Escolas Literarias Resumo - Resumo das Escolas Literárias Brasileiras | PDF | Realismo (artes) | Prosa
Resumo das Escolas Literárias Brasileiras | PDF | Realismo (artes) | Prosa

Como estudar escolas literárias sem passar branco na prova

A maioria dos resumos que aparecem no Google sobre escolas literárias é repetição de Wikipedia com datas decoreba. O problema é que isso raramente funciona na prática, seja numa prova de vestibular ou num concurso. Eu já vi estudante saber corinhos de cabeça e mesmo assim errar questões que pediam para identificar o movimento baseado num trecho de texto, não numa data. O que segue aqui é menos um resumo formal e mais o que eu monto pra quem precisa realmente conseguir ler um texto e situá-lo no tempo. Vou começar pelo jeito mais útil de abordar o conteúdo, depois entro nos movimentos em si e no que dá errado quando você tenta aplicar tudo isso.

escolas literarias resumo: a abordagem que funciona

A primeira coisa que eu faço quando preciso revisar escolas literárias não é decorar períodos. É olhar para três eixos: a relação com a razão e com a emoção, a visão de mundo predominante e o tratamento da linguagem. Se você conseguir mapear qualquer obra brasileira ou portuguesa nesses três eixos, consegue responder praticamente qualquer questão, mesmo que o examinador invente um ano que não existe no manual. O segundo eixo é mais importante que o primeiro na maioria das bancas. A visão de mundo é o que diferencia, por exemplo, o arcadismo do romantismo de maneira muito mais clara do que apenas dizer "um é neoclássico e o outro é romântico". Arcadismo não é só "voltar aos clássicos". É uma proposta iluminista disfarçada de pastoral. O romantismo, por sua vez, não é só "eu-sofrimento". É a institucionalização do individualismo e a construção de um projeto nacional através da literatura.

Isso parece óbvio quando você lê, mas na hora da prova quase todo mundo entra no automático e responde com definição de dicionário. O examinador quer ver se você entende o movimento, não se sabe citar uma característica de memória. Um problema concreto que eu encontrei recentemente teve a ver com uma questão sobre o pré-modernismo. A banca apresentou um trecho de Lima Barreto e perguntou se pertencia ao modernismo ou ao pré-modernismo. A maioria dos candidatos marcou modernismo porque achava que Pré-Modernismo era "coisa de coitadismo". Errado. O trecho era claramente modernista em alguns aspectos e pré-modernista em outros, mas a resposta esperada era pré-modernismo porque a obra estava datada de 1919 e a questão pedia o movimento predominante no período de composição, não o estilo que a obra anunciava. Eu aprendi isso na marra depois de errar uma questão parecida em 2018, num concurso do Tribunal Regional do Trabalho. A partir daí, sempre verifico a data de composição antes de qualquer coisa.

Outra armadilha comum é achar que as escolas literárias são caixas estanques. Não são. O Realismo no Brasil começa em 1881 com Memórias Póstumas de Brás Cubas, mas As Primeiras Estrelas de Aluísio Azevedo, de 1875, já carrega traços naturalistas. A transição não acontece num dia. Se você for fazer esse escolas literarias resumo com seriedade, precisa tratar os movimentos como processos, não como eventos com data de inauguração.

Preliminares e Barroco

O Preliminarismo brasileiro é brevíssimo. AInconfidência Mineira tem vertente literária, mas não dá pra chamar de movimento literário propriamente dito. O que existem são poemas civicos e satíricos produzidos no contexto político. A banca ama cobrar que o principal autor é tomás António Gonzaga, mas aqui a pegadinha é distinguir entre a produção poética de caráter político e a obra literária em si. Os versos de Marília de Dirceu têm valor literário, mas serviriam como documento histórico em qualquer questão sobre o período. O Barroco é outro assunto que todo mundo resume mal. O erro mais frequente é tratar Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira como se pertencessem à mesma coisa. Ambos são barrocos, mas a função do barroco muda completamente entre um e outro. Gregório trabalha a antítese como estrutura poética: pecado e graça, carne e espírito, tudo em tensão. Vieira trabalha a antítese como estratégia retórica. Serões do Padre Antônio não são poesia, são sermones construídos para convencer. Quando a questão pede a característica barroca predominante, é preciso identificar em qual eixo a obra opera.

