Como usar conjunções de conclusão sem fazer o texto ficar pesado
A gente costuma achar que conjunções de conclusão são só "portanto" e "logo", mas na prática elas funcionam de um jeito bem mais sutil. Se você colocar uma a cada duas frases, o texto vira um documento jurídico. O ideal é usar no máximo uma a cada parágrafo, e só quando a relação de consequência realmente existe.
O que são conjuncoes de conclusao
Conjunções de conclusão são conectivos que encerram um raciocínio, indicando que o que foi dito antes leva a uma determinada conclusão. As principais são: portanto, logo, assim, por conseguinte, de modo que, visto isso, eis que, assim sendo. Cada uma tem um grau diferente de formalidade. "Portanto" e "logo" são os mais comuns. "Por conseguinte" é formal demais para a maioria dos contextos do dia a dia. "Assim" funciona bem em textos mais soltos. O erro mais comum que eu vejo é usar "portanto" como se fosse um sino de fim de parágrafo, independente de existir uma relação lógica real entre as orações. Aí o leitor trava. Ele lê, percebe que não tem conexão, e ignora o resto.
Eu tenho um exemplo bem específico disso. Antigamente eu trabalhava com relatórios técnicos e precisava traduzir documentos da engenharia civil. O problema é que em inglês, "therefore" aparece muito mais do que em português. Eu via frases como "The temperature dropped. Therefore, the concrete could not cure properly." Traduzindo palavra por palavra, ficava "A temperatura caiu. Portanto, o concreto não pode curar corretamente." Soava artificial. O que eu fiz foi trocar a estrutura inteira: "Como a temperatura havia caído, o concreto não consolidou como esperado." Em vez de forçar uma conjunção conclusiva onde o nativo usaria uma causal, eu simplesmente fundi as duas ideias numa só frase. Isso resolveu o problema sem precisar de mágica. O que a maioria dos materiais didáticos não ensina é que conjunções de conclusão e conjunções conclusivas não precisam obrigatoriamente vir no início da oração. Você pode posicionar o conectivo no meio, depois da vírgula, e o texto flui melhor. "O projeto está atrasado, portanto, precisamos revisar o cronograma" funciona, mas "O projeto está atrasado e, portanto, precisamos revisar o cronograma" soa mais natural porque o "e" prepara o terreno antes da conclusão.
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Outro ponto que passa despercebido: algumas dessas conjunções mudam de função dependendo do contexto. "De modo que" pode ser conclusivo ("Estudou muito, de modo que passou na prova") ou explicativo ("Estudou de modo que ninguém o incomodasse"). O significado depende do que vem antes, não apenas da presença da conjunção. Se você não ler a frase inteira antes de decidir o sentido, vai errar na interpretação. Para textos acadêmicos e formais, as opções mais seguras são "portanto", "logo" e "por conseguinte". Para e-mails, redações informais e comunicação cotidiana, "então", "assim" e "por isso" são mais adequados. "Por isso" é quase um camaleão — funciona em qualquer registro, mas por isso mesmo é genérico demais quando você precisa de precisão.
Se você está revisando um texto e quer saber se uma conjunção de conclusão está sendo usada corretamente, faça este teste simples: leia a parte antes da conjunção como premissa e a parte depois como consequência. Se a consequência não decorre logicamente da premissa, a conjunção está errada ou o argumento está fraco. Não adianta colar "portanto" em tudo. A lógica precisa existir por si só. Uma coisa que pouca gente menciona: em português brasileiro, o uso excessivo de "logo" no sentido conclusivo soa arcaico para muita gente. Em Portugal, soa completamente normal. Se você escreve para um público lusófono diverso, considere substituir "logo" por "portanto" ou "assim" para evitar ambiguidade. "Logo" também pode ser confundido com o advérbio de tempo ("antes da semana que vem"), então o leitor pode parar para reler e perder o fio da meada.
Na prática, o que eu recomendo é ler o texto em voz alta depois de terminado. Se a passagem com a conjunção de conclusão soar como algo que você diria numa conversa, está bom. Se soar como um discurso de formatura, substitua por algo mais direto. Reescreva a frase com "então" ou corte a conjunção e use dois períodos separados. O texto fica mais enxuto e a ideia continua clara.