O que você precisa saber antes de comprar uma Honda Biz 125 usada
A Honda Biz 125 é uma das motos mais comuns nas ruas brasileiras e, por isso mesmo, encontrar uma usada não é problema. O problema real é encontrar uma que não esteja escondendo algum defeito. A moto em si é simples: motor monocilíndrico 125cc, injeção eletrônica, câmbio de 5 marchas, freio a disco na frente e tambor atrás. Nada de tecnológico demais que possa quebrar e deixar você na mão. Mas simplicidade também significa que os problemas conhecidos são amplamente documentados e recorrentes.
Verificando um motor honda biz 125 usada
Quando eu fui analisar uma Biz de 2018 que estava na minha garagem por conta de um amigo meu, o vendedor dizia que o motor estava "revisto há pouco tempo". O óleo estava novo, sem resíduo escuro nas vedações. Mas eu percebi que a tampa do balanço estava com uma leve mancha de óleoescorrendo lateralmente. Isso não é normal. O problema é na junta da biela ou nos mancais de virabrequim desgastados. O correto era abrir o câmbio e verificar, mas na prática quase ninguém faz isso antes de comprar. Uma dica prática: peça para ligar a moto fria. Se ela fumar azul na partida, tem desgaste interno ou anéis colados. Se fumar branco, pode ser Junta de Cabeçote falhando, o que é barato de resolver se pegar cedo, mas caro se o cilindro já estiver comprometido. O ruído de motor deve ser regular. Um "tec-tec" metálico na parte superior indica válvulas precisando de ajuste ou, pior, jogo no comando. A Biz 125 usa comando simples, então ajustar válvulas resolve, mas se o comando estiver desgastado, precisa trocar a corrente e o tensionador também.
Itens que mais falham nessa moto
As Biz de primeira geração (2008 a 2015) têm um problema crônico com o sensor de rotação (pick-up coil). Ele fica localizado perto do volante magnético e, com o tempo, a folga aumenta. O sintoma é a moto falhar em marcha lenta, especialmente quando está quente. Às vezes o problema parece ser carburador ou injeção, mas na verdade é o sensor. O diagnóstico é simples comScanner OBD, mas muita gente desvia o assunto. Uma correção barata é colocar uma arruela de bronze entre o sensor e o suporte para ajustar a folga, substituindo o sensor só se houver dano real no enrolamento. Outro ponto é o sistema de embreagem. O disco de embreagem dura em média entre 20 mil e 30 mil km, dependendo do uso. Se o corredor de câmbio estiver duro ou com trancos ao trocar de marcha, pode ser mola de embreagem enfraquecida ou platô deformado. Verifique isso com a moto parada, engrenando marchas uma a uma. Se sentir que alguma marcha entra com "clique" forte, já é sinal de desgaste na embreagem ou no mecanismo de troca.
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Freios e suspensão
O freio a disco dianteiro é razoável, mas o tambor traseiro muitas vezes é negligenciado. Muitos donos não sabem que o tambor traseiro precisa de regulagem periódica e que as lonas se desgastam. Se a alavanca de freio traseiro estiver muito solta ou com curso excessivo, substitua as lonas. Não adianta só apertar o regolagem, porque o tambor pode estarovalizado, aí a solução é trocar o tambor inteiro. A suspensão dianteira não é dos melhores componentes dessa moto. Com o tempo, as buchas da direção e os Buchões da garfo Dianteiro se desgastam. Se a moto apresentar folga ao balançar o guidom, verifique o conjunto de direção completo. Já vi Biz com quadro levemente torto por causa de quedas antigas mal reparadas. Isso é sério, afeta a dirigibilidade e pode causar vibração em alta velocidade. Um teste simples: levante a roda dianteira e gire. Se houver oscilação lateral perceptível, o problema pode estar no quadro ou no amortecedor de direção.
Manutenção preventiva econômica
A maior vantagem de ter uma Biz 125 usada é que qualquer mecânico conhece a moto. Peças são baratas e abundantes. Mas o segredo é fazer a manutenção preventiva antes de tudo quebrar. Troque o óleo a cada 3.000 km no máximo. Use óleo 10W30 ou 20W50, de acordo com o manual, mas a experiência mostra que 10W30 sintético oferece melhor proteção nas mudanças de temperatura do que o mineral 20W50. O filtro de óleo deve ser trocado junto. O sistema de injeção eletrônica é confiável, mas os bicos injetores podem entupir se você usar combustível de qualidade duvidosa por muito tempo. Se a moto apresentar perda de potência em média e alta rotação, faça uma limpeza dos injetores. Uma dica não óbvia: o sensor de oxigênio (sonda lambda) pode ficar sujo e causar enriquecimento desnecessário da mistura. Substituí-lo é barato e melhora significativamente o consumo. Eu consegui melhorar o rendimento de 40 km/l para 45 km/l apenas trocando a sonda lambda e limpando o filtro de ar.
Preços e onde encontrar
No mercado brasileiro, uma Honda Biz 125 usada varia bastante dependendo do ano e quilometragem. Modelos de 2016 a 2020 com menos de 30 mil km geralmente ficam entre R$ 8.000 e R$ 12.000. A de 2015 para baixo, com a mesma quilometragem, sai por R$ 6.000 a R$ 9.000. Anos anteriores a 2010 são mais baratos, mas o risco de problemas estruturais aumenta significativamente, principalmente se a moto tiver mais de 50 mil km. Nesse caso, o valor justo gira em torno de R$ 4.000 a R$ 6.000, se o estado geral permitir. Plataformas como OLX, Mercado Livre e grupos de Facebook especializados são os canais mais usados. O problema é que muitos vendedores escondem a história real da moto. Sempre peça para verificar o documento completo: Consipatrimônio, laudo cautelar, histórico de IPVA e, se possível, verifique se há multas ou restrições no DETRAN do estado. Evite comprar moto com financiamento pendente sem transferência formal.
Conclusão
A Honda Biz 125 usada continua sendo uma das melhores opções para quem precisa de uma moto confiável, econômica e barata de manter. Ela não é perfeita. Tem problemas conhecidos, como o sensor de rotação e o desgaste da embreagem, mas nada que um dono atento não consiga resolver. O importante é fazer uma inspeção pré-compra criteriosa, não confiar apenas no que o vendedor diz, e manter a manutenção em dia desde o primeiro dia. Se você conseguir uma unidade com histórico de revisões regulares e menos de 40 mil km, provavelmente terá uma moto que vai te dar anos de serviço tranquilo.