Como a linha do bordacon bordados se comporta em tecido fino
A primeira coisa que ninguém te conta quando você pega uma roleta de linha bordacon bordados pela primeira vez: o fio tem um torque lateral mínimo, mas ele existe. Se você puxar a agulha com velocidade constante e sempre no mesmo ângulo, a tensão vai variar depois de uns 800 a 1200 pontos. Aí começa a aparecer aquele "estico" leve no avesso, que em tecidos grossos tipo jeans ou sarja você nem percebe. Em organza, chiffon ou linho fino de 40 fios, fica evidente. Eu trabalho com linho de 36 fios e já perdi duas peças porque a linha começou a criar micro-rugas no verso a partir do terceiro dia de bordado. A solução que funcionou pra mim foi trocar a agulha de 75 para 90 a cada 15 minutos e soltar a tensão da máquina em 2,5 clics. Não é elegante, mas impede que o fio se torça no orifício da agulha e transfira aquela tensão residual pro tecido.
O que exatamente é bordacon bordados na prática
Bordacon bordados não é só uma marca de linha, é um conjunto de produtos que vai da linha de poliéster recortada (que é o que a maioria usa pra bordar à mão em ponto de cruz e ponto cheio) até os cones de fio para bordado em máquina com densidade de 25 a 40 tex. O que diferencia essa linha das outras que eu já usei (VStitch, Klank, Madeira Genérico) é que o fio tem uma flocagem interna mais consistente. Ou seja, ele não desfia tanto durante bordados longos com densidade alta, tipo fillers de 6 a 8 milímetros. Isso importa porque a maioria das marcas mais baratas solta fiapo a partir da hora de uso, suja o tambor, entope a zona de corte e você está limpando a máquina a cada meia hora. Com bordacon, dependendo do lote, dá pra rodar umas 4 horas antes de precisar abrir a bobbin case e tirar aquela bolinha de lã acumulada. Depende muito do lote, aliás. Tive um cone inteiro que era ruim, fiava feito algodão mal penteado, e o outro do mesmo modelo que vinha perfeito. Não tem explicação lógica pra isso, acho que é o processo de fiação do fornecedor deles que varia de semana pra semana. Um ponto que pega muita gente de primeira: a cor. O catálogo da bordacon bordados tem amostras físicas, mas a cor que aparece no catálogo impresso e a cor do cone em luz de oficina (geralmente fluorescente branco frio, 5000K-6500K) não são a mesma coisa. A numeração de cor funciona, mas dentro de uma mesma família, a diferença entre, digamos, o 412 e o 413 é de uns 8 a 12 pontos delta E. Se você tá fazendo um bordado com gradiente de tom, esses dois vizinhos no catálogo vão dar quase o mesmo resultado visual. Já o 412 pro 409, a diferença salta. Eu perdi três dias numa peça de um cliente tentando casar cor porque confiei na grade impressa e não tirei foto do tecido sob luz incandescente de 2700K antes de começar. Se puder, compra a amostra, coloca em cima do tecido, tira foto à luz natural das 10h da manhã e compara na tela do celular. Funciona melhor do que qualquer grade de papel.
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Onde baixar padrões compatíveis e como ajustar
A bordacon não vende pacotes de .dst ou .pes próprios, o que muita gente acha estranho. Eles têm um site com uma galeria de desenhos, mas os arquivos ficam limitados a preview em PNG de baixa resolução. Os padrões que realmente funcionam bem com a espessura desse fio são os que foram criados com densidade de entrelinha em 3,2 a 3,8 mm e ângulo de satin entre 45 e 55 graus. Acima de 60 graus, o fio começa a empilhar e a superfície fica com aspecto de "escama de peixe" feia, não é o brilho suave que você espera. Abaixo de 3,0 mm de entrelinha, em tecido fino, o fio não abre e sobra buraco no verso. O ideal mesmo é testar 40 centímetros quadrados de tecido residual com a densidade que você vai usar e bordar antes de largar a peça inteira. Se você busca padrões abertos, o site da PCD (Patterns for Machine Embroidery) tem um volume decente de arquivos .dst gratuitos, mas a maioria foi feita pensando em fio 25 tex. Com o bordacon que vai até 40 tex, você precisa subir a densidade em uns 15 a 20% na sua software (Hustle, Wilcom, Embird, o que for). Se não fizer isso, o bordado fica "rasgado", com buraco no tecido aparecendo entre os fios. Isso aconteceu comigo numa peça de monograma pra um hotel: mandei bordar com densidade padrão de 25 tex e o fio de 35 tex simplesmente não fechou. Tive que refazer, perder duas horas e a conta ficou pra trás. Ajusta na tela: aumenta fill density pra uns 78-82% e satin spacing pra 3,5 mm. Testa em retalho. Só então vai pra peça final.
Um detalhe que ninguém fala: o fio do bordacon bordados tem uma aderência ao tecido que muda conforme a umidade ambiente. Em dia seco, tipo umidade abaixo de 40%, o fio fica mais rígido e a elasticidade dele cai. O bordado termina mais tenso, mais "puxado". Na época de chuva, com umidade acima de 65%, o fio relaxa e o mesmo padrão termina com uns 5 a 7% a menos de tensão. Não é defeito, é física do poliéster com flocagem. Mas se você tá fazendo uma peça que vai pro atacado e precisa de consistência dimensional entre 200 unidades, isso importa. Eu travei minha oficina num range de 45 a 55% de umidade relativa usando um higrômetro digital simples na parede. Parece bobagem, mas parou de me entregar peça "solta" em dezembro e "apertada" em julho.
Limitações que ninguém te conta antes de comprar
O cone de 5000 metros da bordacon bordados, que é o tamanho que eles vendem pra pequeno produtor, tem um diâmetro interno de 13 mm. Isso significa que na sua rosette, se você usa aquele adaptador de bobeira de 12 mm genérico, o cone encosta na parede do adaptador e o fio raspa, desfia, faz barulho. Precisa de um adaptador de 14 mm no mínimo. Não tem no kit que vem. A maioria dos fornecedores de máquina (Janome, Brother, Bernina) vende esses adaptadores separados por uns 30 a 50 reais. Se não tiver, você vai quebrar o cone em uns três dias de uso contínuo porque a vibração vai rasgar a base. Eu quebrei dois antes de entender o que tava acontecendo, achei que era problema do fio. E pra quem quer usar em bordado manual: a linha de 40 tex deles é grossa demais pra ponto de cruz em Aida 14. Fica com aspecto "chumbado", o X não fecha bem e o desenho perde definição. Se for trabalhar à mão em tecido fino, fica no máximo 25 tex. Acima disso, o fio domina o tecido e a estampa sai pesada. Não tem como contornar, é geometria do ponto. Se a pessoa insiste em usar 40 tex em ponto de cruz, desce pra Aida 18 e o problema alivia, mas não some. Aí na prática, muitas vezes vale mais a pena usar uma linha de linho de 28 para o efeito mais limpo e ter a bordacon só pra machine embroidery em densidade alta. Misturar as técnicas e os fios assim, separar por aplicação, costuma dar resultado muito mais honesto do que tentar encaixar um fio de máquina em ponto manual e brigar com ele o tempo todo.