O que é hexag medicina valor
Hexag medicina valor é uma estrutura de pagamento baseada em resultados de saúde adotada por algumas operadoras e prestadores no Brasil. Em vez de pagar por procedimento isolado, o modelo define um valor por paciente ou por grupo de pacientes, com metas clínicas claramente estabelecidas. A lógica funciona bem na teoria. Na prática, exige ajuste fino de dados, acompanhamento contínuo e um contrato muito claro entre as partes. Eu trabalhei com isso há alguns anos quando uma rede de clínicas tentou migrar do modelo fee-for-service para um contrato com base em valor. O problema inicial foi simpler do que se imagina: os dados clinicos não estavam padronizados. Cada unidade usava um sistema diferente, e os códigos de procedencia iam de CNES desatualizados até laudos em PDF livre. Antes de qualquer calculo financeiro fazer sentido, precisei padronizar tudo em tabnet e SQL, e isso sozinho levou três semanas.
Por que usar hexag medicina valor
O modelo faz sentido quando voce tem um volume razoavel de pacientes cronicos ou quando pretende controlar custos de uma população definida. Operadoras usam para reduzir desperdicio. Prestadores usam para garantir receita previsivel desde que os indicadores sejam atingidos. O verdadeiro diferencial é que o pagamenato esta ligado a resultado, nao a volume. Isso muda completamente a dinamica operacional. No meu caso, o grande ganho foi com pacientes diabéticos. O controle glicemico ficou mais rigoroso, as internacoes por descompensacao cairam cerca de 18% em oito meses, e o custo por paciente caiu na média. O contratante ficou satisfeito e a clínica também, desde que os indicadores tivessem sido negociados de forma realista.
Como implementar na prática
Vamos direto ao passo a passo. O primeiro item é mapear a populacao-alvo. Identifique quem vai entrar no programa, quais doenças ou condições vão compor o escopo, e defina um perido inicial de transicao. Nao tente incluir tudo de uma vez. Eu recomendo começar com uma unica especialidade ou grupo de procedimentos, mesmo que pequeno, para calibrar os numeros antes de escalar. O segundo passo é alinhar indicadores. Os mais comuns sao taxa de reinternacao, controle de parametros clinicos (glicemia, pressão arterial, peso), adesao ao tratamento e custo total por paciente. Defina cada indicador com a fonte de dados correspondente. Documente quem responde por cada métrica dentro da sua equipe. Se voce deixar isso para depois, vai perder tempo refazendo contratos e relatórios.
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O terceiro passo e o mais critico: estruturar os dados. Validação cruzada entre sistemas internos, padronizacao de codigos (CID, procedimento, tabnet), e um painel de acompanhamento em tempo real sao essenciais. Ferramentas como tabelas dinâmicas no Excel servem para o inicio, mas se o volume crescer voce vai precisar de SQL ou Power BI. Eu uso SQL para agregacao e Power BI para visualizacao dos indicadores mensal.
Erros comuns que eu já vi acontecerem
O erro mais frequente é superestimar a capacidade operacional sem ajustar a equipe. Quando o contrato entra em vigor, a demanda pode aumentar rapidamente, especialmente se houver bonificação por resultados. Sem planejamento de fluxo de consulta e acompanhamento, o sistema entra em colapso em duas ou tres semanas. Eu vi uma clínica ter que pausar o programa porque nao tinha médicos suficientes para atender a crescente procura. Outro erro grave é negociar indicadores impossíveis de acompanhar. Por exemplo, exigir redução de 30% em reinternações sem ter como monitorar a adesao medicamentosa ou o acompanhamento pós-alta. O indicador precisa ser mensuravel e dentro do controle real da equipe. Se voce nao consegue medir, nao pode responsabilizar ninguém por ele.
Bônus: como obter acesso ao modelo hexag medicina valor
Este modelo funciona principalmente por meio de contratos diretos entre operadoras de saúde e prestadores, ou através de plataformas de gestão clínica que oferecem módulos específicos. Não existe um download público ou site oficial com acesso livre, pois se trata de uma metodologia contratual e operacional, nao de um software disponivel publicamente. Se voce representa uma clínica ou rede de atendimento e quer adotar o modelo, o caminho é:
- Entrar em contato com operadoras de saúde da sua região e propor pilotos com grupos pequenos de pacientes.
- Buscar consultorias especializadas em saúde suplementar que oferecam acompanhamento na estruturacao de indicadores e gestão de dados.
- Utilizar plataformas de Gestão Clínica como SAGE, Omie Saúde, ou Softplan Saúde, que possuem modulos capazes de supportar métricas de valor.
Quero deixar claro que existem limitacoes sérias. O modelo exige investimento inicial em tecnologia e treinamento. Para pequenas clínicas sem volume suficiente, o custo-beneficio pode nao ser positivo. Nestes casos, modelos de repasse por procedimento ainda fazem mais sentido. Não adianta forçar uma implementação se a base de pacientes for muito pequena ou os dados forem muito fragmentados. Nestes casos, o recomendado é primeiro organizar a informacao clinica e so então avaliar a viabilidade do pagamento baseado em valor.