Guia prático para comprar ou vender uma Honda Biz usada
Eu já comprei e revendi mais de meia dúzia de Biz ao longo dos anos. Algumas foram boas, outras me custaram mais dinheiro do que deveriam. Achei que valia a pena deixar registrado exatamente o que observar antes de fechar negócio, porque esse mercado tem pegadinhas que só aparecem depois que você já pagou.
O que esperar de uma Honda Biz usada no dia a dia
A Honda Biz, na versão 100 inicial e na 125 mais recente, é uma moto popular por um motivo: é prática, econômica e as peças são abundantes. O motor monocilíndrico 4 tempos é simples, sem eletrônica complexa de verdade, o que facilita muito a manutenção. A principal vantagem é o baixo custo de combustível, com médias que costumam ficar entre 40 e 50 km/l em uso urbano dependendo do estado mecânico e do calibrar do carburador. O problema é que justamente por ser uma moto tão comum no Brasil, ela acaba sendo muito usada para trabalho pesado — entregadores e motoboys são os principais donos dessa categoria. Uma Biz com 50 mil quilômetros rodados como moto de app não é incomum, e esses quilômetros muitas vezes significam uso intenso, trocas de óleo negligenciadas e manutenção preventiva adiada.
Verificação mecânica antes de comprar
Comece pela parte mais importante: o motor. O som do motor deveria ser regular, sem batidas metálicas ou qualquer ruído que sugere folga nos mancais ou no comando de válvulas. Ouça com o motor frio e depois morno. Um motor bem conservado de Biz não faz barulhos estranhos, e a embreagem deve engatar suavemente sem patinar. Dê uma acelerada rápida em ponto morto e solte o embreagem devagar. Se a moto desligar ao soltar a embreagem, está bom. Se continuar ligada mesmo acelerando, a embreagem está desgastada e a troca pode custar entre R$400 e R$800 só na mão de obra. Verifique o sistema de escape e a presença de fumaça azulada, que indica consumo de óleo. Um pouco de fumaça branca fria é normal, mas fumaça azul constante durante o funcionamento indica que os anéis estão gastos ou o cilindro desgastado. Esse é um problema sério porque o retífica do cilindro na Biz 125 pode custar na faixa de R$600 a R$1.200, dependendo da oficina e da cidade.
A suspensão dianteira merece atenção especial. A Bushings da forqueta dianteira costuma ser o primeiro item a dar problema em Biz usadas com muitos quilômetros. Se houver folga ao oscilar a frente da moto com as rodas no chão, os Bushings precisam ser substituídos. O custo gira em torno de R$80 a R$150 para o kit completo, mas se ignorado, o problema avança para o triângulo superior e pode chegar a custar bem mais. Freios também são críticos. O disco dianteiro não deve ter sulcos profundos — passe uma unha por ele. Se sentir rebarbas, precisa ser retificado ou substituído, o que sai entre R$100 e R$200 no disco original. Ofreio traseiro a tambor tende a dar menos trabalho mas verifique se a alavanca responde com firmeza e se o tambor não está com folga excessiva.
O câmbio deve mudar de marcha suavemente, sem bater seca ou travar. Se houver dificuldade para colocar em primeira ou neutra, o câmbio pode estar precisando de ajuste na caixa ou nos seletores. Isso é mais comum em motos com muitos quilômetros e o reparo pode variar de R$300 a R$600 dependendo do que for encontrado.
Honda Biz usada: o que verificar no documento e na revisão do vendedor
Antes de qualquer thing mecânica, confira a documentação. A Honda Biz é um alvo comum para furto e roubo, então o CHECK no sistema da Polícia Federal é indispensável. Verifique também se não há restrições financeiras, como financiamento ainda pendente ou penhora. O valor do IPVA e se o proprietário atual corresponde ao dono do documento também devem ser conferidos. Peça para ver o Renavam, a nota fiscal de compra original e o histórico de transferências. Uma Biz com many transferências pode indicar problema oculto que o vendedor quer esconder. O histórico de manutenção é outro ponto. Embora muitos proprietários de Biz não guardem notas fiscais de revisão, se o vendedor conseguir apresentar pelo menos algumas, já indica cuidado. Pergunte diretamente sobre a última troca de óleo, correntes e ajuste de câmbio. Dados vagos como "acho que faz um ano" não são bons sinais.
Problema específico que encontrei na prática
Em 2022, comprei uma Biz 100 de 2015 com cerca de 38 mil km. O vendedor garantia que estava tudo perfeito, e na inspeção superficial parecia estar. O motor funcionava bem, os freios pareciamOK, o câmbio mudava suave. Mas ao montar o velocímetro e testar o indicador de nível de combustível, percebi que o sensor Float do tanque estava com folga. O indicador marcava cheio quando o tanque estava na metade. Eu nunca tinha visto isso antes, e o problema é que muitos compradores confiam cegamente no painel. O correto é sempre verificar o nível visualmente abrindo a tampa do tanque. No meu caso, descobri que o Float precisava ser ajustado e acabei fazendo a troca por um novo, que custou cerca de R$45 com instalação. Vale a pena mencionar porque isso não aparece em nenhum guia genérico, é algo que só se nota vivendo com a moto.
