O básico que ninguém ensina na faculdade
Reino Monera são as bactérias. Doenças associadas a esse grupo são infecções bacterianas, ponto. A classe dos protistas foi removida do grupo Monera na classificação moderna, então quando falo de doenças do reino Monera estou falando estritamente de bactérias causadoras de patogenicidade. Vou ser direto sobre como lidar com isso na prática clínica. Antes de qualquer coisa, entenda que o tratamento empírico para a maioria das infecções bacterianas comuns leva de 24 a 48 horas para ser ajustado após o antibiograma. Nesse intervalo, a escolha do antibiótico determina se o paciente melhora ou complica. A primeira decisão é identificar avia provável pelo foco infeccioso: trato urinário, respiratório, pele e partes moles, peritonite, meningite. Cada foco tem espectros bacterianos diferentes e resistências regionais que variam muito.
Doenças do reino monera: abordagem prática
O passo inicial é cultura com antibiograma antes de iniciar antibioticoterapia. Isso parece óbvio, mas muita gente inicia antibioticoterapia antes de coletar a amostra, especialmente em infecções urinárias onde o paciente já quer remédio. O resultado sai em 48 a 72 horas, e aí você ajusta. Se o quadro for grave, como sepse, você inicia com amplo espectro e faz o de-escalation depois que o antibiograma retorna. Isso reduz o tempo de internação em média 3 dias em comparação com quem não ajusta o tratamento. Uma situação real que eu enfrentei: paciente com infecção de cateter venoso central, febre de 39 graus, leucocito de 18 mil. Coletei hemocultura dos dois lados do cateter e do membro superior, fiz punção periférica também. A cultura do cateter cresceu Staphylococcus epidermidis coagulase negativa, mas a cultura periférica estava negativa. Inicialmente medicar com vancomicina, porém parei pra pensar. Staph epidermidis é contaminante comum de pele, e o crescimento isolado no cateter sem bacteremia periférica pode indicar apenas colonização, não infecção verdadeira. Pedi cultura do segmento distal do cateter após a remoção. O resultado mostrou menos de 15 CFU, abaixo do corte de 15 CFU que confirma infecção do cateter. O paciente foi observado sem antibioticoterapia e permaneceu assintomático. Se eu tivesse medicado, teria exposto o paciente a vancomicina com seus efeitos nefrotóxicos sem benefício real.
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Aqui vai uma informação que poucos consideram: a resistência bacteriana em doenças do reino Monera nem sempre está no cromossomo. Plasmídeos R podem ser transferidos horizontalmente por conjugação entre bactérias de espécies diferentes. Isso significa que um E. coli pode adquirir resistência a carbapenêmicos de um Klebsiella na mesma unidade de terapia intensiva. O manejo nesse caso exige isolamento de contato rigoroso e não simplesmente trocar o antibiótico. Uma unidade nossa identificou um surto de KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) e a única forma de conter foi bloquear a admissão de novos pacientes da enfermaria afetada por 14 dias, junto com desinfecção terminal com peracético. O surto durou 6 semanas no total. Outro ponto negligenciado: antibiogramas podem dar falsos sensíveis quando a carga bacteriana é baixa ou quando o antibiótico atinge concentrações inadequadas no tecido-alvo. Um ejemplo clássico é a prostatite bacteriana crônica. Antibióticos como trimetoprim-sulfametoxazol e fluoroquinolonas têm boa penetração na próstata, mas betalactâmicos convencionais não. O antibiograma mostra a bactéria como sensível à ampicilina, mas o tratamento falha porque o antibiótico simplesmente não entra no órgão. Sempre pergunte sobre a penetrabilidade tecidual do antibiótico antes de prescrever.
Doenças bacterianas do reino Monera que merecem atenção especial incluem tuberculose, leptospirose, difteria, tétano, coqueluche, sífilis, gonorreia, sífilis, pneumonia bacteriana, meningite bacteriana, e infecções por Pseudomonas e Acinetobacter em ambiente hospitalar. A tuberculose merece menção separada porque o tratamento é longo — seis meses no mínimo — e a adesão é o maior desafio. Regimes de terapia diretamente observada (TDO) reduzem as taxas de abandono de 30% para cerca de 8% em populações vulneráveis. Não existe solução perfeita para todas as infecções bacterianas. Antibioticoterapia prolongada seleciona resistências, diagnósticos tardios aumentam mortalidade em sepse em aproximadamente 7% por hora de atraso, e a automedicação com antibióticos é a principal responsável pelo aumento global de superbactérias. Quando o antibiograma não vier ou o paciente não responder ao tratamento padrão após 72 horas, considere infecção por micobactéria, fungo ou etiologia não infecciosa antes de simplesmente aumentar a dose do antibiótico.
A literatura médica recomenda para o manejo de infecções bacterianas o uso racional de antibióticos baseado em guias locais de resistência, coleta de culturas pré-tratamento sempre que viável, e revisão do esquema terapêutico em 48-72 horas com base na evolução clínica e nos resultados microbiológicos. Seguir esses passos reduz significativamente a necessidade de troca de antibioticoterapia e as complicações associadas ao uso inadequado.