Atividade Sobre A Era Vargas - Atividade Sobre A Era Vargas - NAZAEDU
Atividade Sobre A Era Vargas - NAZAEDU

Como montar uma atividade sobre a era Vargas que realmente funcione

A maioria dos professores que vejo criando exercícios sobre o período Vargas cai nos mesmos erros. Perguntas genéricas do tipo "cite três características do Estado Novo" não avaliam nada. Os alunos copiam da Wikipédia e você não sabe se entenderam ou não. Eu já corri essa prova dezenas de vezes e posso te dizer exatamente onde isso falha. O problema central é que a era Vargas tem duas fases bem distintas — a Revolução de 30 com o governo provisório e a Constituição de 34, depois o Estado Novo de 37 a 45 — e os alunos frequentemente confundem tudo. Quando você pede uma linha do tempo simples, metade da turma coloca a criação da CLT em 1930 e a extinção do DIP em 1937. Isso não é acaso. A matéria é ensinada como se fosse um único bloco homogêneo.

O que funciona na prática

Uma atividade sobre a era vargas que gera aprendizado real precisa forçar o aluno a fazer uma escolha argumentativa, não apenas reproduzir dados. Minha estrutura padrão é bem simples: peço para eles compararem dois decretos ou dois discursos de períodos diferentes e explicarem por que mudaram. Por exemplo, pegar o artigo 122 da Constituição de 34 sobre direito de greve e comparar com a proibição total pelo Decreto-Lei 312 de 1938. O aluno precisa mostrar que entendeu a mudança de paradigma, não apenas memorizar datas. Eu sempre incluo uma questão dissertativa com um texto-fonte. Material primário é essencial. Um parágrafo do Manifesto dos Mineiros ou um trecho do Diário Oficial de 1937 sobre a outorga da Constituição bastam para dificultar a cópia automática. Alunos que sabem o conteúdo respondem. Aqueles que apenas decoraram passam branco ou muito mal.

Também costumo pedir uma análise crítica de uma Charge da época, como as publicadas no jornal O Cruzeiro ou nas revistas do período. A charges de Zé Carlos ou de Ângelo de Castro são excelentes porque exigem contexto histórico para serem decodificadas. Você vê claramente na resposta se o aluno compreendeu o discurso político ou se apenas descreveu o desenho.

O problema que ninguém menciona

O principal dilema com qualquer atividade sobre a era Vargas é a bibliografia. Os livros didáticos tradicionais tratam o período quase sempre de forma moralista, apresentando Vargas ora como vilão, ora como herói popular. Isso distorce a análise. Eu recomendo usar pelo menos uma fonte acadêmica. Nelson Werneck Sodré tem análises importantes, mas é denso. Carlos Fico, com seu livro "Novas perspectivas do Estado Novo", é mais acessível e corrige varias simplificações comuns. A versão digitada do artigo dele sobre a propaganda do DIP está disponível gratuitamente no site da USP. Aqui vai algo que os professores normalmente não consideram: a maioria dos alunos não consegue distinguir a diferença entre populismo e autoritarismo no contexto brasileiro. Eles usam os termos como sinônimos. Quando eu peço para definirem cada um com exemplos específicos do período, as respostas revelam lacunas profundas de entendimento conceitual. Gastei duas aulas reformulando essa distinção usando exemplos concretos — o apoio setorial de 1934 versus o controle sindical de 1943, por exemplo. Foi o momento em que a maioria realmente entendeu o conteúdo.

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Questões específicas que eu uso e por quê

Minha lista fixa de questões inclui estas: Uma sobre a industrialização por substituição de importações e seu vínculo com a guerra. A maioria dos livros trata isso de forma superficial. Os alunos precisam conectar a entrada do Brasil na Segunda Guerra ao aumento da produção interna, e entender que não foi um plano deliberado de Vargas, mas uma consequência geoeconômica.

Outra questão pede para analisar a legislação trabalhista sem romantizá-la. A CLT existe, mas ela veio com contrapartidas claras: sindicatos controlados pelo Estado, proibição de greve, fiscalização governamental. Um bom aluno identifica essa troca. Muitos não identificam. Isso é útil porque mostra que políticas sociais podem existir sem serem progressistas por si só. Também costumo incluir um item sobre a Intentona Comunista de 1935. É um ponto cego nos materiais didáticos. Os alunos conhecem o golpe de 37, mas sabem muito pouco sobre a rebelião que o justificou. Explicar como Vargas usou o medo vermelho para consolidar poder é uma habilidade analítica importante.

Limitações dessa abordagem

Atividades com análise de fontes primárias demandam mais tempo de correção. Eu levo cerca de 40 minutos para corrigir uma turma de 30 alunos com esse formato, contra 15 minutos de uma prova múltipla escolha. Se você tem muitas turmas, isso é um fator real. A solução que eu encontrei foi criar um rubricas de correção bem definida antes de aplicar a prova. Com critérios claros, a correção fica mais rápida e mais justa. Outro ponto fraco é que alunos de escolas públicas muitas vezes não têm acesso a fontes primárias digitalizadas. Eu resolvi isso fornecendo um caderno com as cópias das fontes em sala de aula. Não é elegante, mas funciona. Alunos que chegam sem material base não conseguem responder com a mesma profundidade, e isso é unfair.

Recursos úteis

O acervo da Fundação Getúlio Vargas em Rio de Janeiro disponibiliza documentos digitalizados gratuitamente. O projeto Memória e Democracia também tem material relevante. Para charges, o portal da Câmara dos Deputados tem uma coleção boa de iconografia política do período. Se quiser adaptar essa atividade para ensino médio ou curso normal, posso detalhar o rubricas de correção ou ajustar o nível de complexidade das fontes. É só pedir.