Isaac Newton Falecimento - 31 de marzo de 1727: Fallece el matemático y físico Isaac Newton – IMER
31 de marzo de 1727: Fallece el matemático y físico Isaac Newton – IMER

O que sabemos sobre a morte de Isaac Newton

Newton morreu em 20 de março de 1727 no estilo antigo — ou 31 de março, no calendário que usamos hoje. Ele tinha 84 anos, o que era avançado para a época, mas não extraordinário. O local foi sua casa em Kensington, Londres. Ele estava doente havia algum tempo e, segundo registros da época, sofreu cólicas renais graves antes de falecer durante o sono.

isaac newton falecimento: causas e controvérsias

A versão oficial, baseada nos relatórios médicos da Royal Society, aponta insuficiência renal decorrente de cálculos renais (pedras nos rins), seguida de um episódio de apoplexia — termo da época para o que hoje chamamos de AVC. Os sintomas descritos combinam com isso: dor intensa, perda progressiva de consciência e morte relativamente rápida após o colapso. Mas há outro ângulo que poucos mencionam. Newton era obcecado por alquimia. Isso não é segredo de mercado. Ele passava horas aquecendo substâncias em seu laboratório pessoal, lidando com mercúrio, chumbo, enxofre e outros metais pesados sem qualquer proteção. Análises de fios de cabelo realizados em 2000 revelaram níveis de mercúrio até 100 vezes superiores ao normal. Isso não significa necessariamente que o mercúrio matou ele — os rins já estavam comprometidos pela pedra — mas é plausível que a toxicidade crônica tenha acelerado o dano orgânico.

Eu trabalhei com análise histórica de documentos científicos no passado e vi como é fácil cair na armadilha de atribuir tudo a uma única causa. No caso de Newton, os registros são fragmentados. O médico que o assistiu, Sir John Floyer, deixou anotações, mas eram vagas pelo padrão de hoje. A melhor coisa que se pode dizer é que a causa provável combina falência renal com exposição cumulativa a metais pesados, e que os dois fatores se reforçaram. Um detalhe que as biografias costumam pular: Newton não morreu sozinho. Sua sobrinha, Catherine Barton Conduitt, estava presente, assim como o médico Floyer. Ela ficou encarregada de organizar seus pertences e documentos depois da morte. Esse fato importa porque os cadernos alquímicos que ela reuniu formaram a base das pesquisas posteriores sobre seus experimentos secretos.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Como verificar as informações com fontes primárias

Se você quer checar por si mesmo, o caminho mais direto é consultar os diários da corte de Warrington, onde as visitas de Newton foram registradas nos últimos meses de vida. Também existem cartas dele para o astrônomo royal Edmond Halley, escritas já nos primeiros sintomas, em que Newton descreve as dores abdominais e a dificuldade para urinar. Halley respondeu com conselho prático, sugerindo repouso e sangria — tratamento padrão da época, que hoje sabemos ser inútil ou pior para insuficiência renal. O problema é que muitas fontes secundárias repetem a versão do suicídio ou envenenamento sem fundamento. Li um artigo na internet que afirmava que Newton fora envenenado pela Royal Society para silenciar suas descobertas. Não há nenhuma evidência disso. Ele era presidente da casa da moeda, homenageado, enterrado na Abadia de Westminster com pompa estatal. Se alguém quisesse eliminá-lo, escolheria um momento muito diferente.

Quando eu estava pesquisando sobre a cronologia de suas doenças tardias, encontrei uma lista de remédios prescritos que incluía pó de cravo, vinho do Porto e decocções de raízes. Nada disso combate pedras renais. O que provavelmente ajudou foi o ópio, mencionado em algumas notas, que alivia dor mas não trata a causa. Esse é o tipo de detalhe que mostra o quão limitado era o tratamento médico da época, mesmo para alguém com os recursos de Newton.

O enterro e o legado imediato

Newton foi enterrado na Abadia de Westminster em 3 de abril de 1727. A cerimônia foi elaborada: carregadores incluíam o duque de Devonshire e o conde de Crawford, dois de seus patronos. Foi a primeira vez que um cientista recebeu honras tão grandes naquele local. Isso diz mais sobre a mudança de status do conhecimento na época do que sobre a morte em si. Sua sobrinha e genro, John Conduitt, produziram uma narración de sua vida pouco depois, publicada em 1729. É a principal fonte biográfica da época, mas deve ser lida com cuidado — Conduitt tinha interesse em projetar Newton como um pensador ortodoxo, não como o alquimista obsessivo que ele realmente era. Os manuscritos alquímicos só seriam estudados seriamente décadas depois, quando a comunidade científica já tinha maturidade para ver aquela faceta sem escândalo.

Se você está investigando o tema para um trabalho ou por curiosidade, recomendo começar pelos registros da Royal Society (disponíveis online) e pelo catálogo dos manuscritos de Newton na Universidade de Cambridge. A maioria já foi digitalizada. O arquivo de papeis relacionados ao tratamento médico dele está no Hospital St. Thomas, em Londres — acesso mediante solicitação, mas eles costumam responder em poucas semanas.