O problema com conclusões de redação
A maioria dos alunos escreve a conclusão como se precisasse resolver um caso policial ou encerrar um discurso político. Isso não funciona. A conclusão existe para uma coisa só: fechar o argumento que você abriu na introdução, sem apresentar informações novas. Se você acha que precisa de algo mais elaborado, na prática está apenas gastando tempo e risco de errar. Já vi corrigidores de redação (ENEM, vestibulares, concursos) receberem textos com conclusões de página inteira, repetindo argumentos já dito três vezes de formas diferentes. O resultado é sempre o mesmo: a nota cai porque a redundância demonstra falta de controle do texto, não domínio dele.
Como fazer uma conclusão de redação de verdade
Aqui está o método que eu uso quando preciso avaliar ou um texto rápido. Comece pela estrutura básica, que funciona para a esmagadora maioria dos casos: Primeiro, releia a tese da sua introdução. Anote-a em uma frase. Essa será sua bússola.
Segundo, liste os dois ou três argumentos principais que desenvolveu nos parágrafos do corpo. Apenas os substantivos, sem explicações. Três no máximo. Quatro ou mais já indica que você não sabe o que priorizar. Terceiro, escreva uma síntese que reúna tese + argumentos em um único parágrafo. Não resolva o problema. Não proponha intervenção. Não faça perguntas retóricas. Apenas confirme que o argumento foi sustentado.
Quarto, revise. Leia o parágrafo sozinho. Se der para substituir três palavras por sinônimos sem mudar o sentido, talvez você esteja sendo redundant. Corte. Na prática, esse processo leva entre 3 e 5 minutos em textos bem estruturados. Em textos mal estruturados, pode levar 20 minutos ou mais, porque você vai tentar consertar erros de outra hora enquanto fecha o texto. Evite isso trabalhando a introdução e o desenvolvimento primeiro.
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O erro que quase ninguém menciona
O problema mais comum não é escrever pouco. É escrever demais no desenvolvimento e sobrar espaço para uma conclusão mal resolvida. Quando isso acontece, o aluno tenta "salvar" o texto na última linha, criando um parágrafo de 8 a 10 linhas que repete tudo. Isso se chama conclusão de amortecimento, e ela piora a nota porque mostra desorganização cognitiva, não falta de conteúdo. Uma coisa contra-intuitiva: às vezes, uma conclusão de duas linhas é melhor do que uma de cinco. Isso é especialmente verdadeiro em provas cronometradas como o ENEM, onde o tempo de redação gira em torno de 30 a 40 minutos para todo o texto. Gostar de ficar refazendo a conclusão durante os últimos minutos é um sintoma de ansiedade, não de perfeccionismo. Anotar o tempo limite de cada parte antes de começar ajuda muito.
Um caso específico que enfrentei
Há algum tempo, estava avaliando redações de um concurso público e me deparei com um candidato que escreveu uma conclusão propondo uma solução detalhada para um problema que ele nunca tinha desenvolvido no corpo do texto. A proposta era coerente, bem escrita, gramaticalmente impecável. Mesmo assim, a nota caiu porque a conclusão fugia do escopo argumentativo estabelecido. O candidato tinha confuso conclusão com proposta de intervenção, que é um elemento específico de certos tipos de texto, não de redação dissertativa padrão. A solução que adotei momento foi simples: pedir para o candidato reler o parágrafo final antes de considerá-lo fechado e verificar se cada afirmação ali já havia sido sustentada nos parágrafos anteriores. Se não, cortar ou recolocar no lugar certo. Esse processo reduziu significativamente os erros do tipo "conclusão surpresa" em turmas subsequentes.
Alternativas quando a estrutura padrão não funciona
Em alguns gêneros textuais, como artigos de opinião ou crônicas argumentativas, a conclusão pode seguir regras diferentes. Em redações acadêmicas, a conclusão precisa incluir Limitações do estudo e Perspectivas futuras. Em textos jornalísticos, muitas vezes a "conclusão" é apenas um fechamento natural sem síntese explícita. Se o seu texto é do tipo dissertativo-argumentativo padrão (o mais comum em provas), a estrutura de três frases — tese revisitada, síntese dos argumentos, fechamento — é suficiente e segura. Tentar inovar nesse formato raramente traz benefício e frequentemente gera penalização.
Para redações que exigem proposta de intervenção, como no ENEM, a conclusão deve incluir medidas concretas, agentes, meios e fins, tudo em no máximo quatro linhas. Mais do que isso invade o espaço do desenvolvimento e indica que o candidato não soube distribuir o conteúdo adequadamente. O que funciona na prática é treinar a estrutura até ela se tornar automática. Leva cerca de duas semanas de exercícios diários com cronômetro para que o cérebro pare de lutar contra o formato e passe a tratá-lo como um procedimentoroutine. Depois disso, o tempo de conclusão tende a estabilizar entre 4 e 6 minutos por texto de 30 linhas.