O que é o acervo de arte abstrata Sattamini
A coleção Sattamini reúne obras de arte abstrata reunidas por um grupo de colecionadores e curadores brasileiros que atuaram principalmente entre os anos 1960 e 1980. O acervo contém peças de artistas como Tomie Ohtake, Lygia Clark, Ferreira Gullar e outros nomes associados ao movimento concretista e neoconcreto. Não se trata de uma fundação institucionalizada com sede própria — funciona mais como um catálogo documentário do que como um museu com exposições regulares. As obras originais estão dispersas entre acervos privados, algumas em instituições como o MASP e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, mas a documentação completa da coleção foi compilada em publicações avulsas e arquivos digitais.
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O termo "encontros" refere-se aos ciclos de discussões e simpósios que reuniram pesquisadores interessados no acervo. Esses eventos aconteceram de forma irregular, geralmente vinculados a universidades federais no eixo São Paulo-Rio. Não havia um calendário fixo. Quem tentou participar na prática percebe logo que a frequência desses encontros é baixa, às vezes duas ou três edições por década, então você precisa acompanhar sites de instituições parceiras ou listas de email acadêmicas para não perder um edital de inscrição. O arquivo principal da coleção está disponível de forma fragmentada. A versão mais completa que encontrei foi disponibilizada pelo setor de documentação do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, mas o acesso requer cadastro institucional. Há também cópias esparsas em repositórios abertos como a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. Li quase tudo o que estava disponível antes de conseguir acesso direto ao acervo físico durante um projeto de pesquisa sobre a recepção da abstração geométrica no Sul do Brasil.
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Um problema prático que tive foi a falta de padronização nas nomenclaturas das obras. Uma mesma peça aparece registrada com títulos diferentes dependendo da fonte: há variações de grafia nos nomes dos artistas e datas que divergem entre si. O workaround que funcionou foi cruzar os dados com o catálogo raisonné de cada artista individualmente. Para Lygia Clark, por exemplo, usei a publicação da Galleria Fernando Cocchiarelli como referência primária. Para Tomie Ohtake, o catálogo da Pinacoteca do Estado de São Paulo resolveu a maior parte das inconsistências. Demorei cerca de duas semanas para organizar um banco de dados próprio apenas para ajustar essas divergências. O que poucos mentionam é que a coleção Sattamini tem lacunas significativas em relação à produção finalista e cinética dos anos 1950. A curadoria privilegiou obras do período neoconcreto e posteriores, deixando de lado boa parte da produção concretista mais rígida. Isso cria uma visão distorcida se você estudar apenas esse acervo sem complementar com outras fontes. Recomendo fortemente consultar também o acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e o arquivo da Revista Noigandres para ter uma imagem mais equilibrada.
A qualidade dos escaneamentos digitais disponíveis varia muito. Algumas imagens estão em resolução útil para publicação acadêmica, outras são fotos tiradas com celular em condições de luz ruins. Se você precisa de imagens para pesquisa, o ideal é solicitar diretamente ao curador responsável pelo acervo ou ao setor de reprodução fotográfica da instituição mantenedora. Isso leva em média três semanas para ser atendido, dependendo da demanda do setor.