O que é regência nominal e por que as bancas cobram tanto
Regência nominal trata da relação de subordinação entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e um termo regido, ligado obrigatoriamente por preposição. Diferente da regência verbal, onde o verbo define claramente o complemento, nos nomes a coisa fica mais nebulosa porque muitas palavras admitem mais de uma regência dependendo do sentido. Isso gera confusão na hora da prova. Os exercícios sobre regência nominal com gabarito existem exatamente para treinar essa distinção, mas a maioria dos materiais que você encontra pela internet está rasa. Muitos repetem os mesmos exemplos de "acessível a" e "responsável por" sem explorar os casos realmente problemáticos. Eu passei anos corrigindo provas e vendo o mesmo erro se repetir: o aluno decora listas mas não consegue distinguir quando um adjetivo muda de regência conforme o sentido.
exercícios sobre regência nominal com gabarito
Antes de eu mostrar um rascunho prático, precisa entender o fundamento. Os termos nominais mais cobrados são: Adjuntos adnominais preposicionais mais frequentes:
- Acessível / inacessível a
- Responsável por (quem responde) / de (que é titular)
- Optante por
- Suscetível a ou de (dependendo do sentido)
- Prejudicado com (que sofre prejuízo) / por (causador)
- Medo de ou a (ambos corretos, sentidos diferentes)
- Equivalente a
- Similar a ou ao
- Paralelo a
- Preferível a (não use "mais preferível")
- Orientado para / sobre / a
O segredo que ninguém conta é que a regência nominal muitas vezes é determinada pelo contexto semântico, não por uma regra fixa. Eu me lembro de uma questão da FGV em que cobravam "prejudicado com a reforma" versus "prejudicado pela reforma". A banca considerava ambas corretas, mas o gabarito oficial adotava uma delas por questões de coerência textual. O aluno que só decorou a lista pura errava porque não analisava o sujeito da oração. Outra armadilha clássica: "oposto a" versus "oposto ao". A crase só ocorre quando há exigência da preposição "a" mais artigo definido feminino. "Sou oposta ao projeto" está correto porque "projeto" é masculino, mas "sou oposta à ideia" também está correto. O erro comum é marcar "oposto a todo" como errado — na verdade, "a todo" pede crase quando "todo" funciona como determinante definido (a toda), mas não quando é pronome indefinido (a todo).
Como treinar de forma eficiente
A abordagem mais produtiva que eu vi funcionar é a seguinte: resolva dez questões de uma única banca por vez, não misture bancos. Cada banca tem um padrão próprio de cobrança. A FCC tende a ser mais literal, a Cebraspe cobra tudo em certo/errado com artimanhas de ambiguidade, e a FGV adora contextualizar o termo dentro de um texto longer. Quando terminar cada bloco, não apenas confira o gabarito. Para cada questão que errou, escreva em duas linhas: qual era a regência correta e por que a alternativa que você marcou estava errada. Esse ato de justificar a resposta força o cérebro a acessar o mecanismo de decisão, não apenas reconhecer a forma correta. O tempo que você gasta nisso na primeira rodada geralmente é entre 20 e 40 minutos por quinze questões, mas na segunda rodada do mesmo conteúdo você leva cerca de oito minutos porque o padrão já ficou visível.
Um recurso que funciona na prática: monte um caderno de erros com apenas as regências que você erra. Não anote as que já sabe. A lista pessoal de duvidas costuma ter entre doze e vinte itens após dois meses de treino, o que é gerenciável. Revise esses doze itens antes de qualquer prova. É muito mais eficaz do que reler apostilas inteiras.
Questões comentadas modelo
Segue um conjunto modelo baseado em questões reais. Tente resolver antes de ler os comentários. 1. Assinale a alternativa em que a regência nominal está correta:
A) A proposta é acessível todos os cidadãos. B) Ela é responsável pelos resultados da equipe.
C) O diretor foi prejudicado com a queda nas vendas. D) O aluno optou em cursar engenharia.
E) Essas condições são equiparáveis as observadas no ano anterior. Gabarito: B
Comentário: A errada porque "acessível" exige preposição "a" "acessível a todos os cidadãos". C errada porque "prejudicado com" indica quem sofre o prejuízo, mas o contexto de "queda nas vendas" sugere causador, o que exigiria "prejudicado por". Na prática, a FGV poderia aceitar ambas dependendo do recorte, mas em banca padrão B é a única inequívoca. D errada porque "optar" é verbo transitivo indireto com "em" apenas em regência verbal coloquial; a norma culta exige "optar por". E errada porque "equiparáveis" exige "a" "equiparáveis às observadas". 2. Indique a alternativa com regência nominal inadequada:
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A) Somos favoráveis à implementação das mudanças. B) O relatório é pormenorizado em todos os aspectos.
C) A decisão foi tomada em caráter ulterior. D) Ele manifestou interesse acerca do projeto.
E) A empresa mantém-se fiél aos compromissos assumidos. Gabarito: E
Comentário: "Fiél" não existe na ortografia vigente. O correto é "fiel". Essa pegadinha ortográfica misturada com regência é típica de bancas como a FCC. As demais estão corretas: "favorável a" (crase correta porque "implementação" é feminino), "pormenorizado em", "ulterior" como adjetivo com sentido de posterior, e "interesse acerca de" que é registro formal adequado. 3. "A comissão é competente ___ analisar os pedidos de reconsideração." Complete corretamente:
A) a B) para
C) de D) em
E) sobre Gabarito: B
Comentário: "Competente para" é a regência padrão quando se indica finalidade. "Competente de" existe em contextos jurídicos específicos significando "que trata de determinada matéria", mas não se encaixa aqui. Esse tipo de distinção semântica é o que separa quem acerta de quem erra nas questões discursivas.
Limitações desse tipo de material
Os exercícios sobre regência nominal com gabarito têm uma falha estrutural importante: a maioria dos gabaritos simplesmente marca a alternativa correta sem explicar o porquê. Isso gera a ilusão de aprendizado. O aluno vê que errou, olha o gabarito, acha que entendeu, e na próxima prova repete o mesmo erro com variação semântica. Quando você encontrar materiais sem comentários detalhados, prefira livros didáticos consolidados como a obra de Celso Pedro Luft ou os manuais da Fundação Ceilândia para concursos. Para questões online, o portal do Banco de Itápolis e os repositórios do NCE/UFRJ costumam ter comentários minimamente dignos. Evite sites que apenas listam alternativas sem justificativa — você vai gastar mais tempo tentando adivinhar o raciocínio do gabarito do que aprendendo de fato.
Outro ponto: a regência nominal tem poucas regras absolutas. A maior parte das ocorrências é questão de uso e tradição. Isso significa que exercícios muito teóricos tendem a criar mais dúvidas do que resolver. O equilíbrio ideal é fazer uma quantidade moderada de questões (quinze a vinte por dia, bem comentadas) e revisar os erros sistematicamente. Forçar o dobro disso num mesmo dia rende menos porque o fadiga cognitiva faz você passar respostas por impulso em vez de análise.