O livro que todo mundo cita e quase ninguém leu
A primeira edição de Dom Quixote saiu em 1605, em Madrid. Miguel de Cervantes Saavedra era o autor. Ele nasceu em Alcalá de Henares por volta de 1547 e morreu em 1616, no mesmo ano que Shakespeare, o que sempre gera aquele papo de bar sobre coincidências históricas que não significam nada practical.
dom quixote quem escreveu
Miguel de Cervantes. O nome completo dele é Miguel de Cervantes Saavedra. Às vezes aparece apenas como "Cervantes" nos livros, o que causa confusão porque existem outros escritores com sobrenomes parecidos em bibliotecas antigas. A segunda parte do livro, publicada em 1615, também é dele. Tem uma história curiosa aí: um escritor pseudônimo chamado Alonso Fernández de Avellaneda soltou uma continuação não autorizada em 1614, e Cervantes ficou tão irritado que acelerou a publicação da parte oficial no ano seguinte. É uma das primeiras brutas de autor vs. plágio da literatura ocidental, na prática. Eu já vi gente confundir o autor com Lope de Vega ou até com Quevedo porque todos estavam ativos no mesmo período, o chamado Siglo de Oro espanhol. A pegadinha é que Cervantes não era exatamente o escritor mainstream da época. Ele tinha sido prisioneiro em Argel, serviu na comitiva militar, perdeu a mobilidade do braço direito na Batalha de Lepanto. Essa experiência de campo, de ver o mundo real funcionando de um jeito completamente diferente dos livros de cavalaria que ele satirizava, é o que dá ao livro aquela camada de ironia que começa na primeira página e nunca termina.
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Se você quer a obra completa, existem duas partes. A primeira tem 52 capítulos. A segunda tem 74. A tradução mais usada no Brasil é a de Francisco Garcia Hortal, mas a de João Guimarâes Rosa também circula em edições mais antigas e tem um acabamento bom. O original em castelhano do século XVII pode ser difícil para quem está aprendendo; o castelhano da época já é diferente do atual em vários trechos, então edições anotadas valem o preço extra. O problema que eu vejo com frequência é gente buscar "dom quixote quem escreveu" porque precisa de uma referência rápida para um trabalho acadêmico ou citação. O dado correto é simples, mas a armadilha está nas referências. Alguns sites colocam datas erradas, confundem 1605 com 1615 como se fosse o mesmo livro, ou atribuem a autoria a editoras sem verificar. Eu recomendo sempre checar a ISBN da edição que você vai usar. Se estiver citando no formato ABNT, a estrutura básica é: CERVANTES SAAVEDRA, Miguel. El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha. Ano da edição que você tem em mãos. Cidade: Editora.
Uma nuance que muita gente perde: Dom Quixote não é só uma paródia de cavalaria. Ele também é, de forma bem direta, um livro sobre como a mente humana constrói realidade a partir de leitura mal filtrada. A obsessão do protagonista vem de ler tantos livros de cavalaria que ele não consegue mais distinguir ficção de vida cotidiana. Isso é contemporâneo demais pra ser ignorado. Hoje em dia a gente trocaria "livros de cavalaria" por algoritmos de recomendação, mas o mecanismo psicológico é o mesmo. Se você quer ler de verdade, comece pela Parte 1. A Parte 2 é mais sombria e mais complexa, com Quixote já caindo em si em alguns momentos, o que torna a leitura mais perturbadora, não menos. O final da Parte 2, onde ele morre de verdade e abandona a loucura, é considerado um dos desfechos mais maduros da literatura ocidental. Não é emocionante no sentido clichê. É calmo, seco, e isso é o que torna eficaz.
Para download gratuito e legal, o projeto Gutenberg e a Biblioteca Digital Hispânica têm versões em domínio público. Versões em português costuma exigir edição paga de editoras como Martin Claret ou Companhia das Letras. O original em espanhol está disponível gratuitamente sem restrições de copyright em vários arquivos digitais. Se o seu objetivo é estudo sério, vale a pena usar ambas as versões lado a lado em alguns trechos, porque a tradução altera o ritmo das frases originais de forma perceptível. Resumindo sem resumo: Cervantes escreveu. Duas partes. Século XVII. Confusão constante com autores do mesmo período. Versões anotadas valem o investimento.Leia a Parte 1 primeiro.