Uso de maiúscula após vírgula: o que realmente funciona
A maioria dos textos em português usa letra minúscula depois da vírgula. Essa é a regra padrão e ela se aplica à grande maioria das situações. O erro mais comum que vejo sendo corrigido em revisões é quando alguém coloca maiúscula depois da vírgula sem motivo gramatical. A norma culta não exige isso.
Depois da vírgula usa letra maiuscula? Na maioria das vezes, não
Depois da vírgula usa letra maiuscula apenas em casos muito específicos. A exceção existe, mas é restrita. Na prática, você vai escrever quase sempre com minúscula. Vou explicar onde a maiúscula aparece mesmo assim, porque há situações que confundem muita gente. Uma delas é quando a vírgula antecede uma citação direta ou um discurso citado. Nesse caso, a primeira palavra da fala pode começar com maiúscula, mas isso tem mais a ver com a estrutura da citação do que propriamente com a vírgula em si. Outro exemplo é quando a vírgula separa elementos que funcionam como tópicos ou títulos internos em listas estruturadas.
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Há também o caso de nomes próprios. Se depois da vírgula vier um nome próprio, obviamente ele leva maiúscula. "João, Marcos e Pedro foram à reunião" -- aqui a maiúscula em "Marcos" e "Pedro" obedece à regra dos nomes próprios, não à da vírgula. As pessoas costumam atribuir a maiúscula à pontuação quando, na verdade, é outra regra que está valendo. Em textos jurídicos e contratos, é comum encontrar vírgulas seguidas de maiúscula em cláusulas ou incisos. Isso é uma convenção editorial daquele setor, não uma regra gramatical geral. Se você trabalha com direito ou contabilidade, já deve ter visto isso. Não é padrão para outros tipos de texto.
No meu caso, me deparei com um problema específico ao revisar um contrato de prestação de serviços. O texto tinha uma cláusula onde, após uma vírgula que encerrava um parágrafo inteiro, a linha seguinte começava com letra minúscula. Para alguns revisores, aquilo parecia erro. Para outros, estava correto. O que acontece é que, em contratos, a numeração dos incisos -- parágrafo único, inciso I, alínea a -- gera uma estrutura onde a vírgula pode aparecer no meio de uma frase longa que termina e logo em seguida começa outro item enumerado. A maiúscula ou minúscula depende se o trecho seguinte continua a mesma oração ou se inicia um novo elemento da enumeração. A solução prática que eu adotei foi padronizar mantendo minúscula quando o inciso continua a ideia do parágrafo anterior e maiúscula apenas quando há mudança efetiva de sujeito ou objeto. Isso reduziu as divergências entre revisores pela metade. Outra situação que gera confusão constante é a vírgula usada para isolar aposto ou vocativo. "Maria, venha cá agora." -- depois da vírgula que isolou o vocativo "Maria", a frase continua normal, com minúscula. Já "O presidente da empresa, João Mendes, chegou atrasado." -- aqui o aposto "João Mendes" traz a maiúscula por ser nome próprio, novamente, não por causa da vírgula. Eu vejo esse tipo de erro em e-mails corporativos todo dia.
Um detalhe importante que poucos mencionar são os pontos de interrupção após vírgula em citações longas. Quando você transcreve um documento formal -- como uma sentença judicial ou um parecer técnico -- e precisa interromper a fala para inserir uma observação sua, a vírgula que separa sua nota pode ser seguida de maiúscula se você estiver começando uma nova oração completa dentro dos parênteses ou travessões. Exemplo: "A resposta do réu foi categórica (o advogado argumentou de forma diferente, no entanto, a tese não prosperou)." Resumindo sem resumir: a vírgula em português quase sempre é seguida de minúscula. Só muda em casos de nome próprio, citação direta, estrutura de lista com numeração específica, e convenções de certos setores como o jurídico. Se o seu texto não se encaixa nesses grupos, use minúscula e não tenha dúvida.