Atividade Eu Sou Assim - Atividade interativa: Eu sou assim - Alfabetizando Digital
Atividade interativa: Eu sou assim - Alfabetizando Digital

O que é a atividade "Eu Sou Assim" no fundo

A atividade eu sou assim é uma proposta de escrita espontânea voltada para o processo inicial de alfabetização, muito comum no Brasil desde os anos 2000. A criança recebe uma folha com o título "Eu sou assim" e precisa completar com frases, desenhos ou palavras que a definam: nome, idade, gostos, aparência, família. Não é nenhum método revolucionário. É só um pontapé para fazer o aluno começar a relacionar som e letra de forma significativa.

Como montar a atividade eu sou assim na prática

Comece pela parte mais simples. Pegue uma folha sulfite ou um caderno, escreva o título em letra de imprensa maiúscula bem legível. Depois chame os alunos um a um para falar o que querem colocar. O papel aqui é seu registrar o que eles ditam, já que muitos ainda não escrevem sozinhos. Eu costumo ditá-los com calma, corrigindo apenas quando a letra vira algo completamente ilegível. O resto fica como eles falam, sem editar. Acho útil pedir que incluam pelo menos cinco informações. Nome. Idade. Cor favorita. Animal favorito. Uma coisa que gostam de fazer. Quanto mais concreto, melhor. Crianças nessa faixa têm dificuldade com conceitos abstratos como "sou bondoso" ou "sou inteligente". Eles entendem o que gostam, não o que são de caráter. Isso não é falha deles. É desenvolvimento.

O que acontece quando você deixa eles produzirem sozinhos

Depois da fase de ditado, o pulo é fazer com que reescrevam usando letras próprias. Aqui a maioria dos professores se empolga demais e acha que erro de grafia é falha grave. Não é. Erro nessa fase é sinal de hipótese de escrita, que é exatamente o que você precisa mapear. Se um aluno escreve "AFDAD" pra "PADRE", isso te diz que ele ainda está no nível silábico. Anota isso. Não corrige com caneta vermelha na frente dele. Mostra depois, em particular. Um problema que todo mundo enfrenta e poucos percebem: crianças muito avançadas na leitura frequentemente copiam palavras inteiras do cartaz da sala sem pensar no que estão escrevendo. Eu já vi aluno copiar "ESCOLA" três vezes seguidas porque era a única palavra que conhecia escrita, mesmo quando pedia pra ele escrever "gato". A solução é trocar o foco. Em vez de pedir pra escrever o título inteiro, peça pra cada um escrever só o próprio nome no topo, depois completar o resto com desenho e legenda curta. Funciona porque reduz a pressão e elimina a cópia cega.

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Erros comuns que todo professor comete

A primeira é cobrar apresentação estética. Folhas decoradas com recortes e glitter que viram trabalho de mãe, não de criança. Isso tira o foco do que importa: a produção textual real do aluno. A segunda é transformar a atividade num concurso de quem tem família maior ou animal mais legal. Terceira, e essa é persistente: fazer a atividade só uma vez no ano. Ela funciona melhor como rotina mensal. A criança evolui rápido nos primeiros anos e uma produção todo mês mostra progresso real em poucas semanas. Há também o risco de usar essa atividade em turmas multisseriadas sem adaptação. Se você tem um aluno no final do ciclo de alfabetização ao lado de um iniciante completo, a atividade precisa ter versões diferentes. Para o iniciante, foco em ditado e desenho. Para o mais avançado, peça textos mais longos, talvez com um parágrafo sobre "por quê" das escolhas, não só "o quê". Senão o mais adiantado entedia e o mais lento se perde.

Adaptações úteis para situações reais

Alunos com disgrafia ou dificuldade motora fina têm problemas reais com escrita manual longa. Nesses casos, permitir uso de tablet com aplicativo de texto ou gravador de voz enquanto o colega escreve ao lado funciona muito bem. O conteúdo é o mesmo. O formato muda. Não faz sentido punir a expressão por limitação física. Outro ponto que pouca gente leva em conta: alunos de famílias com baixa escolaridade muitas vezes não têm ninguém pra ajudar em casa. A atividade "eu sou assim" parece inofensiva, mas gera desigualdade se virar tarefa para casa. Sempre faça na aula. Se quiser envolver a família, peça que conversem com a criança sobre o tema, não que completem o trabalho por ela.

Quando a atividade não funciona

A atividade eu sou assim simplesmente não deve ser usada como única ferramenta de avaliação de alfabetização. Ela mede produção textual e consciência fonológica de forma informal, mas não substitui testes estruturados como o PROFA ou avaliações diagnostícas padronizadas. Se o objetivo é identificar dislexia, por exemplo, essa atividade não vai te dar nada além deindícios vagos. Nesse caso, encaminhe para avaliação especializada. Também não adianta insistir se a turma estiver em pânico por algum evento externo: mudança de casa, briga familiar, problema de saúde. A escrita sob estresse fica pior, e você vai coletar dados errados sobre o nível real do aluno. Espere uma semana. O resultado muda bastante.

Download e material complementar

Não tenho um link oficial pra você, porque essa atividade não tem dono. O que recomendo é buscar nos sites das secretarias estaduais de educação. A maioria publicou apostilas gratuitas com variações da atividade entre 2018 e 2024. As searchs por "atividade eu sou assim pdf secretaria educação" já entregam material suficiente. Evite sites de pagamento que empacotam o básico com arte bonita. O conteúdo pedagógico é o mesmo, só muda a capa. Se quiser algo pronto pra usar amanhã, minha sugestão prática é: imprima uma folha em branco, escreva o título à mão na lousa, dite as primeiras cinco linhas em sala, e deixe os alunos produzirem sozinhos nos dez minutos finais da aula. Repita todo mês. Em três meses você tem um portfólio claro do que cada criança sabe escrever. Isso vale mais que qualquer teste formal.