Análise de Concordância Verbal e Nominal
A concordância em português é um dos pontos que mais gera dúvida em provas e concursos. O tema aparece com frequência e, na prática, a maioria dos erros vem de estruturas que parecem corretas à primeira vista, mas escondempegadinhas específicas.
Como identificar a alternativa sem erro de concordância.
O processo funciona da seguinte forma: você lê cada frase, isolando o sujeito e o verbo (ou o núcleo do substantivo e seu adjetivo), e verifica se há coerência numérica e pessoal. Não adianta confiar na sonoridade. A língua portuguesa tem construções que soam naturais mas estão gramaticalmente erradas. Um problema real que eu encontrei várias vezes envolve a expressão "é necessário". Muita gente marca como correta frases do tipo "É necessária as medidas", quando o correto, com o sujeito pósposto no plural, seria "É necessários os procedimentos". Na prática, o verbo "ser" concorda com o predicativo do sujeito, não com o sujeito gramatical. Isso confunde até quem tem bom ouvido para a língua.
Outro ponto que os materiais didáticos geralmente não destacam o suficiente: quando o sujeito é uma oração subordinada substantiva, o verbo da principal fica na terceira pessoa do singular, independente do conteúdo da subordinada. Frases como "O que importa é os resultados" são frequentes em redações e continuam aparecendo em bancas como erro. O certo é "O que importa é o resultado" ou "O que importam são os resultados", dependendo da estrutura que se deseja montar. Quanto à concordância nominal, o adjunto adnominal flexiona quando é determinado livre, mas o predicativo do sujeito segue a regra do verbo "ser". Já encontrei questões em que a pegadinha estava exatamente nessa fronteira entre adjunto e predicativo. A dica prática é identificar qual função sintática cada termo exerce antes de decidir pela flexão.
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Para resolver essas questões com eficiência, costumo recomendar o seguinte método: primeiro localiza-se o sujeito, depois o verbo e, em seguida, verifica-se a concordância nominal se houver adjetivos ou substantivos atrelados. Esse roteiro funciona na grande maioria das vezes e reduz o tempo de análise de cerca de dois minutos para trinta segundos por item. Indique a alternativa em que não há erro de concordância. é a pergunta padrão, e a resposta quase sempre está na estrutura que parece mais simples, não na que parece mais elaborada. Bancas gostam de criar frases longas e complexas justamente para dispersar a atenção. A frase curta, com sujeito claro e verbo bem posicionado, costuma ser a correta.
Pegadinhas comuns que precisam ser observadas
A concordância com "mais de um" é um exemplo clássico. O verbo fica no singular quando se refere a "mais de um" sujeito, mesmo que o sentido seja coletivo. "Mais de um aluno faltou" está correto. Já "Mais de um aluno faltaram" é erro comum em provas. Outro caso frequente envolve verbos que indicam fenômenos da natureza. "Chover" e "bater" (no sentido de trovão) ficam na terceira pessoa do singular quando usados emlocuçõesimpessoais. Frases como "Fazem dois anos que não chove" estão erradas. O correto é "Faz dois anos que não chove", pois "faz" aqui é impessoal.
Eu também vejo muitos candidatos errarem na concordância com pronomes de tratamento. A norma culta exige a terceira pessoa do singular ou plural, mas há construções em que a tentação de usar a segunda pessoa é grande. "Vossa Senhoria deve comparecer" está certo. "Vossa Senhoria deve comparecerem" é erro grave. Quando se trata de concordância com expressões partitivas como "parte de", "maioria de", o verbo pode variar entre o singular e o plural, dependendo do contexto e da ênfase que se quer dar. Se o foco está no todo, singular. Se o foco está nas partes, plural. Essa nuance é frequentemente ignorada em materiais simplificados, mas cai com regularidade em provas de nível mais elevado.
O que funciona na prática é treinar com questões reais e revisar cada erro encontrado, anotando o motivo específico da incorreção. Esse tipo de registro pessoal acelera bastante o aprendizado, porque você passa a reconhecer padrões de armadilhas em vez de decoreba de regras isoladas.