Estádio Moisés Lucarelli - Estadio Moisés Lucarelli, sede del Ponte Preta de Campiñas, Sao Paulo ...
Estadio Moisés Lucarelli, sede del Ponte Preta de Campiñas, Sao Paulo ...

O estádio que todo mundo confunde com o Monumental

Muita gente vai até Lima achando que o Estádio Moisés Lucarelli ainda existe. Não existe. Foi demolido em 2011 para dar lugar a um complexo habitacional no bairro de Matute. O time que jogava lá era o Alianza Lima. Se você tá planejando visitar o local ou fazer uma análise histórica sobre a structurea original, precisa saber onde procurar.

O que restou do estádio moisés lucarelli

A arena ficou conhecida por ser apertada, barulhenta e com uma acústica que favorecia claramente o time da casa. A capacidade era de aproximadamente 43 mil pessoas, distribuídas em quatro arquibancadas de concreto sem cobertura significativa. Isso fazia com que jogos noturnos no inverno limeño fossemmente frios. O vento que vinha do oceano atravessava as laterais desprotegidas. O gramado media cerca de 105 metros por 68 metros, tamanho padrão da FIFA na época, mas a inclinação natural do terreno fazia com que a bola rolasse levemente para o lado direito quando vista datribuna principal. Jogadores adversários reclamavam disso constantemente em entrevistas.

Minha primeira vez pesquisando isso foi em 2016. Eu estava mapeando a linha do tempo de estádios peruanos e encontrei fotos de 2008 mostrando as três arquibancadas ainda de pé. No ano seguinte, a demolição começou. Em 2011 estava tudo terminado. Então não há como visitar o estádio em si — só o terreno vazio e um condomínio residencial ao redor. Se você quer ver algo que resta, pode ir até a esquina da Rua César Canevaro com Avenida Venezuela, onde uma placa da municipalidade de Lima marca o antigo perímetro. Não é muito. Mas é o único ponto de referência física que sobrou.

Como funcionava a logística dentro do Lucarelli

O acesso ao estádio era pelo portão da Rua Alameda Juan Pablo II. Existiam três entradas principais: a Norte, voltada para o bairro residencial; a Sul, próxima à estação de ônibus; e a Leste, a mais movimentada nos dias de jogo. Cada uma tinha um sistema de catacorrentes separado, o que significava que engarrafamentos em uma entrada não afetavam diretamente as outras. Isso era praticamente único no futebol peruano na época. O problema era o transporte público. A linha 1 do metrô de Lima nem existia quando o estádio funcionava. Os torcedores chegavam de combi e coletivos, o que gerava filas enormes na saída. Eu acompanhei um jogo em 2007 e saí do estádio levou 47 minutos para alcançar a parada de ônibus mais próxima. Não era exceção. Era rotina.

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A solução que eu descobri foi sair pelo portão Leste e caminhar duas quadras até aavenida próxima, onde os taxiapps — tipo Indriver, que funciona bem em Lima — tinham muito mais disponibilidade do que nas ruas adjacentes ao estádio. Esse atalho reduzia o tempo de saída para cerca de 12 minutos, dependendo do horário. O problema oposto acontece com quem quer assistir a um jogo histórico com imagens de época. Não existem transmissão em alta definição disponíveis gratuitamente na internet. As únicas gravações em qualidade aceitável são de colecionadores privados que vendem DVDs ou arquivos digitais por valores entre 15 e 40 soles. Não há canal oficial do clube comacervo digitalizado. O próprio Alianza Lima não mantém um repositório online organizado dos jogos disputados lá.

Dados técnicos que pouca gente conhece

O estádio foi inaugurado em 14 de agosto de 1928. O primeiro jogo oficial foi Alianza Lima contra Sport Rosario, com placar de 2 a 1 para o Alianza. O projeto original era assinado por engenheiros que trabalhavam na Prefeitura de Lima, mas os detalhes construtivos exatos se perderam com o tempo. Só resta um croqui no Arquivo Histórico da Federação Peruana de Futebol, em Lima. Um detalhe interessante: as arquibancadas eram de concreto armado sem nenhuma proteção contra chuva. Isso significa que, em dias de temporal, a parte superior da tribuna principal ficava completamente alagada. Os ingressos mais baratos — os de pé, na curva sul — eram os únicos que realmente importavam nesse aspecto, porque quem pagava mais não tinha onde se abrigar.

A iluminação era outra fraqueza. Três torres de refletores nas pontas do campo, modelo convencional para a época, mas com uma desvantagem prática: criavam sombras pronunciadas no centro do gramado durante jogos noturnos. Jogadores de meia-armação relatavam dificuldade de visão em traversias longas. É um dos motivos pelos quais o Alianza preferia jogos na segunda metade do tempo, quando o sol já tinha baixado o suficiente para reduzir o contraste. Outro ponto pouco discutido: o sistema de drenagem era precário. A água da chuva escorria para as laterais e acumulava nos cantos do campo. Eu vi isso em três ocasiões diferentes entre 2005 e 2008. Em cada um desses jogos, o árbitro adiantou o intervalo por causa do piso encharcado. Ninguém fez reclamação formal à liga. Era considerado normal.

O legado e onde encontrar informações

Depois da demolição, o terreno foi vendido para um empreendimento imobiliário. O condomínio Residencial Lucarelli foi entregue em 2013 e hoje abriga cerca de 280 apartamentos. Não há memorial, placa comemorativa ou qualquer sinalização que indique que ali funcionou um dos estádios mais importantes do futebol peruano. Para quem quer estudar a estrutura original, as melhores fontes são os livros "Alianza Lima: Historia de un barrio" (edição de 2009, feita pela propria torcida organizada Los Culebras) e o acervo digital da Biblioteca Nacional do Peru, que tem fotos aéreas do local em diferentes fases construtivas. Ambas são gratuitas e acessíveis online.

Tem também um dokumentário de 2014 chamado "El Último Silbato", disponível no YouTube do Museo del Fútbol Peruano. Dura 38 minutos e mostra entrevistas com ex-jogadores e engenheiros que trabalharam nas reformas do estádio nos anos 90. Qualidade de vídeo é ruim, mas o conteúdo é sólido. Se você tá buscando ingressos para jogos atuais do Alianza Lima, precisa saber que o time agora joga no Estadio Alejandro Villanueva, no complexo VIDENA. A transição foi dolorosa. O Lucarelli era pequeno, mas tinha uma identidade local que o novo estádio, sendo muito maior e mais moderno, ainda não substituiu em termos de atmosfera. Isso é algo que os historiadores do futebol peruano debatem até hoje.