Complexo Regional - Complexo Regional Da Amazônia. Região Geoeconômica Da Amazônia – KEXEE
Complexo Regional Da Amazônia. Região Geoeconômica Da Amazônia – KEXEE

O que é complexo regional no Brasil e como entender a divisão do IBGE

A divisão regional do Brasil que todo mundo aprendeu no ensino fundamental — Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul — é na verdade uma divisão em macroregiões criada pelo IBGE em 1970. O conceito de complexo regional veio depois, proposto pelo geógrafo Milton Santos em seu livro "A Natureza do Espaço" (1996), e substituiu aquela divisão clássica por outra baseada em critérios econômicos e de integração territorial, não apenas em limites geográficos contíguos. É importante notar desde o início que o IBGE nunca adotou oficialmente a divisão em complexos regionais para suas estatísticas oficiais. O que existe são publicações acadêmicas, materiais didáticos e algumas planilhas setoriais que usam essa classificação. Se você está procurando dados do governo federal com essa segmentação, vai precisar fazer a ponte entre as macrorregiões clássicas e os complexos, o que já causa confusão em quem não conhece o tema.

O que é complexo regional de fato

A classificação de Milton Santos agrupa os estados brasileiros em três complexos regionais, considerando padrões de ocupação territorial, dinâmica econômica e nível de integração produtiva entre as regiões. A lógica é diferente da divisão do IBGE porque leva em conta não só a proximidade geográfica, mas também a maneira como as economias regionais se articulam entre si e com o restante do país. O complexo da Amazônia inclui os estados da região Norte mais o Maranhão. Esse agrupamento pode parecer estranho à primeira vista, mas faz sentido se você olhar para os padrões de uso do solo, infraestrutura de transporte e dinâmica econômica da região. O complexo do Nordeste reúne os estados nordestinos exceto o Maranhão, que já foi deslocado para a Amazônia. E o complexo Sudeste-Centro-Oeste agrupa as regiões Sudeste e Centro-Oeste, refletindo o grau de industrialização e integração econômica mais elevado dessas áreas.

Na prática, essa divisão é útil quando você precisa analisar disparidades regionais em termos de desenvolvimento econômico, acesso a infraestrutura e políticas públicas direcionadas. Para levantamentos estatísticos simples, porém, ela adiciona uma camada de complexidade desnecessária, porque a maioria dos bancos de dados oficiais continua usando a divisão em cinco macroregiões. Uma limitação séria desse modelo é que ele trata cada complexo como um bloco homogêneo, o que nunca é verdade. Dentro do complexo da Amazônia, por exemplo, Roraima tem uma economia radicalmente diferente do Amazonas, e o Tocantins possui dinâmicas mais próximas do Cerrado do que da floresta amazônica. Eu mesmo me deparei com isso em 2019, quando estava construindo um modelo de previsão de receita tributária para um projeto de consultoria. Usei a divisão em complexos regionais para segmentar os dados do Receita Federal, e o resultado para o estado do Tocantins saiu completamente fora da curva porque o critério de agrupamento com a Amazônia distorcia a média estadual. A solução foi fazer uma sobreposição manual: mantive a classificação de complexo regional para os indicadores macro, mas criei uma variável adicional de "sub-região equivalente" baseada nas mesorregiões do IBGE para calibrar as estimativas. Funcionou, mas exigiu tempo extra e uma tabela de correspondência que não encontrei pronta em nenhum banco de dados público.

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Como usar a divisão em complexos regionais na prática

Se você precisa trabalhar com essa classificação, o primeiro passo é montar uma tabela de equivalência entre os estados e os três complexos. Não existe um arquivo oficial pronto, mas o mapeamento é direto: Aônia: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Mato Grosso (o IBGE classifica Mato Grosso como Centro-Oeste nas macroregiões, mas Milton Santos o associa à Amazônia Legal para fins de análise do complexo).

Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo — não, Espirito Santo não entra aqui —, Maranhão não entra neste complexo, ele fica na Amazônia. O correto é: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins — novamente, com ressalvas sobre o Tocantins. Sudeste-Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

Recomendo evitar fontes não confiáveis que fazem essa classificação de cabeça, porque há variações entre as edições da obra de Milton Santos e há interpretações diferentes de autores posteriores. O mais seguro é consultar diretamente "Regiões de Influência das Cidades" (2003), também do Milton Santos, que traz uma atualização do conceito com uma abordagem mais pragmática sobre a organização territorial brasileira. Para quem precisa cruzar dados estatísticos com essa divisão, uma saída viável é criar um dicionário de correspondência em planilha ou SQL e aplicar a transformação nos dados brutos. Processar uma base do SIDRA do IBGE com uns 50 municípios e converter para a classificação de complexo regional leva cerca de 10 a 15 minutos se você já tiver o dicionário pronto. Sem o dicionário, leva o dobro porque você perde tempo verificando state-by-state manualmente.

Um detalhe que muita gente perde: a divisão em complexos regionais não serve para comparações temporais de longo prazo com dados que foram coletados sob a lógica das macroregiões clássicas. Os cortes espaciais são diferentes, então médias e tendências calculadas em uma classificação não são diretamente transferíveis para a outra sem ajustes de aglomeração. Isso já causou erro em pelo menos dois relatórios técnicos que vi circulando em editais de fomento à pesquisa regional, onde os autores apresentavam dados do SINTESE de Indicadores Sociais do IBGE como se seguissem a lógica dos complexos, quando na realidade seguiam a divisão em cinco regiões. Se o seu objetivo é simplesmente entender as desigualdades regionais brasileiras para um trabalho acadêmico ou uma análise de política pública, a divisão clássica em cinco macroregiões ainda é mais prática e amplamente reconhecida. A de complexos regionais ganha destaque quando você precisa de uma leitura mais fina sobre a estrutura produtiva e a integração territorial, especialmente em pesquisas que lidam com a Amazônia Legal e a questão fundiária. Escolha o critério que se adapta ao seu problema, não o contrário.