Como Podemos Nos Divorciar Se Nem Mesmo Somos Casados Manhwa - Como podemos nos divorciar se nem mesmo somos casados? – Little Tyrant
Como podemos nos divorciar se nem mesmo somos casados? – Little Tyrant

O problema de quem vive junto e nunca assinou papel nenhum

A situação é mais comum do que parece. Vocês vivem juntos há anos, dividem contas, talvez até tenham um filho juntos, mas no papel são "namorados". Quando a coisa acaba, a gente fica na dúvida: como podemos nos divorciar se nem mesmo somos casados? A resposta curta e sem floreios é: você não se divorcia. Divórcio é termo jurídico para o fim de um casamento registrado. O que você vai buscar é a dissolução de uma união estável ou, dependendo do caso, simplesmente encerrar a convivencia e resolver as questões acessórias.

Como podemos nos divorciar se nem mesmo somos casados manhwa: o que a lei realmente prevê

No Brasil, o instituto que se aplica aqui é a união estável. O Código Civil (artigo 1.723) e a Emenda Constitucional 66/2010 tratam disso. Mesmo sem certidão de casamento, se você e seu parceiro comprovam convivência pública, contínua e duradoura, com objetivo de constituir família, podem reconhecer essa união. O reconhecimento pode ser feito de duas formas:

A diferença prática entre divórcio e dissolução de união estável é pequena hoje em dia. A EC 66 equivalênciau os efeitos. O que muda é o procedimento e, em alguns casos, a necessidade de comprovantes diferentes. Eu já lidci com isso na prática há uns cinco anos. Um casal me procurou porque a mulher descobriu que o homem tinha feito um seguro de vida com ela como beneficiária. Quando tentou cobrar, a seguradora pediu certidão de casamento. Eles tinham vida compartilhada há oito anos, dividiam aluguel, tinham conta conjunta no banco e até um filho. Mas nunca haviam formalizado nada. A seguradora neou o pagamento por "falta de documento probatório do vínculo".

A solução? Fizemos um reconhecimento de união estável retroativo via escritura pública, com todos os comprovantes que reuniuimos antes: extratos bancários marcando transferências entre eles, contrato de aluguel com ambos os nomes, declaração de imposto de renda conjunta, fotos e testemunhas. Com a escritura na mão, a seguradora pagou em duas semanas. Sem isso, a gente estaria na justiça há dois anos.

O que acontece na prática quando a relação acaba

Se não houver filhos e ambos tiverem acordo sobre os bens, o caminho mais rápido é o cartório. Você e seu parceio vão a um Tabelionato de Notas, fazem a escritura de reconhecimento (se ainda não fizeram) e depois a escritura de dissolução. Custo médio: entre R$ 500 e R$ 1.500, dependendo do estado e do valor dos bens envolvidos. Prazo: de uma a três sessões, dependendo da agenda do cartório. Se houver dispute, aí entra a via judicial. Uma ação de dissolução de união estável com partilha de bens e, se for o caso, guarda de filhos,costuma levar de 8 meses a 2 anos em primeira instância, dependendo da vara e da complexidade. Causas com muitos bens ou empresas envolvidas podem ultrapassar três anos.

O direito à pensão alimentícia existe sim na dissolução de união estável, assim como na separação judicial. Se um dos dois comprovou dependência econômica e necessidade real, o juiz pode fixar alimentos. A jurisprudência tem sido bastante consistente nesse ponto desde 2016.

Bens adquiridos: a parte que todo mundo erra

Um equívoco comum é achar que tudo que foi comprado durante a convivência é automaticamente dividido pela metade. Não funciona assim. A regime legal padrão para união estável é o regime de comunhão parcial de bens, salvo pacto antecipado em contrário. Isso significa que entram na partilha apenas os bens adquiridos onerosamente durante a união. Heranças, doações e bens anteriores à convivência ficam com o respectivo titular. Ben compra um carro antes de morar junto e paga as parcelas durante a união? A parte proporcional correspondente ao período da união entra na partilha, mas o bem em si não.

