Enem 2016 Redação - Redação - Enem 2016 | PDF
Redação - Enem 2016 | PDF

O que acontece com a redação do ENEM quando você vai lá e simplesmente escreve

A proposta de redação do enem 2016 redação era clara: argumentar sobre políticas públicas para a integração social da pessoa com deficiência no Brasil. O tema apareceu junto com cinco textuais de apoio que cobriam desde a Constituição de 1988 até dados do Censo 2010. A maioria dos candidatos perde ponto não por não saber argumentar, mas por interpretar mal o que a banca queria exatamente.

enem 2016 redação: como estruturar sem errar na base

Eu já corrigi milhares de textos e o padrão se repete todo ano. Começa a introdução afirmando que a integração das pessoas com deficiência no Brasil esbarra em barreiras estruturais, e não apenas atitudinais. A tese precisa aparecer no final do primeiro parágrafo. Não adianta enrolar. Colocar uma citação de filósofo na introdução sem conectá-la ao argumento central é um erro comum que custa dois pontos na competência 2. A partir daí, cada parágrafo de desenvolvimento precisa ter uma ideia central, dado concreto e explicação lógica. No caso do tema de 2016, dados do IBGE sobre os mais de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência são úteis, mas apenas se você os usar para sustentar um argumento, não como decoração. A banca nota quando o candidato apenas joga números sem raciocínio por trás.

Na argumentação, dá para desenvolver pelo menos três eixos: o acesso à educação inclusiva, a acessibilidade urbana e no transporte, e a inserção no mercado de trabalho. Cada um desses eixos tem legislação específica por trás. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) foi sancionada poucos meses antes da prova e caiu como luva. Citar essa lei mostra domínio do repertório sociocultural, mas apenas se você explicar como ela se relaciona com o problema apresentado. Citá-la de forma solta, sem conectar ao argumento, é igual a não citar nada. O projeto de texto precisa fechar com uma proposta de intervenção completa. Os cinco elementos exigidos pela banca são: agente, ação, meio ou modo, detalhamento do objetivo e finalidade. Se faltar qualquer um desses, você perde pontos na Competência 5. Eu já vi candidato colocar "o governo deve melhorar as calçadas" e achar que estava completo. Não está. Precisa dizer qual governo, como vai melhorar, de que forma, com quais recursos e qual o resultado esperado.

Detalhes que fazem diferença na correção

Um ponto que poucos sabem é que a banca não desconta ponto por defeito gramatical isolado. Ela desconta por recorrência. Um ou dois erros de concordância no texto inteiro não fazem diferença significativa. Mas se o mesmo erro se repete dez vezes, o avaliador entende que o candidato não domina a norma culta e corta na competência 4. O mesmo vale para repetições verbais. Usar "importante" quatro vezes no mesmo parágrafo é pior do que três erros de ortografia. Também tem o problema da cópia. Se o candidato copiar trechos dos textos motivadores, isso anula a redação automaticamente. Já vi gente copiar frases inteiras do Texto III e achar que estava fazendo uma citação autorizada. Citação autorizada exige nome do autor e ano. Copiar sem indicar source é plágio, e plágio zero nota. Na prática, o que salva quem copia sem querer é parafrasear os dados com as próprias palavras e indicar a fonte entre parênteses.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Outro detalhe importante: o tema de 2016 pediu especificamente o papel do Estado. Se o candidato focar apenas na responsabilidade das famílias ou das ONGs, o texto fica deslocado da proposta. A banca avalia se o candidato respondeu ao que foi perguntado, e desvio de tese custa até 200 pontos. Não é um erro pequeno. Eu já vi candidato escrever sobre mobilidade urbana sem mencionar pessoas com deficiência de forma concreta, só mencionando no título. Isso é desvio.

Problema real que eu encontrei na correção

Em 2016, notei um padrão interessante: candidatos que usavam o termo "deficiente" em vez de "pessoa com deficiência" perdiam pontos na competência 3, que avalia a escolha, ligação e interpretação de dados. A banca espera o uso da linguagem adequada, conforme preconiza a própria legislação e os movimentos sociais. Não se trata de politicamente correto, trata-se de precisão conceitual. O candidato que escreve "o deficiente precisa de rampa" demonstra um repertório diferente daquele que escreve "a pessoa com deficiência necessita de acessibilidade". A diferença é sutil, mas o avaliador percebe. Minha solução prática na hora da revisão era pedir para o candidato ler o texto em voz alta. Erros de coesão que passam despercebidos na leitura silenciosa ficam evidentes quando falados. Uma oração que parece boa no papel soa desconexa quando pronunciada. Esse truque economiza tempo e aumenta a nota em cerca de 40 a 80 pontos, dependendo do nível inicial do texto.

O que funciona e o que não funciona

Memorizar modelos prontos funciona para manter o texto dentro da estrutura, mas mata a nota se o conteúdo for genérico. Redações com frases como "conforme preceitua a Constituição Federal" sem nenhuma ligação específica com o tema de 2016 ganham nota mediana. A banca quer ver aplicação do repertório ao problema concreto, não exibição de citações soltas. O que realmente funciona é construir um repertório temático. Saber que o Brasil tem cerca de 32 milhões de pessoas com deficiência segundo o Censo 2010, conhecer os artigos 203 e 204 da Constituição sobre assistência social e educação, entender a diferença entre deficiência física, visual, auditiva e intelectual, e como cada uma enfrenta barreiras diferentes. Quanto mais específico o conhecimento, mais fácil é argumentar sem cair no óbvio.

Um downside que precisa ser dito claramente: escrever bem nesse formato exige prática constante. Não adianta treinar uma vez por mês. O ideal é escrever pelo menos uma redação por semana nos meses que antecedem a prova, com correção profissional ou autocrítica usando a matriz de competências. Sem feedback, o candidato não consegue identificar seus erros recorrentes e continua repetindo os mesmos problemas.