O que acontece dentro de "cenoura"
Vamos direto. A palavra cenoura se divide em sílabas assim: ce-no-u-ra. O ponto importante é que o "ou" fica todo dentro de uma única sílaba (a sílaba "ou"), o que significa que se trata de um ditongo. Mais especificamente, um ditongo crescente, porque a vogal aberta (o) segue para uma vogal mais fechada (u).
cenoura é ditongo tritongo ou hiato
A resposta direta é: é ditongo. Nenhuma das outras duas opções se aplica aqui. Agora, vou explicar por que as pessoas tropeçam nisso. Muita gente divide erroneamente como ce-no-ou-ra, achando que o "ou" formaria um hiato com outra vogal vizinha. Mas não tem vogal alguma colando do outro lado. O "ou" é uma unidade fônica isolada, cercada por consoantes (o "n" antes e o "r" depois). Isso é a definição clássica de ditongo: duas vogais na mesma sílaba, sem separação silábica entre elas.
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Um tritongo exigiria três vogais na mesma sílaba, algo como "ua-ua", que é extremamente raro em português. Cenoura não tem sequer três vogais sozinhas na palavra toda, então tritongo cai fora imediatamente. Hiato seria se tivéssemos duas vogais seguidas em sílabas diferentes, tipo "sa-ú-de". O "a" e o "u" estariam em núcleos silábicos distintos. Em "cenoura", o "o" e o "u" compartilham o mesmo núcleo. Não há hiato.
Na prática, quando eu reviso textos ou corrijo pronúncia, o erro mais comum não é em "cenoura" — essa palavra é tranquila — mas em casos ambíguos como "pe-ú-to" versus "peu", onde o ditongo e o hiato parecem idênticos na escrita. Aí o contexto é tudo. Sem o contexto, você não sabe ao certo se a palavra foi projetada para ter o "u" separando sílabas ou colado na vogal anterior. Um detalhe que quase ninguém menciona: em variedades do português brasileiro, especialmente no sotaque paulistano, o ditongo "ou" tende a ser realizado como uma vogal nasalada e alongada na fala rápida, quase como um monoftongo [o]. Isso pode confundir quem tá tentando segmentar sílabas de ouvido, porque o "u" praticamente some na pronúncia coloquial. Na hora de analisar a estrutura fonológica, isso não muda nada — o ditongo existe na camada subjacente mesmo que na fala ele se desgaste. Só é bom saber disso se você trabalha com transcrição fonética ou análise acústica, caso contrário passa anos se perguntando por que a divisão silábica não bate com o que ouve no dia a dia.
Se a dúvida veio por questão de prova ou trabalho escolar, a resposta é ditongo. Se veio por alguma questão de pronúncia ou divisão que não faz sentido pra você, provavelmente é o caso do desgaste falado que citei acima — a estrutura teórica permanece a mesma.