Outro detalhe que quase ninguém leva em conta: o Barroco português e o Barroco brasileiro não são a mesma coisa em termos cronológicos. O Barroco lusitano se estende até meados do século XVIII, enquanto no Brasil ele sobrevive de forma peculiar graças ao ciclo do ouro e à riqueza mineral que financiou a arte sacra. A Escola Mineira, com Aleijadinho e outros, é barroco tardio que muitas bancas classificam erroneamente como rococó. Não é. O rococó europeu é outra coisa, mais decorativa e menos tensa spiritualmente. Aleijadinho não faz decoração. Ele faz sofrimento esculpido em pedra.

Arcadismo

O Arcadismo é o movimento mais cobrado em concursos e o mais mal compreendido pelos candidatos. Todo mundo decora "bucolismo, escapismo, mitologia, louvor à vida no campo" e vai pra prova. O problema é que a banca quase sempre apresenta um texto que parece pastoril mas na verdade contém crítica social disfarçada. O ufanismo arcádico é camada superficial. O fundo é iluminista. A Inconfidência Mineira de 1789 não é coincidência temporal. Os arcádios brasileiros usavam o pseudônimo pastoril exatamente porque era uma forma de circularem ideias subversivas sem ser capturados pela censura portuguesa. Tiradentes não era poeta. Mas Tomás Antônio Gonzaga era. E a relação entre os dois é mais profunda do que muitos resumos deixam transparecer. Gonzaga escreveu versos que criticavam a monarquia portuguesa de forma direta. O próprio poema Vila Rica, de 1812, pode ser lido como documento de denúncia da exploração colonial.

O segredo aqui é entender que o arcadismo brasileiro é, acima de tudo, um movimento de resistência cultural. Quando a banca pergunta qual a principal inovação do arcadismo no Brasil, a resposta correta não é "introdução de pseudônimos" ou "uso de nomes pastoris". A inovação é a criação de uma voz literária brasileira dentro de uma tradição imperial. Antes disso, a produção literária no Brasil era essencialmente religiosa ou cronística, feita por portugueses ou padres jesuítas. Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e otheres escreveram como brasileiros, não como súditos portugueses.

Romantismo

O Romantismo brasileiro se divide em três gerações e essa divisão é mais importante do que muitos resumos mostram. A primeira geração é indianista e nacionalista. Gonçalves de Magalhães, José de Alencar. A segunda é ultrarromântica, mal do século, poesia_funeral. Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Gontijo de Morais. A terceira geração é condoreira, política, abolicionista. Castro Alves, Sousândrade. O erro comum é tratar essas gerações como se fossem escolas separadas. Elas não são. São fases de um mesmo movimento que evoluía conforme a política brasileira evoluía. A primeira geração coincide com a independência e a busca por identidade. A segunda coincide com o reacionarismo da Regência e do Segundo Reinado. A terceira coincide com as agitações que levariam à queda da monarquia.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Uma questão que cai com frequência e que causa confusão é a classificação de Macunaíma. Muitos candidatos acham que Mário de Andrade é romântico porque escreveu em finais do século XIX. Errado. Macunaíma é modernista, publicado em 1928, e sua linguagem fragmentada, seu sincretismo cultural e sua desconstrução do herói nacional são tipicamente modernistas. A confusão vem do fato de que Mário de Andrade bebeu muito do romantismo indigenista de Alencar, mas o transformou de maneira radical.

Realismo e Naturalismo

Realismo e Naturalismo são movimentos distintos e a maioria dos resumos trata como sinônimos. Isso é errado e causa perda de ponto. O Realismo é corrente filosófica e literária que privilegia a observação crítica da sociedade, a análise psicológica e a ruptura com o idealismo romântico. O Naturalismo é uma vertente do Realismo que aplica princípios deterministas, baseados em ciência positivista, ao tratamento dos personagens. Para o Naturalismo, o indivíduo é produto do meio, da hereditariedade e do momento social. Machado de Assis é realista. Aluísio Azevedo é naturalista. Quando a questão pede para identificar características naturalistas, responder "ironia machadiana" está errado. A ironia de Machado é ferramenta realista de crítica social, não naturalista de determinismo biológico. Dom Casmurro não diz que Capitu é traiçoeira porque ela nasceu assim. Diz que a traição é construida pela percepção narradora, que é falha e subjetiva. Isso é realismo psicológico, não naturalismo.

