Quando usar e quando não usar
A confusão entre eu pedi e eu pedir acontece todo dia nos fóruns e nos grupos de estudo de português. A diferença é simples na teoria, mas na prática as pessoas erram porque não pensam no tempo verbal antes de escrever. Eu pedi é o passado. Pretérito perfeito do indicativo. Você usou quando a ação já aconteceu, quando você já fez o pedido. Eu pedir é o infinitivo pessoal com a primeira pessoa do singular. Ele aparece em contextos diferentes, geralmente depois de preposição ou em construções mais longas. Não dá para trocar um pelo outro.
eu pedi ou eu pedir — como não errar
Na hora de escrever, a primeira coisa que eu faço é verificar se o verbo está num contexto de ação concluída. Se foi ontem, se já aconteceu, se tem um marcador temporal como "ontem", "na semana passada", "há dois dias", a resposta sempre é eu pedi. O erro mais comum que eu vejo é alguém escrevendo "eu pedir três exemplares" no passado, o que simplesmente não existe em português padrão. Um caso específico que me deu trabalho recentemente envolveu uma análise de texto para um concurso. A banca cobrava uma questão onde o candidato tinha que identificar se "eu pedir" estava correto numa frase como: "Ele me obrigou a pedir ajuda". O aluno que corrigia marcou como erro porque achava que deveria ser "eu pedi". O problema é que nesse caso o pronome "me" cria ambiguidade na cabeça de quem está corrigindo no piloto automático, e muita gente erra justamente por pressa. O correto ali era mesmo o infinitivo, porque depende do "obrigou a" — não é o sujeito que faz a ação diretamente no passado, é uma construção infinitiva. Anotei isso nos meus cadernos na época e desde então reviso sempre esse tipo de construção com mais atenção.
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Outra coisa que os manuais não mostram é que o infinitivo pessoal "eu pedir" soa bastante formal no português brasileiro do dia a dia. Ninguém fala assim na prática. A gente ouve "pedi" o tempo inteiro, inclusive quando deveria ter "pedir", porque o passado colou no vocabulário das pessoas. Isso gera frases do tipo "eu pediu" — um erro ainda mais frequente — e a confusão aumenta. O "ele pediu" é que é o terceiro pessoa, não o primeiro. Misturar isso é o erro clássico. Para testar se está certo, eu uso um truque simples: substituo por outro verbo qualquer. Se "eu ver" soa natural no contexto, é infinitivo. Se "eu vi" soa natural, é passado. Funciona com 95% dos casos. Os 5% restantes são aqueles onde a regência do verbo exige uma análise mais detalhada do que eu normalmente faço rapidinho. Quando sinto essa dúvida, eu consulto o Dicionário Houaiss Online ou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do Acordo Ortográfico antes de fechar minha resposta. Em questões de concurso ou redação, perder dois minutos nisso evita errar a questão inteira.
Se você está começando agora, o melhor caminho é ler bastante português escrito de qualidade — jornal, conto, artigo técnico. A repetição expõe o ouvido natural às formas corretas sem precisar decorar tabela de conjugação. Eu comecei assim e hoje consigo identificar o erro em dois segundos, quase sem pensar. Demorou uns três anos pra chegar nesse ponto, então não adianta ter pressa. O processo de absorção é lento, mas constante. E quando você finalmente pega o jeito, nunca mais esquece.