Ex De Comparação - Comparação (figura de linguagem): o que é, exemplos e exercícios ...
Comparação (figura de linguagem): o que é, exemplos e exercícios ...

O que é exemplar de comparação e por que ele aparece em tudo

Um exemplar de comparação é, basicamente, uma amostra autenticada que serve de parâmetro para comparar com outra coisa duvidosa. No Brasil, o termo mais usado é exemplar de comparação, mas você vai encontrar ex de comparação em alguns editais, notas técnicas e peças forenses. É o mesmo negócio. A coisa parece simples porque é simples na teoria. Na prática, é onde muita gente erra feio. Eu vi pareceres periciais sendo questionados porque o perito colheu exemplares com condições de iluminação incompatíveis, ou usou papel com textuta diferente do documento contestado, ou ainda pegou assinaturas em momentos muito distintos do tempo sem registrar essa diferença temporal. O juiz não entende nada disso, mas a parte contrária entende.

Como coletar um ex de comparação que aguenta scrutiny

O procedimento padrão, aquele que todo manual de perícia gráfica descreve, funciona assim: reúna documentos conhecidos, autênticos e espontâneos do suposto autor, colete amostras ditadas sob condições semelhantes ao documento questionado, e registre tudo com data, hora e meio de coleta. Vou ser mais específico do que os manuais costumam ser. Aqui está o que eu faria se estivesse fazendo hoje:

Passo 1 — Identifique a fonte primária. Isso significa documentos que o suposto autor assinou ou escreveu sem qualquer indicação de que estavam sendo coletados para perícia. Contratos, recibos, cartões de ponto, e-mails impressos, formulários preenchidos pela mão. Quanto mais antigos forem e mais próximos no tempo do fato contestado, melhor. Documentos coletados após o início de uma disputa já nascem contaminados pela consciência de quem os assina. Passo 2 — Reúna entre 5 e 15 exemplares espontâneos, dependendo da complexidade. Um contrato único não basta. Uma ficha médica única também não. A variabilidade natural da escrita humana exige múltiplas amostras para estabelecer o padrão. Se tiver menos de três documentos autênticos do mesmo período, avise o perito antes. Não adianta esconder.

Passo 3 — Colete amostras ditadas. Pegue o mesmo texto do documento questionado e peça para a pessoa escrever novamente, na mesma condição de suporte — mesmo tipo de caneta, mesmo tipo de papel, mesma superfície. Anote a data e o horário. Tire uma foto do original questionado e do cópia ditada lado a lado, com escala métrica na imagem. Isso evita alegações de que as fotos foram manipuladas depois. Passo 4 — Registre as condições de coleta. Temperatura ambiente, iluminação, tipo de superfice, tipo de instrumento de escrita. Parece absurdo registrar isso, mas já vi peritos terem pareceres rejeitados porque não conseguiram reproduzir as condições e a parte contrária apontou que a diferença de resultava em traçado visualmente distinto sem relação com a identidade gráfica.

onde a coisa costuma dar errado

O erro mais frequente que eu vi acontecer é a confusão entre exemplar de comparação e documento autêntico em si. O exemplar de comparação é a amostra que você leva ao perito, não o documento que está sendo analisado. Quando a pessoa entrega o próprio documento contestado como se fosse o exemplar, o perito não tem como trabalhar. Ele precisa de algo externo para comparar. Outro problema comum é a coleta de exemplares ditados em momentos muito distantes temporalmente do fato investigado. A grafia de uma pessoa muda com a idade, com a saúde, com o humor. Se o documento contestado é de 2019 e os exemplares ditados são de 2024, o perito pode até fazer a análise, mas a parte contrária vai apontar a discrepância temporal como fator de inconclusividade. Eu já perdi uma ação por causa disso — não minha, mas de um cliente que reuniu exemplares de anos depois do fato. A solução foi pedir uma nova coleta focada em documentos espontâneos daquele período específico.

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Tem ainda o caso dos documentos coletados em folhas soltas sem contexto. Um recibo digitado em papel A4 branco, sem carimbo, sem número de série, sem any outro elemento identificável. O perito consegue analisar a assinatura isolada, mas perde elementos importantes do contexto documental que poderiam confirmar ou refutar a autenticidade global do documento. Prefira sempre documentos completos, com todas as suas características originais intactas.

questões técnicas que poucos mencionam

A norma ABNT NBR 14725 trata de perícia em documentos e dá diretrizes gerais, mas não entra em detalhes sobre formato de coleta de exemplares. Na prática forense, o que funciona mesmo é o entendimento consolidado nos tribunais. O STJ já decidiu diversas vezes que a falta de exemplares de comparação suficientes ou coletados de forma inadequada invalida o parecer pericial. O TJSP tem jurisprudência densa sobre isso. Um ponto que poucos leigos conhecem: existem dois tipos de análise gráfica que usam exemplares de comparação de formas diferentes. A análise da pressão e dos traços de escrita (perícia grafotécnica clássica) depende quase exclusivamente de exemplares ditados e espontâneos bem coletados. Já a análise de documentos — se um contrato inteiro é autêntico ou falsificado — exige que o perito tenha acesso não só aos exemplares de comparação, mas também a documentos oficiais do suposto autor, como RG, CNH, Certidão de Nascimento, porque esses documentos têm características de fabricação e impressão que servem como referência adicional.

Outro detalhe técnico: a qualidade da digitalização dos exemplares importa mais do que muita gente imagina. Um scan em 200 DPI já é suficiente para análise de pressão e traçado. Para análise de tinta, marca d'água e selos, recomenda-se no mínimo 600 DPI. Eu uso scanner de mesa com iluminação uniforme, nunca foto com celular direto — a distorção de perspectiva e a variação de brilho comprometem a análise em nível pericial. Se não tiver acesso a um scanner adequado, leve os documentos originais ao perito para exame presencial.

o que fazer quando não há exemplar de comparação suficiente

Às vezes a situação é simplesmente assim: não há documentos autênticos suficientes do suposto autor. Nesse caso, o perito pode indicar que a perícia é inconclusiva. Isso não significa necessariamente que o documento é falso — significa apenas que não há base técnica para afirmar ou negar a autenticidade com o material disponível. Em alguns tribunais, a inconclusividade pericial é tratada como prova insuficiente, o que beneficia quem contesta o documento. Em outros, o juiz pode decidir com base em outras provas do processo. Se você está na situação de não ter exemplares suficientes, tente ao menos reunir documentos oficiais emitidos pelo poder público com a assinatura do suposto autor. Contracheques, declarações de imposto de renda, documentos de veículos. São mais difíceis de contestar como coletados fraudulentamente do que papéis simples.

Ex de comparação não é só um formulário que se preenche e se entrega. É um conjunto de amostras que precisa representar fielmente o padrão gráfico de quem se alega ser o autor. Coletar mal é o mesmo que não coletar. E quando a coleta é ruim, o parecer pericial pode ser ignorado, o que transforma todo o resto da estratégia processual em perda de tempo.