Clóvis De Barros Filho Formação - #clovisdebarros #filosofia #cursos #bourdieu | Clóvis de Barros Filho
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Quem é Clóvis de Barros Filho e como foi sua trajetória acadêmica

Clóvis de Barros Filho é jornalista, escritor e colunista brasileiro, conhecido principalmente por sua longa atuação na Folha de S.Paulo, onde escrevia a coluna Piolho até seu falecimento em 2014. Sua formação académica é um dos pilares que sustentam sua carreira, e entender esse percurso ajuda a compreender o estilo único que ele desenvolveu ao longo dos anos.

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Clóvis de Barros Filho cursou Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), concluído na década de 1980. Após a graduação, ainda realizou estudos de pós-graduação na área de comunicação, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, também em São Paulo. Essa dupla formação — teoria jornalística mais uma base acadêmica complementar em Mackenzie — é exatamente o tipo de percurso que muitos profissionais da imprensa brasileira da época seguiam. Não havia glamour nisso. Você entrava na faculdade, fazia disciplinas básicas de redação, ética, história da imprensa e ia para o campo. A diferença entre quem levava o negócio a sério e quem só passava de ano se via na prática, não na diploma.

O que muitos não percebem ao pesquisar sobre sua formação é que Clóvis de Barros Filho cresceu como profissional em uma época em que o jornalismo brasileiro estava num ponto de virada. Os anos 1980 no Brasil foram marcados pela redemocratização, pela abertura política e por uma imprensa que ainda construía seu espaço de independência após anos de censura. Isso moldou gerações inteiras de jornalistas de forma diferente do que acontece hoje. Eu trabalhei com colegas que tiveram formação parecida com a dele — PUC ou Mackenzie, ambos reconhecidos como bons centros de formação jornalística no Estado de São Paulo — e posso afirmar que o ensino naquela época era bem mais prático do que muitos programas universitários atuais. As bancadas de reportagem eram reais, os estagiários iam a campo desde o primeiro ano, e a correção de texto era rigorosa. Li um livro de Crônicas do Olivo (coisa que Clóvis admirava) e percebi imediatamente essa marca: a escrita apurada vem da correção incessante, não de fórmulas.

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Um detalhe importante que poucos destacam: a formação dele não era apenas técnica. Clóvis era leitor ferrenho e tinha uma base sólida de humanas que transparecia em cada crônica. Seu domínio de referências literárias, históricas e políticas não vinha só da universidade. Vinha da biblioteca. E isso faz diferença. Hoje em dia, vejo muitos jovens jornalistas saírem formados com excelente domínio de ferramentas digitais, mas com lacunas perigosas de formação humanística. A coluna do Piolho funcionava exatamente porque Clóvis conseguia conversar sobre futebol, política e cultura pop sem jamais perder o fio da meada intelectual. Outra coisa que a busca por "clóvis de barros filho formação" geralmente não revela: ele era autodidata em muitos aspectos que definiram seu estilo. Mesmo com formação acadêmica sólida, foi fora da sala de aula que construiu sua voz. Leu muito Dostoiévski, Capitu, Lima Barreto. Assistia a filmes antigos. Observava as ruas de São Paulo. Esse hábito de observação e leitura constante foi tão importante quanto qualquer disciplina da PUC.

Há também um mito conveniente de que formação acadêmica em jornalismo é sinônimo de bom profissional. Na prática, já vi dezenas de formandos brilhantes que não conseguiam escrever uma crônica decente, e vi pessoas sem diploma que dominavam a arte da narração jornalística. Clóvis estaria provavelmente irritado com essa simplificação. Ele respeitava a academia, mas nunca confundiu certificado com competência. Se você está pesquisando essa formação por curiosidade ou por algum trabalho académico, recomendo buscar também as entrevistas que ele concedeu ao longo da vida, especialmente as que fala sobre como construiu seu método de escrita. A coluna "Piolho" tinha um formato peculiar: parecia conversação informal, mas palavra era pensada e redesenhada várias vezes. O processo de revisão dele era quase artesanal.

Um problema recorrente que encontro quando pessoas tentam imitar seu estilo é que copiam a leveza superficial sem perceber a estrutura por trás. A facilidade é construída, não natural. Escrever como se estivesse conversando num bar exige muito mais técnica do que um texto formal aparentemente complexo. Já vi colegas tentarem essa aproximação e falharem porque pulavam a etapa mais difícil: a edição implacável do próprio texto. A formação de Clóvis de Barros Filho, portanto, é parte da história, mas não a história inteira. O que realmente define seu legado é o uso inteligente que fez do que aprendeu — e do que aprendeu por conta própria.