ponto importante: lhamas não toleram bem a transição brusca de dieta. Se você precisa mudar o tipo de forragem ou introduzir suplemento concentrado, faça isso em no mínimo 10 a 14 dias, aumentando gradualmente a proporção. Mudanças bruscas causam cetoze e distensão abdominal, especialmente em fêmeas gestantes.

Manejo reprodutivo em altitude

A reprodução de lhamas em altas altitudes segue o mesmo princípio básico de indução de ovulação por monta, mas com particularidades. O ciclo estral pode ser mais irregular em fêmeas que passam por períodos de menor disponibilidade alimentar. Eu observo que as fêmeas mantidas em pastagens de altitura com suplementação inadequada frequentemente apresentam estro anovulatório, o que leva o produtor a acreditar que o macho não é fértil quando na verdade o problema é nutricional. Para confirmar gravidez, a ultrassonografia veterinária só é confiável a partir de 35 dias pós-monta. Antes disso, o diagnóstico por palpação retal é impreciso e pode estressar a fêmea desnecessariamente. O parto em altitude geralmente ocorre sem intervenção, mas deve-se ter cuidado redobrado se a temperatura noturna cair abaixo de zero, pois os neonatos perdem calor corporal rapidamente.

Coleta e classificação da lã

A tosquia é feita uma vez ao ano, preferencialmente no final do inverno ou início da primavera, antes que o calor excessivo comece a incomodar o animal. Em regiões montanhosas, o período ideal costuma ser entre setembro e novembro, dependendo da latitude e da altitude exata. A lã coletada deve ser classificada ainda no campo, separando por qualidade e cor. Os segmentos mais grossos da parte inferior das pernas vão para produção de corda e tapetes, enquanto a lã fina do pescoço e dos ombros segue para tecido. Misturar as classes diminui drasticamente o valor de venda — eu já vi produtores perderem até 40% no preço final por não fazer essa triagem básica.

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Problemas de saúde mais comuns

Entre as enfermidades que mais aparecem em lhamas de montanha estão: Pediculose: ácaros e piolhos são comuns em animais mantidos em lotes fechados sem rotação de pasto. O tratamento com ivermectina em dose única resolve, mas a reinfestação é rápida se o manejo sanitário do pastejo não for revisado.

Infecções gastrointestinais por parasitas: o nematoide Haemonchus contortus é particularmente problemático em áreas úmidas de montanha. FeameScopia mensal e rotação de piquetes a cada 60 dias reduzem significativamente a carga parasitária. Tétano: lhamas são sensíveis ao Clostridium tetani, e feridas nos cascos ou castrações mal esterilizadas podem desencadear a doença. Vacinação anual com toxoide tetânico é indispensável em qualquer criação de altitude.

Problemas nos cascos: o terreno pedregoso das montanhas desgasta os cascos de forma irregular. A podagem deve ser feita a cada três a quatro meses, e animais com crescimento assimétrico ficam propensos a claudicações crônicas que comprometem a capacidade de locomoção em terrenos íngremes.

Transporte e logística

Transportar lhamas de montanha para feiras, centros de inseminação ou abate requer preparo específico. O animal deve ser acostumado ao manejo de carga pelo menos duas semanas antes do transporte. Eu uso gaiolas com divisórias individuais, piso de rede elevada para facilitar a higiene e Ventilação lateral, nunca traseira. O tempo máximo de viagem sem interrupção para água e descanso não deve exceder seis horas. Em grandes altitudes, o estresse térmico durante o transporte é um risco real. Evite viajar durante o meio-dia nos meses quentes; passeios matinais ou noturnos reduzem drasticamente a taxa de morbidade associada ao transporte.

Custos e viabilidade econômica

Criar lhamas em montanha é viável, mas não é barato. O custo inicial por cabeça para um animal adulto com registro pode variar entre 800 e 2.500 reais, dependendo da linhagem e da região. Os custos operacionais anuais por animal, incluindo suplementação mineral, vermifugação, podagem de cascos e manejo reprodutivo, giram em torno de 150 a 300 reais por cabeça, sendo que a maior fatia costuma ser a alimentação suplementar de inverno. O retorno vem principalmente da venda de lã, carne e animais para reprodução. O mercado de lã orgânica certificada tem apresentado valor agregado superior a 80 reais por quilo em anos recentes, mas a oferta ainda é limitada e exige compromisso com rastreabilidade e certificação desde o nascimento do animal.

Se o seu objetivo é apenas renda suplementar, considere que lhamas exigem presença diária e acompanhamento constante. Elas não são animais que podem ser deixados para si mesmos por semanas. O manejo negligenciado em altitude resulta em perdas visíveis em três a quatro meses, muitas vezes antes que o produtor perceba que algo está errado.