Como escrever a conclusão no ENEM
A maioria dos estudantes trata a proposta de redação do ENEM como um exercício de completar itens num checklist. O problema é que o exame exige uma estrutura clara e coerente, mas a forma como se organiza isso nem sempre fica evidente na primeira tentativa.
Elementos da conclusao enem
O que realmente importa na parte final do texto dissertativo-argumentativo são os elementos básicos: reafirmação da tese, retomada dos argumentos desenvolvidos e uma proposta de intervenção detalhada. Não precisa ser algo complexo, mas precisa estar completo. Uma coisa que eu vi acontecer com frequência nos correções é o candidato escrever uma conclusão que parece um resumo, sem apresentar ação concreta. O ENEM cobra proposta de intervenção com elementos obrigatórios: agente, ação, meio/modo, objeto e detalhamento. Falta qualquer um desses cinco e você perde pontos na competência 5.
No meu caso, já corriji muitos textos onde o estudante esquecia o detalhamento. Tipo: "o governo deve promover palestras". Promover palestras para quem? Sobre quê? Com qual periodicidade? A ausência desse detalhamento específica é um erro comum que custou nota pra bastante gente. A solução mais simples é incluir pelo menos uma informação adicional que deixe claro como aquilo seria executado na prática. Outra observação prática: muitos candidatos confundem reafirmar a tese com repetir palavra por palavra o que já escreveram na introdução. Isso soa artificial e mostra falta de flexibilidade. Uma reafirmação pode usar sinônimos, reformular a ideia central ou até trazer um novo recorte que enriqueça o argumento, desde que mantenha a coerência com o que foi defendido ao longo do texto.
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Quanto ao tempo de produção, quem treina direito consegue fechar a conclusão em torno de oito a dez minutos. O risco é gastar mais tempo do que deveria e atrapalhar o resto do texto. Um teste prático que funciona bem é cronometrar a escrita da proposta de intervenção separadamente, isolando apenas esse elemento, para entender quanto espaço real ele ocupa no texto. Algumas propostas falham porque o agente não está definido ou fica ambíguo. Escrever "a sociedade precisa agir" não é suficiente. Precisa ser claro quem age: o Ministério da Educação, as prefeituras, as escolas, a família. Agente genérico costuma significar ponto perdido.
Um detalhe que muitos negligenciam é a coesão entre os parágrafos. A conclusão não surge do nada; ela se apoia nos conectivos e nos retornos temáticos que o texto inteiro construiu. Se a transição final parecer abrupta, mesmo que os elementos estejam todos presentes, a nota pode sofrer por descontinuidade. Usar conectivos como "portanto", "diante disso" ou "assim" ajuda a amarrar melhor essa passagem. Outro ponto importante: a proposta de intervenção não precisa ser necessariamente governamental. Pode envolver ações de organizações não governamentais, instituições de ensino, movimentos sociais ou até a iniciativa privada. O importante é que o plano seja factível dentro do contexto brasileiro e que os cinco elementos estejam presentes de forma clara.
Existe também uma tendência perigosa de copiar modelos prontos de propostas de intervenção. Isso funciona até o dia em que o tema foge do padrão e o candidato não consegue adaptar. Conheço casos reais onde textos completos com cópia literal receberam notas baixíssimas justamente por isso. A segurança real vem da prática com temas variados, não da memorização de frases fechadas.
Prática recomendada
O caminho mais eficiente é escrever pelo menos uma redação por semana durante os meses que antecedem o exame, cronometrando cada parte do texto. Anotar os erros recorrentes num caderno específico ajuda a identificar padrões pessoais de falha. Se você sistematicamente esquece o detalhamento, por exemplo, pode criar uma verificação mental antes de finalizar: agente, ação, meio, objeto, detalhamento. Passar os cinco itens mentalmente leva menos de quinze segundos e evita perda desnecessária de pontos. Também vale a pena revisar redações corrigidas por professores experientes para entender o que diferencia uma proposta mediana de uma proposta que garante a nota máxima na competência 5. A diferença muitas vezes está na especificidade dos detalhes e na adequação ao contexto social brasileiro.