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Versões e diferenças relevantes no mercado de usadas
A Biz foi lançada em 2009 como modelo 100 e recebeu uma atualização significativa em 2018 com a versão 125 iES, que ganhou injeção eletrônica e sistema start-stop. A principal diferença prática entre as versões está no consumo: a 125 iES com injeção tende a ser mais econômica e ter menos problemas de carburador sujo, mas o custo de reparo em caso de falha no sensor ou modulador é bem mais alto do que em uma 100 carburada. Um módulo de injeção defeituoso pode custar acima de R$800, enquanto um carburador novo para a 100 sai por volta de R$350 a R$500. Para quem quer gastar menos na aquisição e na manutenção, a Biz 100 anterior a 2018 continua sendo uma opção sólida. O mercado de peças para a 100 é muito mais vasto e barato, e qualquer mecânico knows resolver problemas dela. A 125 iES é mais moderna e confortável, mas exige que você tenha acesso a uma assistência especializada em injeção eletrônica se algo der errado.
Preços médios de Honda Biz usada no Brasil
Os preços variam bastante conforme o ano, quilometragem e estado de conservação. Como referência geral, uma Biz 100 de 2014 a 2016 com até 40 mil km em bom estado costuma valer entre R$7.000 e R$9.500. Modelos de 2017 em diante, principalmente as 125 iES, podem atingir R$11.000 a R$14.000 dependendo da conservação e da quilometragem. O ano de fabricação influencia muito no preço final porque os modelos mais recentes já trazem a injeção e o design atualizado, o que mantém o valor de revenda mais alto. O preço também depende da região. Nas capitais do Sudeste e Sul, os preços tendem a ser um pouco mais altos do que no Norte e Nordeste, onde a oferta é menor. Filtros de ar, pastilhas de freio e pneus são itens que afetam o preço de forma significativa: uma Biz com pneus novos e revisões em dia pode valer até R$1.000 a mais do que uma idêntica com desgaste evidente.
Onde encontrar Honda Biz usada
O mercado de motos usadas no Brasil é movimentado e existem várias plataformas onde é possível encontrar unidades. Sites de classificados como OLX e Mercado Livre concentram muitas ofertas, mas exigem cautela redobrada porque há golpes frequentes, especialmente com anúncios abaixo do preço de mercado. Uma Biz 125 iES anunciada por R$7.000 provavelmente tem algum problema ou é golpe. Se o preço estiver bem abaixo da média, desconfie. Concessionárias Honda autorizadas também negociam seminovas e oferecem uma camada extra de segurança com garantia de fábrica ou revisão completa. O preço costuma ser 10% a 15% mais alto do que na venda particular, mas o risco de sorpresa é menor. Feiras de motos e grupos de Facebook de entusiastas Honda também são opções válidas, especialmente em cidades menores onde o comércio formal de seminovas é mais limitado.
Alternativas a considerar
Se o orçamento for apertado ou se a Biz usada apresentar problemas que encarecem demais a reforma, vale a pena olhar para alternativas. A Honda Pop 110 iES é uma opção mais nova e com tecnologia similar por um preço competitivo, embora seja uma categoria diferente e não tenha a mesma robustez da Biz em uso intenso diário. A Yamaha YW 1 Pixi também pode ser considerada, embora o mercado de peças dela seja menor e menos acessível fora dos grandes centros urbanos. A Biz 100 mais antiga ainda é funcional e barata de manter, mas se você pretende usar a moto para longas distâncias ou trabalho pesado, a 125 iES é mais adequada. A diferença de potência não é enorme, mas a torque superior ajuda na condução com carga e em subidas, o que faz diferença significativa no dia a dia.
Manutenção pós-compra
Depois de adquirir uma Biz usada, faça uma revisão completa antes de confiar nela para uso diário intenso. Substitua o óleo do motor, o filtro de ar, verifique a corrente e os tensadores, ajuste a câmbio e verifique o estado dos pneus. Esse conjunto de serviços básicos pode custar entre R$300 e R$600, dependendo do que for necessário, mas evita surpresas desagradáveis nas primeiras semanas. Muitos vendedores não fazem essa revisão antes de vender, então cabe a você assumir esse custo inicial como parte do investimento. A troca do óleo deve ser feita a cada 3.000 a 5.000 km, dependendo do tipo de óleo e das condições de uso. Use sempre óleo recomendado pela Honda, geralmente 10W-30 ou 20W-50 para a Biz 100, e 10W-30 para a 125 iES. O filtro de óleo deve ser trocado junto, e isso custa pouco mas é essencial para a longevidade do motor.
O ajuste da corrente também merece atenção especial. Uma corrente folgada desgasta rápido tanto a corrente quanto as coroas, e o desgaste prematuro pode levar à quebra da corrente em movimento, o que é perigoso e caro. O folga ideal é de 20 a 30 mm medidos no ponto mais baixo da corrente. Ajustar a corrente leva cerca de 15 minutos e não custa nada se você fizer você mesmo, ou cerca de R$30 a R$50 em uma oficina.
Dica sobre documentação e transferência
A transferência de propriedade deve ser feita via Detran do seu estado, e o custo varia conforme a região. Em geral, fica entre R$100 e R$250 para o serviço completo, incluindo guias e taxas. Some a isso o IPVA do ano vigente, que pode ser devido integralmente no momento da compra se o vencimento cair próximo. Verifique também se há multas pendentes no nome do veículo, porque elas ficam atreladas à moto e não ao proprietário anterior. Em muitos casos, o vendedor já inicia o processo de transferência online pelo site do Detran, mas o comprador deve confirmar se tudo foi concluído corretamente. Documentos desatualizados ou transferencia incompleta podem gerar dores de cabeça futuras, especialmente se o comprador quiser vender a moto novamente.