Erro De Concordancia - Erro De Concordância Nominal - RETOEDU
Erro De Concordância Nominal - RETOEDU

O que acontece quando o verbo não combina com o sujeito

Você já encontrou uma frase como "fomos muitas pessoas" e sentiu aquele desconforto imediato? Isso é erro de concordância, e ele é mais frequente do que a maioria das pessoas pensa. A gramática normativa exige que o verbo se ajuste ao sujeito em número e pessoa, mas na prática, especialmente na fala e em textos informais, as regras são frequentemente ignoradas ou mal aplicadas. A concordância verbal e nominal é um dos tópicos que mais geram dúvidas, mesmo para quem escreve com fluência. Não se trata apenas de saber se o verbo vai para o plural — existem situações em que o sujeito é composto, oculto, indeterminado, ou dividido por expressões como "como também" ou "não só... mas também". Cada caso tem seu tratamento.

Como identificar e corrigir erro de concordancia nos seus textos

A maneira mais direta de analisar a concordância é isolar o sujeito da oração. Pegue o verbo, pergunte "quem faz essa ação?" e verifique se o sujeito e o verbo combinam. Se o sujeito for "nós", o verbo deve terminar em "-mos": "nós vamos", "nós vimos", "nós fizemos". Se for "vocês", use a terceira pessoa do plural: "vocês vão", "vocês vêm", "vocês fizeram". Parece óbvio, mas é exatamente nessa separação que a maioria dos erros acontece. Um problema comum que eu vejo repetidamente é o sujeito composto anteposto ao verbo. Quando o sujeito é formado por duas ou mais núcleos ligados por "e", o verbo vai para o plural: "O advogado e o cliente chegaram atrasados". Até aqui tudo bem. Mas e quando os núcleos são ligados por "ou"? Aí a coisa muda. Se for uma ideia de exclusão ("ou um ou outro"), o verbo fica no singular. Se for uma ideia de acumulação, vai para o plural. Isso não aparece em nenhuma regra simplificada que você encontra em resumos de gramática pela internet.

No ramo em que eu atuo, lidamos com contratos e documentos jurídicos onde a concordância errada pode mudar o sentido de uma cláusula inteira. Recebi uma vez um documento em que estava escrito "os honorários e a taxa processual ficam isolados do cálculo". O uso do plural em "ficam" estava correto porque o sujeito era composto, mas a construção gerava ambiguidade: parecia que "isolados" concordava apenas com o último termo. A solução foi reescrever para "os honorários e a taxa processual permanecem isolados do cálculo", deixando claro que a concordância se aplica a ambos os elementos. Levei alguns minutos para perceber o problema e mais tempo para explicar para o redator original por que a versão anterior podia ser interpretada de formas diferentes. A concordância nominal segue lógica parecida, mas com mais nuances. Adjetivos que se referem a substantivos no plural devem flexionar: "as portas fechadas", "os alunos dedicados". O erro mais frequente aqui é o uso do superlativo absoluto sintético com substantivos que já têm gênero fixo. Palavras como "ótimo" e "péssimo" são adjetivos e concordam em gênero: "ela está ótima", "a situação está péssima". Muita gente escreve "ela está ótimo" por influencia da expressão coloquial, mas em texto formal isso é claramente um deslize.

O uso de "menos" e "mais" como adjuntos adnominais também causa confusão. Quando acompanham um substantivo, flexionam: "menas pessoas" está errado; o correto é "menos pessoas", porque "menos" é invariável. Já "mais pessoas" está correto porque "mais" também é invariável quando funciona como advérbio de intensidade. A pegadinha é que muita gente tende a pluralizar por analogia com outros adjetivos, o que simplesmente não se aplica aqui.

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Regras práticas para evitar os erros mais comuns

Existem situações em que a concordância parece quebrar a lógica esperada, e o motivo quase sempre está na classificação do sujeito. Vamos ao caso do verbo "haver" no sentido de existência. Ele é impessoal nesse uso e permanece na terceira pessoa do singular: "Havia muitos problemas pendentes". Não existe "haviam muitos problemas", mesmo que o sentido pareça exigir o plural. O mesmo vale para "fazer" indicando tempo decorrido: "Faz dois anos que não vejo esse cliente". O verbo não varia. Já com o verbo "gostar", a armadilha está na regência. O correto é "gostar de algo", e não "gostar algo". Isso significa que frases como "eu gosto muito esse filme" são erradas por questão de regência, não de concordância em si, mas o efeito prático é o mesmo: o texto perde credibilidade. O mesmo acontece com "aspas" — muita gente escreve "é importante estar entre aspas" quando deveria ser "estar entre aspas", sem o "de" sobrando.

Quando o sujeito é uma expressão partitiva como "a maioria de", "grande parte de", "a maior parte de", o verbo pode concordar tanto no singular quanto no plural, dependendo do que se quer enfatizar. Se o foco é o coletivo, use singular: "A maioria dos advogados concorda com a decisão". Se o foco é a pluralidade, use plural: "A maioria dos advogados concordaram com a decisão". Ambas estão corretas, mas você precisa escolher conscientemente qual intenção tem. Deixar o verbo no plural sem razão aparente é onde mora o erro. A concordância com pronomes de tratamento merece atenção separada. Pronomes como "vossa senhoria", "o senhor", "a senhora" exigem verbo na terceira pessoa, mesmo que a ideia seja de segunda pessoa. "Vossa Senhoria deve enviar os documentos até sexta" está correto. "Vossa Senhoria deve enviar" não é erro de concordância verbal, mas muitos escritores inexperientes colocam "vós deveis" por confusão com o pronome "vós". Essa distinção é importante e é facilmente verificável em manuais de redação institucional.

Uma ferramenta útil para quem quer revisar concordância é o método de transposição. Pegue a oração e transforme-a para a primeira pessoa do plural. Se a frase original é "os relatórios precisam ser revisados", a transposição seria "nós precisamos revisar os relatórios". Se soa estranha na forma transposta, provavelmente há um problema na original. Esse recurso não funciona para todos os casos, mas resolve boa parte dos erros mais simples em cerca de 30 segundos por frase. O grande limitante é que esse método e todos os outros baseados em regras fixas falham quando o texto contém construções ambíguas ou linguagem coloquial intencional. Em textos criativos, entrevistas, transcrições de áudios e notas de rodapé com linguagem informal, aplicar rigorosamente as regras de concordância pode soar artificial e até prejudicar a clareza. Nesses casos, o ideal é manter a coerência estilística e usar a norma padrão apenas onde o contexto exige, como em contratos, pareceres técnicos e communications corporativas formais.

Para revisão automatizada, o gramadinho.com e o languagebot.br oferecem verificadores online gratuitos que detectam erros de concordância verbal e nominal. Eles funcionam bem para textos padronizados, mas têm taxa de erro significativa com orações subordinadas e períodos longos. O método manual ainda é mais confiável para documentos que precisam de precisão absoluta. O tempo gasto com revisão manual varia de acordo com o tamanho do texto: um documento de dez páginas leva aproximadamente 25 minutos para revisão completa, incluindo verificação de concordância, regência e pontuação.