Exercicio Hidrocarbonetos - 3ª série - Exercícios nomenclatura hidrocarbonetos | PDF
3ª série - Exercícios nomenclatura hidrocarbonetos | PDF

Resolvendo exercícios de hidrocarbonetos sem perder a sanidade

A maioria dos exercícios de hidrocarbonetos que aparecem em listas e provas gira em torno de três coisas: nomenclatura IUPAC, Isomeria e cálculos estequiométricos de combustão. O problema é que cada um desses tópicos tem armadilhas específicas que os gabaritos nem sempre explicam direito. Vou direto ao ponto. Para nomenclatura, o erro mais comum é errar na cadeia principal. A regra diz para identificar a maior sequência contínua de carbonos, mas isso não inclui necesariamente a corrente mais longa no papel. Se você tem uma estrutura com ramificações, conte os carbonos da cadeia que passa pelos menores números possíveis para as ramificações, não apenas a que tem mais átomos de carbono. Em exercícios com múltiplas duplas ou triplas, a cadeia principal deve ser a que contém o maior número de insaturações, mesmo que seja menor que outra opção. Isso aparece com frequência em exercícios de nível superior e muitos estudantes levam ponto por isso.

exercicio hidrocarbonetos: o que todo mundo erra na parte de isômeros

Isomeria plana e espacial é onde a nota cai. O erro clássico é confundir isomeria de posição com isomeria de compensação (metameria). Uma diferença entre 2-cloropropano e 1-cloropropano é de posição. Uma diferença entre etil-metil-éter e dietil-éter é de compensação. Parece simples até você se deparar com um exercício de hidrocarbonetos que pede para listar todos os isômeros do C6H14. São cinco isômeros de cadeia. Se alguém te disser que são quatro, está errado. Se disser seis, também está errado. O hexano linear, o 2-metilpentano, o 3-metilpentano, o 2,2-dimetilbutano e o 2,3-dimetilbutano. Memorize essa lista ou saiba derivá-la. No meu caso, já vi um professor cobrar como isômero do 3-metilpentano o 2-etilbutano. Isso não é um isômero válido porque, ao nomear corretamente, 2-etilbutano vira 3-metilpentano. O carbono da ramificação se torna parte da cadeia principal. Esse tipo de pegadinha aparece com frequência em listas e provas discursivas.

Para isomeria geométrica (cis-trans ou E/Z), o ponto que muita gente esquece é que duplas ligadas a anéis contam. O 1,2-dimetilciclopropano tem isômero cis e trans. A diferença entre a notação cis/trans e E/Z só importa quando há três ou quatro substituintes diferentes nos carbonos da dupla. Para exercícios introdutórios, cis/trans basta. Para questões mais elaboradas, use a regra de prioridade de Cahn-Ingold-Prelog. Sobre cálculos de combustão, a equação geral para alcanos é CnH2n+2 + (3n+1)/2 O2 -> n CO2 + (n+1) H2O. Para alcenos, CnH2n + 3n/2 O2 -> n CO2 + n H2O. Para alkinos, CnH2n-2 + (3n-1)/2 O2 -> n CO2 + (n-1) H2O. Saber isso economiza tempo, mas o exercício raramente pede só para balancear. Ele vai dar volumes, massas ou condições específicas. Se a questão mencionar CNTP, use 22,4 L/mol. Se for condições ambientes, use 24 L/mol. Não misture os dois valores na mesma resolução.

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O problema real acontece quando o enunciado não deixa claro se o combustível está em excesso ou se o oxigênio é limitante. Já perdi mais tempo do que deveria corrigindo provas onde o aluno fazia o cálculo certo para o reagente limitante, mas o professor esperava que ele identificasse primeiro qual era o limitante. A resposta numérica podia estar certa e mesmo assim valer zero pontos. Sempre indique explicitamente qual é o reagente limitante antes de prosseguir com a estequiometria. Outra situação que vejo quase todo semestre: exercícios que pedem a massa de CO2 produzida a partir de um volume de gás medida em condições não padrão. A tentação é aplicar a regra de três direta. Isso não funciona. Primeiro converta o volume para mols usando PV=nRT ou a tabela de condições específicas dadas no enunciado. Só depois use a proporção estequiométrica. Pule esse passo e o resultado final estará errado mesmo que o raciocínio estequiométrico esteja correto.

Se você precisa de exercícios para praticar, a melhor fonte são as listas do IME, do ITA e as provas do ENEM dos últimos dez anos. O INEP atualiza o banco anualmente. Para nomenclatura IUPAC, o site da IUPAC tem a documentação técnica completa, mas é densa. Para quem está estudando para concurso ou vestibular, a Blue Book (Nomenclatura de Química Orgânica, edição de 2013) é a referência direta. Evite sites que apenas copiam exercícios sem gabarito comentado. Um erro não corrigido vira vício. Hidrocarbonetos aromáticos trazem outra camada de dificuldade. A nomenclatura de substituintes no anel benzênico segue regras diferentes. Se houver apenas um substituinte, o nome do radical mais "benzeno" é aceitável: metilbenzeno ou tolueno, por exemplo. Com dois substituintes, use as posições 1,2 (orto), 1,3 (meta) e 1,4 (para). Com três ou mais, numere de forma que os substituintes tenham os menores índices possíveis. A soma dos índices deve ser mínima, não apenas o primeiro índice.

Um detalhe prático que não custa lembrar: em exercícios que misturam alcenos e cicloalcanos com a mesma fórmula molecular, a isomeria é de função. Penteno e ciclopentano têm a mesma fórmula C5H10. Eles não reagem da mesma forma. O penteno descolora bromo e água de bromo. O ciclopentano, não. Esse teste de laboratório pode ser cobrado em questões de identificação. O principal limitador ao estudar hidrocarbonetos é a falta de visualização tridimensional. Isomeria ótica não entra no papel. Se você consegue montar modelos moleculares físicos ou usar softwares gratuitos como o Avogadro ou o MolView, ganha uma compreensão que listas de exercícios sozinhas não oferecem. Leva cerca de duas horas para configurar o software e modelar os primeiros compostos, mas essa hora e meia economiza horas de confusão depois.

Se o seu foco é rapidão para prova, aPriorize a prática de contagem de isômeros e balanceamento de equações de combustão. Esses dois tópicos representam mais da metade das questões em vestibulares tradicionais. Nomenclatura IUPAC cobra regras fixas que se decoram. Isomeria cobra interpretação e atenção a detalhes que só vêm com repetição.