Função Sintática Dos Pronomes Relativos - Função Sintática dos Pronomes Relativos by Florinda Sampaio on Prezi
Função Sintática dos Pronomes Relativos by Florinda Sampaio on Prezi

Pronomes Relativos e a Função Sintática Que Ninguém Explica Direito

Pronomes relativos ligam orações e retomam um termo anterior. A maioria das pessoas Aprende que "que", "onde", "cujos" existem e que eles se referem a algo dito antes. Mas a parte que realmente importa — e onde as pessoas erram consistentemente — é identificar a função sintática que o pronome exerce dentro da oração subordinada. Essa é a parte que define se a frase está correta ou não, e é também a parte que os manuais de gramática tratam de forma superficial. O erro mais comum que vejo em revisões de textos técnicos, contratos e redações formais é o de tratar a função sintática do pronome relativo como se fosse fixa. Ela não é. A função muda conforme o papel que o pronome ocupa na oração subordinada, não na principal. Isso parece óbvio dito assim, mas na prática gera erros que passam despercebidos até alguém com olhar treinado apontar.

Como determinar a função sintática dos pronomes relativos de forma prática

O método que eu uso — e recomendo — é isolado a oração subordinada e responder três perguntas dentro dela: qual é o verbo? Qual é o sujeito? O pronome relative ocupa qual posição em relação a esse verbo? A resposta para a terceira pergunta é a função sintática. Pegue este exemplo: "O relatório que o diretor pediu foi aprovado." A oração subordinada é "que o diretor pediu". O verbo é "pediu". O sujeito é "o diretor". Resta perguntar: o que o diretor pediu? Pediu o relatório. Ou seja, "que" retoma "relatório" e exerce a função de objeto direto dentro da subordinada. Simples, mas a identificação correta exige que você desmonte a frase e analise a subordinada como se fosse independente.

Agora um caso onde a coisa complica: "A política a que todos se referiram gerou protestos." Subordinada: "todos se referiram a que". Verbo: "se referiram" (referir-se). Sujeito: "todos". A pergunta é: a quem todos se referiram? Referiram-se à política. O pronome "que" retoma "política" e exerce a função de objeto indireto. A preposição "a" não é parte do pronome — ela pertence à regência do verbo "referir-se". Esse é um ponto que muita gente não internaliza. Outra pegadinha comum: "O edifício onde moramos está sendo reformado." Subordinada: "nós moramos onde". Verbo: "moramos". Sujeito: "nós". "Onde" retoma "edifício" e funciona como adjunto adverbial de lugar. O "onde" já carrega implicitamente a ideia de preposição ("em que"), então não se repete "em onde" — essa construção é considerada erro por boa parte dos normativos, embora esteja presente na fala cotidiana.

Quando se trata de "cujo", a análise é diferente porque "cujo" nunca é sujeito nem objeto. Ele sempre funciona como adjunto adnominal. "A empresa cuja falência ocorreu foi adquirida." Subordinada: "a falência de quem ocorreu?" — "cuja" retoma "empresa" e "falência" é o sujeito de "ocorreu". O pronome "cujas" / "cujo" sempre se liga a um substantivo que vem em seguida, e esse substantivo é quem desempenha a função sintática na oração, não o pronome em si. É uma distinção sutil mas importante.

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Os casos em que a análise tradicional falha

Existem situações em que a função sintática do pronome relativo não é tão linear assim. Um exemplo que encontrei recentemente ao revisar um parecer jurídico: "O dispositivo cuja aplicação o juiz se negou a analisar foi questionado." A estrutura é complicada porque há uma oração intercalada ("o juiz se negou a analisar") que quebra a fluxo natural. O pronome "cuja" retoma "dispositivo" e funciona como objeto direto de "analisar" — o juiz se negou a analisar o dispositivo. A preposição "a" pertence a "negou-se a", não ao verbo "analisar". O "cuja" está deslocado da posição canônica por motivo de ênfase ou estilo, o que dificulta a identificação imediata da função. Outro caso problemático é quando o antecedente é uma oração inteira, não um substantivo. "Fazer o que ele pediu é arriscado." Aqui "que" retoma toda a ideia de "fazer" e funciona como objeto direto de "pedido" — ele pediu algo, e esse algo é o ato de fazer. A análise sintática padrão entra em dificuldade porque o antecedente não é um termo isolado, mas um processo. Em contextos formais, isso pode gerar ambiguidade na hora de classificar a função.

Um terceiro problema frequente é a ambiguidade de "que" em frases como "O livro que li e que admirei foi escrito em 1998." Dois "que", duas subordinadas. Cada um pode ter função diferente. O primeiro "que" (que li) é objeto direto de "li". O segundo "que" (que admirei) também é objeto direto de "admirei". Mas se a frase fosse "O livro que me impressionou e que li foi escrito em 1998", o primeiro "que" seria sujeito de "impressionou" e o segundo, objeto direto de "li". A ordem dos verbos e a posição do pronome mudam tudo.

Erros recorrentes e como evitá-los

O erro número um é confundir a função do pronome relativo com a função do antecedente. O antecedente pode ser sujeito na oração principal, mas o pronome pode ser objeto na subordinada. Não há relação direta entre as funções nas duas orações. A função sintática do pronome relativo é sempre determinada pela subordinada, ponto. O erro número dois é usar "onde" para espaços não físicos. "O contexto onde essa regra se aplica" — "onde" só funciona para lugar físico. O correto seria "em que" ou "no qual". Já vi esse erro em documentos oficiais, o que mostra que a confusão é mais comum do que se imagina.

O erro número três é a crase com "que". "Cheguei à conclusão que deveria revisar o plano." Aqui "que" é objeto direto de "deveria revisar" — não há preposição exigida pelo verbo, então não há crase. Alguns escritores colocam crase por analogia com construções como "à qual", mas "que" não leva crase porque não há preposição obrigatória antes dele nesse contexto. Quanto a ferramentas automatizadas, a realidade é que parsers sintáticos convencionais acertam cerca de 60 a 70% das funções de pronomes relativos em português, caindo para 40-50% em construções mais complexas com elipse, inversão ou orações intercaladas. Recomendo usar a análise automática como primeira triagem, mas sempre confirmar manualmente os casos ambíguos. O tempo economizado na revisão inicial compensa o esforço adicional de verificação nos casos problemáticos.

Resumo funcional

Para determinar a função sintática de um pronome relativo, isole a oração subordinada, identifique o verbo e o sujeito dessa subordinada, e pergunte qual complemento o pronome representa. A preposição, quando presente, pertence à regência do verbo, não ao pronome. "Cujo" é sempre adjunto adnominal. "Onde" só funciona para lugar físico. "Que" é o mais versátil e o que mais exige atenção na análise. A prática com exemplos variados é o que realmente fixa o entendimento — teoria isolada não resolve casos limítrofes.