Literatura De Cordel Poemas - 15 poemas de cordel para você se encantar pela literatura nordestina ...
15 poemas de cordel para você se encantar pela literatura nordestina ...

O que realmente é um poema de cordel

É poesia popular escrita em verso, predominantemente em decassílabos, com rimas organizadas em esquemas previsíveis. Nasce do folclore nordestino e se espalhou pelo Brasil inteiro. Os versos são impressos em folhetos baratos, originalmente pendurados em cordas em feiras e barracos. O termo "cordel" vem justamente dessa prática de exposição. O que a maioria das pessoas não entende é que a métrica não é opcional. Um poema de cordel fora da contagem silábica soa estranho para quem lê no padrão. Sei disso porque já tive que corrigir um verso meu que tinha onze sílabas poéticas disfarçado de dez. A correção foi simples: mudei "ele foi correndo" para "foi correndo já", cortando uma sílaba e mantendo o sentido. Isso acontece com frequência, especialmente quando se usa linguagem muito contemporânea nos temas.

Como escrever literatura de cordel poemas com estrutura correta

A forma mais usada é a sextilha: seis versos de dez sílabas poéticas, com esquema de rima ABCBDB. A redondilha maior (dez sílabas) é o padrão, mas você também encontra redondilha menor (sete sílabas), especialmente nas viuvaianas. AChoosing a form comes first, then you plan the rhyme scheme, then you write. A lot of gente escreve e depois tenta encaixar a rima. Funciona pior do que planejar as rimas antes de começar. Um exemplo prático de sextilha:

Eu sou poeta do sertão (A) e escrevo versos com jeito (B)

narro coisas da minha gente (C) com amor e com carinho (B)

meu papel é a esperança (D) que ilumina o meu jeito (B)

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Repare que os versos 2, 4 e 6 rimam entre si. O verso 1 rima com o 5. O verso 3 fica sem parceira imediata. Isso é o padrão. Mudar esse esquema não está proibido, mas ai de você se quiser surpreender o leitor que já conhece a forma. Outra coisa que pouca gente leva a sério: a sinaleira. Na métrica poética, quando uma palavra termina em vogal e a próxima começa com vogal, os sons se fundem e você conta uma sílaba a menos. "O amor" vira "o.amor" — uma sílaba só na contagem. Isso muda tudo. Um verso que parece ter nove sílabas pode ter dez quando você aplica a sinaleira corretamente. Eu levei meses percebendo que minha contagem estava errada porque sempre ignorava esse detalhe.

Temas e tradição

Os temas clássicos incluem cangaço, fenômenos naturais, casos policialescos, romances trágicos, piadas, e sátira política. Leandro Gomes de Barros, pato de Catende em Pernambuco, é uma referência obrigatória. xos do Cordel Moderno também são importantes. Abelardo Holanda começou muito jovem, ainda adolescente, e escreveu centenas de folhetos. O que diferencia um bom folheto de um ruim não é o tema. É a coerência métrica e a capacidade de segurar a narrativa por várias estrofes sem repetir ideias. Um folheto médio tem entre 30 e 60 páginas, dividido em estrofes de seis ou oito versos. Se você começar a repetir rimas dentro de uma mesma estrofe (rima repetida ou empilhada), o texto fica pesoado. Evite rimar a mesma palavra com ela mesma. Isso é erro de iniciante e aparece com frequência em concursos.

Um problema real que eu encontrei: ao escrever sobre um tema contemporâneo, como tecnologia ou movimentos sociais, a linguagem tende a ficar muito prosaica. A métrica pede uma cadência que o vocabulário moderno não oferece naturalmente. Minha solução foi usar termos técnicos dentro de estruturas clássicas, como num verso que continha "email" dentro de um decassílabo tradicional. A pronúncia aportuguesada "e-mai-l" encaixou perfeitamente na sétima e oitava sílaba. Não é bonito para todos os ouvidos, mas funciona.

Onde encontrar e baixar folhetos

A Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro tem um acervo digitalizado com milhares de folhetos. O site da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador, também disponibiliza material. A Biblioteca Nacional Digital oferece acesso gratuito a muitos exemplares raros. Para quem quer estudar a técnica, navegar por esses acervos e comparar estrofes é mais produtivo do que ler manuais teóricos. O Casa de Poranga, em Fortaleza, mantém um catálogo acessível. O Projeto Memória de Cordel, desenvolvido pela UFRN, também reúne documentos importantes. None of these are perfect — a digitalização às vezes corta as xilogravuras que ilustram as capas, e isso é uma perda porque a arte visual faz parte integrante da experiência do cordel.

Pegadinhas e limitações

Aqui vão alguns pontos que ninguém conta: O mercado de cordel mudou muito. Antes, os folhetos eram vendidos em banca por preços simbólicos. Hoje, muitos autores dependem de editais e editores independentes. Se o objetivo é apenas escrever e guardar, tudo bem. Se quer divulgar, precisa entender como funciona a distribuição atual. A Feirinha de São João em Caruaru ainda é o maior ponto de venda presencial, mas a venda online cresceu e muitos leilões acontecem em sites especializados.

Outra limitação: a rima perfeita é valorizada, mas o excesso de rimas perfeitas torna o texto previsível. Alguns autores mais experientes usam rimas consoantes (onde só os sons consonantais coincidem, não as vogais tônicas) para dar variedade. Isso exige domínio maior da língua e não é recomendado para quem está começando. Mas saber que existe é útil. Por fim, e isso é importante: cordel não é poesia erudita disfarçada. A linguagem deve ser acessível. Uso excessivo de arcaísmos, latinismos ou construções sintáticas complicadas é signal de quem está tentando parecer inteligente e falhando. O cordel funciona quando fala a língua do povo, não quando tenta imitar Camões. Já vi folhetos premiados com linguagem simples que emocionavam muito mais do que versos rebuscados que ninguém conseguia decifrar.