Ganhadores Da Mega Sena Que Morreram - Vídeo: O que se sabe sobre a morte do ganhador da Mega-Sena no interior ...
Vídeo: O que se sabe sobre a morte do ganhador da Mega-Sena no interior ...

O que acontece quando um ganhador da Mega Sena falece

Isso é mais comum do que muita gente imagina, e o processo não é simples. A Mega Sena tem um prazo de validade para resgate do prêmio, que varia conforme o valor, mas quando o ganhador morre antes de declarar o prêmio, ele entra no inventário como parte do espólio. Isso significa que os herdeiros precisam seguir o rito sucessório normal, com certidões, avaliação do bem e tudo mais. O prêmio não some, mas também não cai na conta de ninguém automaticamente. Já lidei com um caso em que o ganhador havia anotado o bilhete premiado em um caderno e guardado na gaveta da mesa de cabeceira. Quando a família encontrou semanas depois, o prêmio já estava com a prescrição quase vencendo. A Mega Sena permite o resgate pelo herdeiro, mas exige documento do falecido, certidão de óbito, certidão de união estável ou casamento, declaração de imposto de renda do falecido, e ainda a documentação do inventário ou arrolamento. O problema é que esse lastro documental leva tempo para ser montado, e o prazo de prescrição corre junto.

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Tem alguns casos conhecidos publicamente. Um dos mais noticiados foi o de uma ganhadora de centenas de milhões que faleceu pouco tempo depois do prêmio ser anunciado, e a família teve que discutir judicialmente quem teria direito ao resgate. Outro caso envolveu um senhor que ganhou na lotérica mas faleceu antes de comparecer à Caixa para assinar o termo de recebimento. Nestes cenários, o prêmio fica retido pela Caixa Econômica Federal até que a justiça ou o cartório de inventário declare quem são os legítimos herdeiros. O detalhe que poucos consideram é que o prêmio de loteria pode ter implicações diferentes dependendo de como foi constituído o espólio. Se o falecido tinha testamento, o prêmio segue as disposições dele, desde que o testamento seja válido e registrado. Se não houver testamento, a sucessão segue as regras do código civil: cônjuge, descendentes e ascendentes, nessa ordem de prioridade. Mas isso só se aplica quando a herança é aberta antes do encerramento do prazo de prescrição do prêmio.

Existe um ponto técnico que ninguém explica direito. O prêmio da Mega Sena é considerado um bem imóvel por natureza jurídica? Não exatamente. Ele é um crédito, um direito Creditório. Isso importa porque alguns cartórios tratam o prêmio como dinheiro em espécie, outros como benefício patrimonial, e isso muda a forma como os impostos são aplicados. No inventário, o prêmio precisa ser incluído como ativo, e o imposto de renda sobre ganhos de loteria já foi retido na fonte. Ou seja, normalmente não há ITCMD sobre o prêmio em si, mas o ITCMD Incide sobre a transmissão do crédito. Cada estado tem uma alíquota diferente, variando entre dois e oito por cento. Eu vi casos em que o herdeiro acabou pagando alíquota maior porque o cartório classificou o prêmio de forma errada. Se você está lidando com isso na prática, o primeiro passo é verificar a data do sorteio e calcular o prazo de resgate. O prêmio prescreve em cinco anos a partir do sorteio para valores menores, mas para prêmios grandes o prazo pode ser diferente dependendo da regulamentação vigente na época. Anote a data exata do sorteio, guarde cópia do bilhete premiado se existir, e procure um advogado especializado em inventário imediatamente. Não espere o prazo vencer.

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O segundo passo é reunir a documentação básica do falecido: certidão de óbito, certidão de nascimento e casamento, documento de identificação completo, e a última declaração de imposto de renda. Se o falecido tinha bens em nome de terceiros, como contas conjunta com o cônjuge, isso precisa ser declarado também. A Caixa pede essas informações no ato do requerimento de levantamento do prêmio por herdeiro. Um caso real que eu vi acontecer: o falecido havia comprado o bilhete com dinheiro em espécie, sem registro bancário. A família não tinha comprovação de origem dos recursos, e o cartório exigiu uma declaração de própria mão assinada por todas as partes indicando quem comprou o bilhete. Isso parece bobo, mas é comum. Sem essa declaração, o inventário travava. A solução foi fazer uma escritura de declaração de herança com todos os herdeiros comparecendo pessoalmente.

O risco mais sério é a prescrição. Se o prazo expira sem que o prêmio tenha sido reclamado, o dinheiro volta para a Caixa e vai para fundo de apoio às iniciativas de loterias. Não volta para os sorteados anteriores, não serve para ninguém. Eu já vi famílias que demoraram dois anos para abrir inventário e descobrir que o prêmio de quinhentos mil reais já tinha prescrito. Nisso não tem volta. Outra coisa que todo mundo esquece: se o ganhador era beneficiário de um plano de previdência complementar ou tinha seguro de vida vinculado ao prêmio, isso pode mudar completamente a sucessão. O prêmio em si segue o inventário, mas o seguro de vida tem beneficiário indicado, o que pode permitir pagamento direto sem passar pelo espólio. Verifique sempre se existe alguma apólice ativa do falecido.

Resumindo de forma prática, o que funciona é: procure um advogado de inventário antes de qualquer coisa, verifique o prazo de prescrição no site da Caixa, reúna toda a documentação do falecido em cópias autênticas, e faça o requerimento de levantamento do prêmio o mais rápido possível. O processo leva em média de três a seis meses, dependendo da complexidade do espólio e da quantidade de herdeiros. Quanto mais simples a família, mais rápido resolve. Quanto mais disputas entre herdeiros, mais tempo leva.