Como Começar A Redação Do Enem - Como Começar Uma Redação Do Enem - FDPLEARN
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O problema que todo mundo subestima

A maioria dos estudantes leva vinte minutos tentando pensar no tema antes de escrever uma linha. O resultado é pânico no final, argumento meia-boca e nota abaixo de setenta. Isso acontece porque a abordagem tradicional de "esperar a inspiração" não funciona sob pressão real de duas horas com quatro textuais de apoio. Achei isso óbvio só depois de corrigir centenas de redações e ver sempre o mesmo padrão: começam falando do assunto geral quando o tema é específico. O ENEM cobra argumentação sobre uma problemática concreta, não uma exposição de ideias soltas. Meu primeiro erro grave como corretor foi dar peso demais à beleza da frase de abertura e pouco à coerência da tese. Aprendi rápido.

como começar a redação do enem na prática

O primeiro passo é ler os textos motivadores com caneta na mão e sublinhar apenas fatos, dados e argumentos, nunca opiniões. Você tem cerca de quinze a vinte minutos para isso. Se passar disso, já está gastando tempo demais na fase de compreensão. Depois da leitura, escreva em um rascunho rápido, numa única frase, qual é a tese central que você vai defender. Ela precisa conter dois elementos: o problema identificado e a linha de argumentação que você seguirá. Sem essa definição prévia, o texto desanda na introdução ou no desenvolvimento.

Eu tive um caso específico com uma redação sobre intervenções ambientais no semiárido nordestino. O candidato leu os textos, viu a seca, e escreveu uma introdução bonita sobre a beleza da caatinga. Tese? Inexistente. Argumentação? Deslocada. A correção caiu em "desvirtuamento do tema". O que eu ensinei para quem queria melhorar foi simples: anote antes de estruturar, do tipo "o problema X acontece porque Y, e a solução passa por Z". Essa tríade vira esqueleto do texto todo.

Estrutura mínima que funciona

A introdução do ENEM não precisa ser longa. Um parágrafo de cinco a oito linhas, apresentando o tema, delimitando o problema e antecipando os dois argumentos do corpo, é suficiente. Muitos estudantes enchem linguiça com citações de filósofos que nada têm a ver com o assunto. Isso não pontua. Pode até tirar pontos na competência de repertório sociocultural. Os desenvolvimento são dois parágrafos, cada um dedicado a um argumento. A regra prática é simples:topic sentence, explicação, exemplo concreto, fechamento da ideia. Se faltar o exemplo, o argumento fica genérico e a nota cai na competência 3. Se faltar o fechamento, o parágrafo parece abandonado e a coesão sofre.

Uma informação pouco divulgada: o ENEM valoriza dados concretos mais do que generalizações. Frases como "muitas pessoas acreditam" ou "é sabido que" não sustentam argumentação. Use números, políticas públicas específicas, estudos reconhecidos. Se não lembrar de dados exatos, cite instituições ou leis sem inventar números, porque dados errados puxam a nota do repertório para baixo. Na conclusão, a proposta de intervenção deve conter cinco elementos cobrados pela banca: agente, ação, meio/modo, efeito e detalhamento. É isso mesmo. Agentes são os responsáveis pela execução, como governo federal, prefeituras, ONGs, escolas. Ação é o verbo no infinitivo que indica o que será feito. Meio/modo explica como. Efeito mostra o resultado esperado. Detalhamento é a especificação de qualquer um desses itens. Falta um só, e a competência 5 perde pontos consideráveis.

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Erros que aparecem todo ano

O mais frequente é a proposta de intervenção genérica. "O governo deve tomar medidas" não diz nada. Qual governo? Que medidas? Quem fiscaliza? Essas perguntas precisam ter resposta no texto. Quando o corretor lê "a sociedade deve colaborar", já sabe que o candidato não pensou fino. Outro erro crônico é o uso de conectivos mecânicos sem relação lógica. "Portanto" usado para listar, "contudo" para continuar a ideia, "ademais" para contra-argumentar. Isso quebra a coesão e a banca percebe. O conectivo precisa refletir a relação real entre as ideias: oposição, conclusão, adição, causa.

Também vejo repetição excessiva de palavras. O candidato usa "problema" cinco vezes no mesmo parágrafo e não encontra sinônimos. Recomendo um vocabulário básico de substituição: questão, obstáculo, entrave, dificuldade, problema estrutural. Não precisa ser sofistico, só variado.

Um detalhe que muda a pontuação

A coesão textual não se resume a conectivos. A progressão temática precisa ser clara: cada parágrafo deve avançar o raciocínio, nunca repetir o que já foi dito. Um sinal de alerta é quando o segundo parágrafo de desenvolvimento fala da mesma coisa que o primeiro, só que com palavras diferentes. Isso é preenchimento, não argumentação. Outro ponto técnico: a norma culta não exige perfeição absoluta, mas desvios frequentes de concordância, regência ou ortografia puxam a competência 4 para baixo. Se você não tem certeza sobre algo, simplifique. Frases curtas e corretas valem mais do que frases longas com erros.

O que fazer nos primeiros dez minutos

Leia os textos motivadores. Sublinhe ideias-chave. Anote possíveis argumentos. Defina a tese. Esboce a introdução e os dois parágrafos de desenvolvimento no papel de rascunho. Tudo isso em dez a doze minutos. Se levar mais, sobra pouco tempo para escrever com calma. Escreva a primeira versão de cabeça levantada, mas com o esqueleto à frente. Não volte corrigindo frases enquanto escreve. O revesamento é inimigo do tempo. Corrija só se o erro atrapalhar a compreensão imediata.

No final, reserve cinco minutos para reler e verificar se a proposta de intervenção tem os cinco elementos exigidos. Esse check final costuma recuperar pontos que o cansaço fez perder na pressa.

Uma alternativa quando o tempo aperta

Se você está num dia de prova e percebe que vai ficar curto, aborte a ambição de uma introdução elaborada. Comece direto com a tese. Desenvolvimento e conclusão com clareza valem mais do que uma abertura florida e um fechamento improvisado. O ENEM avalia o todo, não a parte mais bonita. Eu já vi corretores darem nota alta para textos com introdução simples mas com argumentação sólida e intervenção detalhada. A estrutura mínima que funciona não precisa de ornamentos. Precisa de clareza.