Conectivos Para Usar Na Redação - 60 Conectivos Para Usar Na Redação (2026) | PDF
60 Conectivos Para Usar Na Redação (2026) | PDF

Conectivos na prática: o que funciona e o que quebra a argumentação

A maioria dos estudantes universitários e candidatos a concursos não domina conectivos porque aprendeu em lista decorada. Eu vi isso mil vezes em revisões de artigos acadêmicos e correções de redações nota zero. O problema não é não saber que "contudo" existe. O problema é achar que qualquer conectivo serve para qualquer contexto. Isso mata a coesão textual na hora. Vou ser direto. Não vou te dar uma tabela bonitinha com dez opções para cada função. Vou te explicar como escolher, onde erram e qual é a exceção que ninguém ensina.

Conectivos para usar na redação: escolha por lógica, não por aparência

Cada conectivo carrega uma relação lógica específica. Usar um que não corresponde à relação entre as ideias é erro grave de coesão. Não é questão de gosto, é questão de sentido. Os conectivos de adição e soma — e, também, bem como, além disso — servem para acumular informações que se reforçam. Se você está somando um argumento ao anterior, ok. Se está contrastando, não use "e". Já vi redação inteira perder ponto por causa de um "e" mal colocado no início de um parágrafo de oposição.

Os conectivos de oposição e contraste — mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto, embora, mesmo que, apesar de — exigem atenção especial porque têm graus de intensidade diferentes. "Mas" é direto, quase coloquial em alguns contextos. "Contudo" e "todavia" são mais formais e indicam oposição forte. "Embora" e "mesmo que" abrem concessão, não oposição pura. Confundir concessão com oposição é um erro comum que custa caro em avaliações formais. Aqui vai um caso real que me aconteceu recentemente. Estava revisando uma dissertação de mestrado de um aluno sobre políticas públicas. Ele usou "contudo" para introduzir um dado que na verdade confirmava a tese anterior, não a contradizia. A banca inteira ficou estranha. O texto parecia que o autor estava desistindo do próprio argumento no meio do caminho. Troquei o "contudo" por "aliás", ajustei a pontuação e o fluxo ficou coerente. O aluno não percebeu o erro porque para ele "contudo" era só uma palavra bonita de início de frase.

Os conectivos de causa e consequência — porque, pois, portanto, logo, assim, por isso, consequentemente — são os mais perigosos de usar com improviso. "Por isso" e "por isso que" são frequentemente usados de forma trocada. "Por isso" vem antes da consequência. "Por isso que" é redundante e considerado informal. "Pois" pode significar causa ou conclusão dependendo da posição na frase. Colocado no meio: "Faltou prazo, pois a data expirou" — aqui "pois" explica a causa. Colocado no início: "O prazo expirou, pois faltou antecedência" — aqui "pois" funciona como conclusão. A ambiguidade é real e os corretores percebem. Os conectivos de exemplificação e elucidation — por exemplo, isto é, ou seja, nomeadamente — servem para esclarecer, não para adicionar conteúdo novo. "Isto é" e "ou seja" indicam reescrita ou precisão do que foi dito antes. Usar "isto é" para introduzir algo diferente do que foi mencionado é erro conceitual. "Por exemplo" exige que o que segue seja efetivamente um exemplo do que foi afirmado. Já vi candidato usar "por exemplo" para listar dados estatísticos que não exemplificavam nada do parágrafo anterior.

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Os conectivos de conclusão e fechamento — logo, portanto, desse modo, em decorrência, em vista disso — precisam ter sustentação argumentativa anterior. Colocar "portanto" no final de um parágrafo que não construiu uma linha de raciocínio válida é preenchimento vazio. A banca identifica isso rapidamente. "Portanto" não é um botão de fim de texto. É um sinal de que uma inferência foi construída ao longo do parágrafo.

O erro mais frequente que ninguém menciona

O uso repetitivo do mesmo conectivo ao longo do texto. Não é sobre variedade estética. É sobre clareza. Se você usa "portanto" em todos os parágrafos de conclusão, o leitor para de reconhecer o padrão. A palavra perde valor informativo e vira ruído. O ideal é distribuir os conectivos conforme a função real de cada relação lógica, e repetir apenas quando a função for idêntica. Outro erro comum é o conectivo solto no início da frase sem relação com o parágrafo anterior. Isso cria a impressão de que o texto é uma sequência de frases independentes, não de argumentos encadeados. A coesão sequencial exige que cada conectivo faça ponte com o que veio antes e prepare o que vem depois. Sem essa dupla conexão, o conectivo é só um marcador vazio.

Quanto à quantidade, o recomendável em uma redação padrão de 25 a 30 linhas é usar entre seis e nove conectivos, distribuídos nos quatro tipos principais: adição, oposição, causalidade e conclusão. Mais que isso começa a sobrecarregar o texto. Menos que três geralmente indica falta de encadeamento argumentativo. Um detalhe técnico que poucos consideram: a posição do conectivo altera o sentido. "No entanto, o dado é claro" tem força diferente de "O dado é claro, no entanto". Na primeira, a oposição se aplica a todo o conjunto anterior. Na segunda, pode parecer que a concessão se limita ao sujeito da oração. Em textos formais, essa nuance importa.

O que não funciona e quando evitar

Evite conectivos informais como "daí", "ai", "tipo", "né", "cara" em qualquer modalidade formal de escrita. Eles destroem a credibilidade do texto imediatamente. Em redações acadêmicas e concursos, isso é eliminação direta em critérios de adequação registral. Evite também o uso de "portanto" como sinônimo de "então". São relações diferentes. "Então" pode indicar consequência imediata em uma cadeia lógica. "Portanto" indica conclusão de um raciocínio mais complexo. Confundi-los é sinal de que o autor não dominou a estrutura argumentativa, não apenas o vocabulário.

Se o seu texto não tem uma linha argumentativa construída com antecedência, nenhum conectivo vai salvá-lo. Conectivo sem argumento sólido atrás é ornamentação vazia. A prioridade deve ser sempre a qualidade do raciocínio, não a quantidade de palavras de ligação. Para praticar, pegue um texto bem estruturado — um editorial de jornal de qualidade ou um artigo acadêmico breve — e identifique todos os conectivos usados, anotando a função lógica de cada um. Depois, reescreva o mesmo texto substituindo os conectivos por outros da mesma categoria e observe como o sentido muda ou se mantém. Esse exercício leva cerca de vinte minutos e é mais eficaz do que decorar qualquer lista pronta.