Já O Cortiço, de Azevedo, é naturalismo puro. Jerônimo é produto do meio, da bebida, da carne. Rosa é produto da miséria e da sexualidade descontrolada. O cortiço é personagem porque é força natural que devora todos os que habitam. Se a banca apresentar um trecho onde o ambiente determina incondicionalmente o comportamento dos personagens, é naturalismo. Se apresentar um personagem que reflete, engana, constrói narrativas sobre si mesmo, é realismo.

Parnasianismo e Simbolismo

Esses dois movimentos coexistiram no final do século XIX e início do XX e muitas bancas confundem. A diferença fundamental é estética e filosófica. O Parnasianismo é formalista, objetivo, culto à forma perfeita, linguagem depurada, temas clássicos e mitológicos. O Simbolismo é subjetivo, musical, sugestivo, mistério, espiritualidade, fuga da matéria. Alberto de Oliveira e Gustavo Nadaud são parnasianos. Cruz e Souza é simbolista, embora tenha sido parnasiano em formação. A questão que mais causa erro é classificar Cruz e Souza. Ele publicou livros parnasianos no início da carreira e simbolistas depois. Os Pré-Ideias e Evocações são obras simbolistas. Os Sestinas são parnasianas. Se a questão não especificar qual obra, a resposta depende do contexto apresentado no trecho.

Pré-Modernismo e Modernismo

O Pré-Modernismo é um período de transição, não um movimento com programa definido. Lima Barreto, Monteiro Lobato, Graça Aranha, Rui Pereira escreviam sob influência realista-naturalista mas com temas urbanos e problemas sociais que o Realismo europeu não abordava da mesma forma. A característica marcante é o tom de denúncia e a atenção às camadas populares, especially negros, mulatos e sertanejos marginalizados. O Modernismo brasileiro explode em 1922 com a Semana de Arte Moderna. Mas o modernismo não começa e termina ali. Ele se divide em três fases. A primeira fase, 1922-1930, é derompimento radical, experimentalismo linguístico, antropofagia. Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira. A segunda fase, 1930-1945, é de consolidação, retomada de formas clássicas, maior rigor técnico. João Cabral de Melo Neto,Carlos Drummond de Andrade nesta fase inicial. A terceira fase, pós-1945, é de diversificação, concretismo, marginalidade, marginalidade cultural.

Apegadinha clássica: Drummond não é modernista puro. Ele transita entre modernismo e tendência contemporânea. Seu poema Sentimento do Mundo, de 1934, é modernista em forma e temática. Mas seus poemas posteriores mostram influência de tendências mais reflexivas que antecipam a poesia concreta. Quando a banca pede para classificar Drummond, o é dizer "modernista brasileiro da segunda fase" e evitar rotulá-lo como concreto, pois o Concretismo é movimento posterior e distinto.

Geração de 45 e Contemporaneidade

A Geração de 45, também chamada de neossimbolismo, surge como reação ao engajamento social da literatura dos anos 30. João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Manuel Bandeira nesta fase tardia. A preocupação é estética, não social. A palavra é construída como objeto, não como veículo de mensagem política. O Concretismo dos anos 1950 é movimento gráfico e poético que vê a palavra como matéria visual. Haroldo de Campos, Auguste de Campos, Décio Pignatari. A Confederação do Equador, de Haroldo, é marco inicial. A poesia concreta não se lê: se vê e se lê simultaneamente. A disposição espacial das palavras na página é parte do significado.

A poesia marginal dos anos 1970-80 é fenômeno de contracultura urbana. Autodiversas publicações, circulação em bares e centros culturais, tema cotidianos e linguagem coloquial. Ferreira Gullar publicou Versus em 1970 e foi precursor. A margem não era só estética. Era política. O regime militar censurava. Poesia marginal circulava clandestinamente. O que eu recomendo para quem está estudando é esquecer a ideia de que precisa decorar tudo. Escolha três obras de cada movimento e leia trechos. O resto vem naturalmente quando você consegue sentir a diferença entre um verso parnasiano e um simbolista, entre um romance realista e um naturalista. O tempo que você gastaria decoreba rende muito mais quando você lê. Um resumo bem feito sobre escolas literárias não é uma lista de características. É uma ferramenta de leitura.

Se você quiser material de apoio, os melhores resumos que eu encontrei são aqueles que organizam os movimentos em tabelas comparativas, mas atenção: tabela é ponto de partida, não de chegada. Complete sempre com a leitura dos textos. A prova não pergunta o que é o arcadismo. Pega um trecho e pergunta o que ele revela sobre o movimento que o produziu. Isso só se aprende lendo.