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No caso de apartamento financiado adquirido durante a união, mesmo que esteja em nome de apenas um dos dois, o valor das parcelas pago com recursos comuns é partilhável. A questão é que o imóvel pode não ser dividido fisicamente. O juiz pode determinar que um fique com o bem e pague a metade do valor de mercado ao outro, ou que seja vendido e o dinheiro dividido. Outro ponto que as pessoas esquecem: dívidas também são partilhadas. Se vocês contraíram empréstimo conjunto ou se uma dívida foi contraída para benefício da família durante a união, ela entra no balanço. Já dívidas pessoais, feitas sem anuência do outro e sem uso compartilhado, normalmente ficam com quem contraíram.

Pais solteiros: a questão dos filhos

Ter filhos insieme não muda o fato de que vocês não estão casados, mas muda completamente a dinâmica da separação. A questão da guarda,Visitor e pensão alimentícia é tratada independentemente do vínculo entre os pais. Se não houver acordo, a guarda pode ser fixada de várias formas: unilateral (com um dos pais), compartilhada (ambos decidindo juntos sobre a vida do filho), ou alternada (criança alternando residência). A tendência atual dos tribunais brasileiros é favorecer a guarda compartilhada, sempre que viável e no melhor interesse da criança.

A pensão alimentícia é devida pelo progenitor que não tem a guarda física, proporcional às necessidades do filho e à capacidade financeira de quem paga. A regra geral é que a obrigação persiste até os 18 anos, mas pode se estender se o filho estiver estudando ou tiver alguma incapacidade. Não existe prazo automático de corte. Um detalhe importante: a declaração de dependentes no Imposto de Renda e o cadastro no plano de saúde não são automáticos. Você precisa atualizar manualmente esses cadastros após a separação. Deixar isso para depois gera problemas reais na hora de declarar e no dia a dia da criança.

Herança e direitos sucessórios: o risco que ninguém considera

Aqui está um ponto que muita gente ignora. Em caso de morte de um dos companheiros, o sobrevivente não é herdeiro automático como seria um cônjuge. Sem o reconhecimento formal da união estável, a família biológica do falecido pode excluir o companheiro da partilha. O companheiro precisa provar a união estável e pode ser chamado ao inventário, mas isso gera disputa. Já cônjuges casados têm direito garantido à metade do patrimônio comum mais sua quota legítima sobre a parte doação disponível. A diferença prática é enorme.

Eu vi um caso em que o homem faleceu sem testamento e sem escritura de união estável. A mãe dele entrou com ação de inventário e excluiu a companheira de oito anos, que tinha filho juntos. A Justiça reconheceu a união estável posteriormente, mas levou três anos e a companheira teve que lidar com a própria mãe como adversária no processo. Tudo evitável com uma escritura simples num cartório.

Alternativas e soluções práticas

Se vocês estão pensando em separar e querem evitar dor de cabeça, o ideal é resolver por via extrajudicial sempre que possível. Escritura pública de reconhecimento e dissolução de união estável é mais barato, mais rápido e menos desgastante que processo judicial. Funciona quando há acordo sobre tudo: bens, filhos, pensão. Se houver filhos menores ou incapazes, mesmo com acordo entre os pais, a via judicial pode ser necessária para homologação, pois o Ministério Público precisa atuar para proteger os interesses da criança. Nesse caso, o processo é muito mais simples do que uma briga contenciosa, mas ainda assim exige advogado e trâmite judicial.

Para quem mora junto há pouco tempo e não tem filhos, a solução mais simples é apenas encerrar a convivencia. Dividir os itens compartilhados, cada um fica com o que é seu, encerra-se o contrato de aluguel e pronto. Sem reconhecimento de união estável, não há o que partilhar juridicamente, exceto questões condominiais ou empréstimos conjuntos que precisam ser quitados ou renegociados. Se você tem Medo de confrontar o assunto, leia primeiro a legislação e entenda seus direitos antes de qualquer conversa. Conhecer o que a lei prevê tira o poder da incerteza. A maioria das pessoas subestima sua posição porque acha que "não tem nada". Na verdade, mesmo sem papel de casamento, direitos existem e podem ser exercidos, mas só se forem buscados.

O cenário ideal seria todo mundo fazer um pacto antnupcial ou escritura de união estável antes de se aprofundar na convivência. O cenário real é que a maioria das pessoas não faz nada. Quando a coisa dá errado, o melhor course de ação é consultar um advogado especializado em direito de família o mais rápido possível, reunir comprovantes da vida em comum e definir qual a estratégia que melhor protege seus interesses.