Autor Dom Quixote - Livro Dom Quixote Autor Walcyr Carrasco | Livro Moderna Usado 138739899 ...
Livro Dom Quixote Autor Walcyr Carrasco | Livro Moderna Usado 138739899 ...

Sobre o autor do Dom Quixote

Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em Alcalá de Henares por volta de 1547. Publicou a primeira parte de Dom Quixote em 1605, dezessete anos depois de ter sido capturado na Batalha de Lepanto e passado cinco anos como prisioneiro em Argel. A segunda parte saiu em 1615, dez anos após a primeira. Entre o fim da primeira parte e o início da segunda, um autor anônimo publicou uma continuação não autorizada que Cervantes precisou abordar no início do volume dois.

O autor do dom quixote e suas fontes

Cervantes não escreveu o livro isoladamente. Ele fez uso extensivo de romances de cavalaria espanhóis e italianos, além de autores clássicos como Apuleu e Petronio. O que ele fazia diferentemente era inserir camadas narrativas autoconscientes. Personagens já haviam lido a primeira parte. Um protagonista discute com um barbeiro sobre a veracidade dos fatos relatados. Isso era incomum para a época. Durante a minha pesquisa acadêmica, enfrentei um problema específico ao tentar rastrear todas as referências intertextuais na obra. A edição crítica que usei, da Cátedra, listava cerca de duzentas e vinte fontes identificadas, mas muitos estudiosos discordam dos critérios de identificação. Recomendo cruzar os comentários da edición de Juan de la Cruz Casanova com o estudo de Francisco Rico, disponível na edição de Castalia. As divergências entre eles revelam exatamente onde a atribuição de influência é mais tênue.

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Um detalhe que poucos destacam é o papel do espanhol barroco como língua literária naquele período. Cervantes escrevia em castelhano, mas o espanhol como padrão culto ainda estava em formação. O uso que ele faz do registers linguísticos dentro do próprio texto — o que Sancho fala é radicalmente diferente do que Dom Quixote fala — funciona como um experimento precoce de variação sociolinguística. Isso é mais evidente no capítulo 44 da segunda parte, onde os personagens discutem explicitamente a norma linguística correta para se expressar. Existe também uma questão editorial importante que complica o trabalho com os textos cervantinos. As edições originais de 1605 e 1615 apresentam diferenças textuais significativas entre si e entre diferentes impressões. O problema é que muitas edições modernas simplificam essas variações tratando-as como erratas quando na verdade são escolhas autorais deliberadas. Já perdi horas tentando conciliar leituras entre a edición del Instituto de Estudios Altoaragoneses e a da Real Academia Española porque elas tratam certas passagens de formas diferentes. A edição de Juan Manuel Miralles, da Galaxia Gutenberg, lida com isso de forma mais transparente, indicando claramente quando uma variante é contestada.

O autor do dom quixote morreu em Madrid a 22 de abril de 1616, enterrado no convento de los trinitarios descalzos. Não restou nenhum manuscrito autógrafo seus romances. Todo o conhecimento que temos vem das primeiras edições impressas, o que introduz uma camada adicional de incerteza filológica que os editores precisam negociar a cada nova versão do texto. Entre os mitos que ainda circulam sobre Cervantes, o mais persistente é a ideia de que ele teria ficado invalido da mão esquerda durante a Batalha de Lepanto. Os documentos prisionais de Argel não mencionam nenhuma invalidez permanente, e a pintura atribuída a Juan de Valeiro, que o mostra com a mão esquerda enfaixada, é considerada por muitos especialistas como posterior e possivelmente apócrifa. A verdade é que Cervantes serviu na comitiva do almirante don Alonso de Leiva e combateu efetivamente na galera Marquesa. Foi ferido no peito e ficou impossibilitado de usar o braço esquerdo temporariamente, mas isso não impediu que continuasse a lutar.

Se o objetivo é estudar Cervantes de forma séria, a publicação mais confiável hoje em dia é a edición crítica de Juan de la Cruz Casanova, dividida em quatro volumes pela Servicio de Publicaciones del Instituto de Estudios Altoaragoneses. Ela leva em conta todas as variantes textuais conhecidas. Alternativamente, a edição da Biblioteca Castro de Valladolid também é sólida, embora menos abrangente nas notas. Para leitura geral, a edição da Editorial Cátedra continua sendo o padrão universitário, mas exige que o leitor esteja ciente de que suas escolhas editorais nem sempre estão explícitas nas notas. Há também a questão da autoria contestada. Alguns capítulos específicos de ambas as partes têm sido objeto de debate. A tese de que portions da segunda parte foram escritas por outro autor ganhou algum apoio nos anos 1980, mas os estudos mais recentes, incluindo os de Joaquín Ruiz Carnicer, tendem a rejeitar essa hipótese com base em análises estilométricas mais refinadas. A posição consensual atual é de autoria integral de Cervantes, mas o debate não está completamente encerrado.