A ortografia correta
A forma normativa estabelecida pelo Acordo Ortográfico de 1990 é e-mail, com hífen e sem acento. A grafia isolada email, colada, também é amplamente aceita no uso cotidiano, especialmente em contextos técnicos e digitais. A questão não é tão simples quanto parece.
Como se escreve e mail ou e mail
Se você está procurando a resposta exata para preencher um formulário ou seguir uma norma, o certo é e-mail. A palavra original em inglês já traz o hífen como marca gráfica. Quando aportuguesamos, mantivemos essa característica. O Ciberdúvidas e a Porto Editora listam ambas as formas, mas colocam e-mail como a variante preferencial no português europeu contemporâneo. No Brasil, a coisa é um pouco mais solta. Você vai ver email em praticamente todo site, todo aplicativo, toda comunicação institucional. O senso comum venceu aqui. A forma colada tornou-se dominante no uso digital brasileiro.
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Eu trabalhei anos com localização de conteúdo para múltiplos mercados lusófonos e, para ser honesto, passei mais tempo discutindo isso do que resolvendo problemas reais. Num projeto para uma instituição financeira portuguesa, a equipe de revisão rejeitou duas vezes um documento porque eu havia usado email em vez de e-mail. Dois dias gastos em discussão sobre um hífen. No fim, aceitaram a versão mista porque o glossário da empresa permitia ambas. Não é um problema sério, mas é o tipo de detalhe que estagna revisões. O ponto que ninguém menciona muito: o hífen nessa palavra é puramente gráfico, não fonético. Não muda a pronúncia em nenhuma variedade do português. As pessoas falam "i-meil" ou "méil" independentemente de escreverem com ou sem hífen. Isso significa que, do ponto de vista da compreensão, a diferença é irrelevante. O conflito é inteiramente prescritivo.
Existe ainda uma terceira forma, menos comum: e-correio. É uma sugerência das autoridades linguísticas para substituir o estrangeirismo. Raramente se vê na prática. Ninguém usa. É equivalente a dizer "computador" quando todo mundo fala "micro". Funciona na teoria, morre no uso real. Para fins práticos, aqui vai o resumo direto: e-mail é a forma culta e normativa. email é a forma que realmente domina o dia a dia, especialmente no Brasil. Se estiver escrevendo algo formal, acadêmico ou destinado a Portugal, use e-mail. Se estiver num contexto informal, técnico ou brasileiro, email não vai causar problema nenhum para ninguém. O importante é ser consistente dentro do mesmo texto. Nada pior do que ver uma página com "envie seu e-mail" e depois "acesso ao email" na mesma frase. Isso denuncia falta de revisão, não ignorância ortográfica.
Se precisar consultar a norma, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras já registra e-mail como forma aceita desde a atualização de 2009. A versão online é gratuita e atualizada periodicamente. Não há motivo para não verificar antes de publicar algo que tenha circulação pública.