A confusão que quase todo mundo tem
Carinho e carrinho são palavras diferentes, mas muita gente trava na hora de escrever. A pronúncia é parecida, o som final em -zinho também aparece nos dois, e acabamos confundindo. O problema é que usar a palavra errada em um texto formal pode passar a impressão errada na hora da correção ortográfica. Eu já vi aluno de português se atrapalhar nisso em redação do Enem. A correção não pega só o significado, ela cobra a grafia também. Se você escreveu "dar carinho" como "dar carrinho", o corrector marca erro. Simples assim.
Carinho ou carrinho: quando usar cada um
A diferença é bem direta, mas a pegadinha está no 's' que vira 'ss'. Carinho vem de careca. Carrinho vem de carro. O resto é só memorizar o sentido: Carinho é afeto, atenção, delicadeza. Quando você faz algo com cuidado por alguém, está demonstrando carinho. "Ela me disse isso com carinho." Carrinho é um carro pequeno, um acessório de supermercado, ou uma ferramenta de e-commerce.
O que mais confunde as pessoas é o plural. Carinhos e carrinhos têm a mesma terminação. Na fala isso não ajuda muito, porque a diferença só aparece na escrita mesmo.
A regra prática que eu uso
Em vez de tentar decorar definições longas, eu faço um teste rápido. Substituo a palavra por "amor" ou "atenção". Se fizer sentido, é carinho. Substituo por "veículo" ou "carrinho de supermercado". Se encaixar, aí é carrinho. Exemplo prático: "Ele tratava a planta com muito carinho." Testando com "amor": funciona. Não dá pra testar com "veículo", então a palavra certa é carinho mesmo.
Já em "Coloquei os produtos no carrinho", o teste com "veículo" não funciona, mas a imagem mental do carrinho de supermercado aparece imediatamente. Aí você sabe que é carrinho.
O erro que eu cometi e que você provavelmente também vai cometer
Uma vez eu escrevi num email profissional: "Tenho carinho em trabalhar com vocês". Eu queria dizer dedicação, mas a frase soou estranha depois que li. O correto era "Tenho carinho por quem trabalho" ou, melhor ainda, "Tenho apreço por vocês". O problema não era carinho vs carrinho, mas a preposição. Aí veio outro erro meu, bem mais grave: "O cliente adicionou o item no carrinho de compras". Tudo certo. Até que eu passei o texto num corrector automático e ele marcou erro. Por quê? Porque eu tinha escrito "carinho de compras" em outro trecho do mesmo documento, trocando letras sem perceber. Esse tipo de erro de tecla é normal quando estamos digitando rápido.
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A solução que eu adotei foi simples: revisar sempre com a voz. Falar o texto em voz alta ajuda a perceber quando alguma palavra não combina com o contexto. "Carinho de compras" soa errado porque carinho é sentimento, não um objeto físico. Já "carrinho de compras" faz sentido porque é um veículo virtual.
O caso dos diminutivos
Aqui mora o maior perigo. Palavras como "menininho", "animalzinho", "carrosselzinho" geram dúvidas. O sufixo -zinho não existe em português da forma como muitos imaginam. Ele vem do latim -cinus, e a evolução fonética explica por que algumas palavras ganham -zinho e outras não. Quando queremos criar um diminutivo de carinho, não fazemos "carinhinho". Isso não existe. O diminutivo de carinho seria, no máximo, "carinhinho" em gíria ou linguagem coloquial, mas na norma culta isso é errado. Já carrinho já é, por si só, um diminutivo de carro. Então "carrinho" já carrega o sentido de pequeno por padrão.
Outro ponto que muitas pessoas ignoram: a sílaba tônica. Carinho é paroxítona (car-INHO). Carrinho também é paroxítona (car-RINHO). A diferença está na consoante do meio. 'S' simples gera som de 'z' entre vogais. 'SS' gera som de 's' surdo. Essa é a dica fonética mais confiável que eu conheço.
Alternativa quando estiver inseguro
Se você não tem certeza absoluta e precisa escrever rápido, troque por sinônimos. Em vez de usar carinho, escreva "afeto", "delicadeza", "atenção". Em vez de carrinho, use "carrinho de compras" já deixa claro que é um veículo, ou "cesta de compras" se o contexto for e-commerce. Essa tática economiza tempo e evita erros. O único contra é que o texto pode ficar um pouco mais repetitivo se você for além do necessário. Mas prefiro repetição a erro de ortografia.
Um exemplo que eu gosto de dar em sala de aula
"Minha avó fazia carinho no meu cabelo enquanto eu ouvia histórias." Claramente carinho, porque não tem nada a ver com veículos. Agora: "O carrinho da minha filha é vermelho." Aqui é carrinho porque se refere a um brinquedo que simula um veículo. A imagem mental resolve. Outro caso: "Ela ganhou um carrinho de brinquedo." Pode ser tanto um carrinho de supermercado miniatura quanto um carrinho de crianças. O contexto determina, mas a grafia permanece a mesma: carrinho com SS.
Se ainda restar dúvida, consulte o dicionário. O Aurélio, o Houaiss ou qualquer dicionário online confiável vão mostrar a grafia correta. Mas o ideal é treinar até a diferença se tornar automática.