Como identificar o sujeito incorretamente grifado em questões de português
Questões que pedem para assinale a alternativa onde o sujeito não foi corretamente grifado aparecem o tempo todo em concursos, vestibulares e listas de exercícios. A ideia é simples na teoria, mas na prática costuma pegar quem não tem familiaridade com as estruturas mais tortuosas da língua. Vou explicar como funciona, onde as bancas gostam de errar de propósito e o que você precisa observar.
Passo a passo para assinale a alternativa onde o sujeito não foi corretamente grifado
O primeiro passo é ler a frase inteira sem se fixar no que está sublinhado. Identifique o verbo, conjuge-o mentalmente e pergunte: quem pratica ou sofre a ação? O sujeito é o termo que responde a essa pergunta. Depois você compara com o que foi grifado. Se não corresponde, a alternativa é a resposta. Vou dar um exemplo direto. Frase: "Precisa-se de funcionários." O que está grifado pode ser "funcionários". Isso está errado. "Funcionários" é objeto indireto. O sujeito aqui é indeterminado porque o verbo está na terceira pessoa do singular com a partícula "se". O correto seria grifar nada ou indicar sujeito indeterminado.
Outro caso clássico: "Ontem chegaram os candidatos." Se grifarem "ontem", errou. "Ontem" é adjunto adverbial de tempo. O sujeito é "os candidatos", que vem posposto ao verbo. A concordância está no plural porque o núcleo do sujeito é "candidatos". Eu já perdi pontos em exercícios por não notar uma pegadinha dessas. Em uma lista minha, tinha a frase "Apenas os alunos compareceram à prova." Grifavam "apenas". Parecia inofensivo, mas "apenas" é um advérbio de restrição. O sujeito era "os alunos". Fica fácil confundir quando o termo grifado está colado ao sujeito real.
Tipos de sujeito mais cobrados nas bancas
As provas costumam focar em quatro categorias. Dominar essas coberturas resolve a maioria das questões. O sujeito simples tem um único núcleo. "O professor explicou a aula." Sujeito: "o professor". Núcleo: "professor".
O sujeito composto tem dois ou mais núcleos ligados por conjunção. "O aluno e o professor entraram na sala." Sujeito: "o aluno e o professor". O sujeito oracional é aquele em que o sujeito é uma oração inteira. "É necessário que vocês estudem mais." O sujeito é "que vocês estudem mais". Isso confunde muita gente porque não existe um nome ou pronome isolado funcionando como núcleo.
O sujeito inexistente aparece em orações sem sujeito. Verbos como "chover", "bater", "ameaçar" usados em sentido literal não têm sujeito. "Choveu muito ontem." Não tem sujeito. Se a banca grifar "muito" ou "ontem" dizendo que são sujeitos, a alternativa está errada.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Pegadinhas que as bancas adoram usar
Uma das mais comuns envolve a partícula apassivadora "se". Quando você vê "Vendem-se casas", o "se" não é partícula de indeterminação do sujeito. É partícula apassivadora. O sujeito é "casas", que é paciente. O verbo concorda com "casas" no plural. A banca pode grifar "se" e chamar de sujeito. Isso é erro. Outra pegadinha clássica é o sujeito oculto. "Falamos com o diretor ontem." O sujeito é "nós", oculto na desinência verbal. Às vezes a banca grifa "o diretor" achando que é sujeito. Errado. "O diretor" é objeto indireto da preposição "com".
Tem ainda o caso dos verbos que exigem preposição. "Obedeça ao regulamento." "Ao regulamento" é objeto indireto, não sujeito. Eu vi questão em que grifavam "ao regulamento" como sujeito lógico. A banca confundiu complemente com sujeito. Isso acontece mais do que deveria em editores inexperientes. Uma vez eu me deparei com a frase "Havia muitos problemas pendentes." Grifavam "muitos problemas" como sujeito. "Havia" aqui é verbo impessoal. Não tem sujeito. A expressão "muitos problemas pendentes" funciona como Complemento Nominal ou Adjunto Adverbial, dependendo da análise. Na prática, para fins de prova, o gabarito considera que não há sujeito. Questões assim costumam gerar recurso porque a própria banca não sabe o que está fazendo.
Erros comuns na hora de identificar
Aprender a diferença entre objeto direto e objeto indireto evita metade dos erros. "Emprestei-lhe o livro." "Lhe" é objeto indireto. Não é sujeito. Se a banca grifar "lhe" apontando como sujeito, a alternativa está incorreta. Confundir adjunto adverbial com sujeito também é frequente. Termos de tempo, lugar, modo e maneira não são sujeitos. "Semana passada viajamos bastante." "Semana passada" é adjunto adverbial de tempo. Sujeito: "nós" (oculto).
Um erro avançado mas importante: sujeito coletivo. "A equipe inteira competiu bem." O sujeito é "a equipe inteira", coletivo. Mesmo sendo coletivo, o núcleo continua sendo "equipe". Às vezes a banca tenta fazer você pensar que o sujeito é "inteira" só porque está junto. Não é.
Dica prática para resolver rapidamente
Diante de qualquer frase, siga esta sequência: localize o verbo, pergunte quem faz a ação, verifique se há partícula "se" e determine se é índice de indeterminação ou partícula apassivadora. Se o verbo for impessoal, não há sujeito. Se o termo grifado não responder à pergunta "quem?", descartou. Quando o verbo estiver no plural e o termo grifado no singular, desconfie. A banca provavelmente colocou um adjunto adverbial ou um complemento no lugar do sujeito. Verifique a concordância. Ela quase sempre revela a verdade.
Para quem estuda para concursos, recomendo focar em questões anteriores da mesma banca. Cada organizadora tem um padrão. Fesp, Cebraspe, FCC — cada uma tem suas manhas. A FCC adora cobrar sujeito oracional. A Cebraspe gosta de cobrar as pegadinhas com "se". Conhecer o estilo da banca economiza tempo e reduz surpresas. No final das contas, o segredo não é decorar regras. É treinar a leitura ativa. Leia a frase, identifique o núcleo do predicado, isole o que de fato funciona como agente ou paciente da ação. O resto é questão de prática e paciência.