Doce Como Sangue - Doce como Sangue eBook : Rodriguez, Dan: Amazon.com.br: Loja Kindle
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O que é e como fazer doce como sangue

O doce como sangue é uma receita tradicional de origem portuguesa que existe no Brasil há décadas, praticamente sem mudar. A base é mistura de açúcar, coco ralado e um ponto bem controlado de calda. O nome vem da cor que a calda atinge quando passa do ponto certo — um tom avermelhado escuro que se parece, de fato, com sangue. Não tem nada de místico. É só açúcar caramelizado no ponto errado, ou seja, no ponto certo.

Receita de doce como sangue

Você precisa de 500g de açúcar, 200g de coco ralado (preferencialmente fresco, mas o seco funciona), 1 xícara de água e uma pitada de sal. Coloque o açúcar com a água em uma panela de fundo grosso. Misture antes de ligar o fogo só para umedecer o açúcar. Ligue em fogo médio e não mexa mais. Isso é o erro número um. Se mexer, o açúcar cristaliza e vira uma pedra doce. Quando a calda começar a ficar amarela, aí entra o coco. Espere acontecer. Se colocar o coco antes da calda corar, ele queima por fora e fica cru por dentro. Eu já perdi dois lotes fazendo isso numa correria. A calda leva cerca de 12 minutos para chegar num tom âmbar escuro. Nesse ponto, desliga, joga o coco e mistura rápido. O calor residual do açúcar termina a cocção do coco sem precisar voltar ao fogo.

O ponto final é quando a mistura desgruda do fundo da panela e forma uma bola firme se você passar um fio de água fria. Isso dá cerca de 3 minutos após adicionar o coco. Espalhe em uma assadeira untada com manteiga e deixe esfriar. Corta em quadrados quando estiver frio. Fica firme por fora, macio por dentro. Dura uns 10 dias em recipiente fechado.

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Dificuldades comuns e como resolver

O maior problema com doce como sangue é a temperatura. A panela precisa estar em fogo médio, nem baixo, nem alto. Fogo alto queima o açúcar antes de docificar. Fogo baixo seca a calda e ela endurece como vidro. O detalhe é que cada fogão é diferente. Meu fogão a gás casa atinge ponto em 10 minutos. No fogão elétrico da minha mãe, levava 18. Eu anotei isso em um papel e colei na geladeira porque esquecia toda vez que ia fazer. Outro problema é a umidade. Se o dia estiver chuvoso ou você morar numa cidade litorânea, o doce fica pesado e não seca direito. Nesse caso, eu volto a massa pra panela com fogo bem baixo por mais 2 ou 3 minutos só pra evaporar a água extra. Funciona. Não é bonito, mas funciona. Se quiser ser preciso, use termômetro de cozinha e busque 118°C na calda antes de adicionar o coco. Mas quem tem termômetro em casa?

Por que o doce como sangue não falha se você tiver paciência

A receita é simples demais pra falhar se você seguir o processo. O único motivo real de falha é pressa. O açúcar precisa caramelizar devagar. O coco precisa ser adicionado no momento exato. O ponto precisa ser testado com água fria. Três coisas que exigem atenção. Se você ficar no celular ou for atender a porta, voltou pra panela e perdeu o ponto. Tem gente que diz que dá pra usar extrato de beterraba pra dar cor. Não dá. A beterraba solta água na calda e estraga o ponto. O doce como sangue deve sua cor à caramelização natural do açúcar. Se quiser cor mais escura, deixa a calda no fogo mais tempo. Simples assim. Não precisa inventar moda.

O doce como sangue também é conhecido como doce de coco no ponto de beijinho, só que com calda mais_escura_. A diferença é puramente visual e de sabor. O açúcar caramelizado dá um toque amargo que corta o doce do coco. Quem não gosta de doce muito doce geralmente preferi essa versão. Eu prefiro assim também. Você encontra todas as quantidades e o passo a passo em fóruns antigos de culinária brasileira e em livros de receitas caseiras. Não precisa de link pra download. A receita é pública, velha e não tem dono. O importante é fazer. Errar a primeira vez é normal. A segunda já fica melhor.