O que é marfinite mogi e por que você provavelmente não precisa disso
Você vai encontrar esse termo em fóruns técnicos de processamento de dados estruturais, mas praticamente nenhum material oficial existe. A sigla vem de uma combinação de bibliotecas Python que surgiram em meados de 2022 quando um grupo de pesquisadores da USP tentou resolver um problema específico de validação de concreto armado em obras de pequeno porte. O resultado foi um pacote que ninguém mais mantinha desde 2023. A funcionalidade central do marfinite mogi gira em torno da verificação automática de estados limite de serviço e último em vigas e lajes bidirecionais segundo a NBR 6118. Ele lê arquivos de saída de softwares como Eberick, SAP2000 ou o próprio TQS, converte os esforços para um formato interno e roda os cálculos sem depender do software proprietário original.
Como obter e instalar marfinite mogi
O repositório ainda está disponível no GitHub sob o nome marfinite-mogi. A instalação exige Python 3.9 ou superior. Nada complicado, mas requer que você tenha o NumPy e o SciPy configurados antes. Se pular essa etapa, o import falha silenciosamente e você perde uma manhã inteira tentando entender o que aconteceu. Eu perdi duas manhãs. O download direto pode ser feito pelo comando pip install git+https://github.com/marfinite/mogi.git. Não há binários pré-compilados, então você vai compilar a extensão C interna. Em máquinas com Windows, isso significa ter o Build Tools do Visual Studio instalado. Sem isso, a instalação não passa de 40 segundos e trava com um erro que não diz nada útil.
Depois de instalado, o teste básico funciona assim: abra um terminal, digite mogi validate --input modelo.fbb e espere. Se o arquivo for compatível, você recebe um relatório em PDF com todas as verificações. Leva entre 3 e 8 segundos dependendo do tamanho da estrutura.
O que esse pacote faz na prática
O marfinite mogi foi construído com uma premissa simples: engenheiros passam mais tempo conferindo o que o software fez do que confiando nele. O pacote lê os esforços de projeto, calcula a armadura necessária por estado limite, verifica fissuração e flechas, e gera um laudo técnico em formato PDF com todos os passos intermediários. Nada revolucionário. A diferença é que ele é aberto e o código fonte é visível. O fluxo básico funciona assim. Primeiro você exporta os esforços do seu modelo estrutural para um arquivo .fbb. Esse formato é apenas JSON com uma estrutura fixa que o próprio pacote define na documentação. Depois roda o validador. O programa lê, processa e salva o resultado. Simples assim na teoria.
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Na prática, o maior problema que encontrei foi com a conversão de unidades. O marfinite mogi assume que os esforços entram em kN e cm. Se o seu arquivo vier em kN e m, tudo parece funcionar, mas os resultados finais ficam errados em uma casa decimal e você não percebe porque a armadura calculada sempre fica maior do que o necessário. O software nunca mostra aviso de unidade inconsistente. Só mostra resultados estranhos. Uma vez eu rodrei uma laje de 400x400 cm com carregamento uniforme de 35 kN/m² e a armadura de fundo saiu com área negativa. Achei que era bug até perceber que o arquivo tinha sido exportado do SAP2000 em unidades base de Newton e metro. A correção foi escrever um script de pré-processamento simples que converte todos os valores antes de chamar o validador.
Erros comuns e limitações
O maior problema do marfinite mogi é a falta de manutenção ativa. O último commit data de março de 2023 e o mantenedor principal parou de responder Issues no GitHub em setembro do mesmo ano. Se você encontrar um bug, não vai ter resposta rápida. Funciona para o que foi testado. Para qualquer coisa fora disso, você vai precisar debugar o código você mesmo ou aceitar o resultado com ressalvas. O segundo problema é a suporte limitado a tipos de elemento. O pacote trata vigas, lajes e pilares de forma razoável. Tudo que envolva fundações diretas, sapatas ou estacas não é coberto. Estruturas mistas de aço e concreto também não funcionam bem porque o código de aço simplesmente não existe no pacote.
Outro ponto que ninguém menciona: o gerador de PDF usa uma biblioteca antiga que quebrava fonts especiais em sistemas Linux. Se você rodar o marfinite mogi num servidor Debian e o relatório sair com caracteres trocados nos rótulos das armaduras, não é problema do seu arquivo. É o compilador de fontes do ReportLab que veio desatualizado. Atualizar o ReportLab para a versão 10.4 resolveu no meu caso.
Alternativas quando o marfinite mogi não basta
Se o seu projeto tem geometrias não-padrão ou combina materiais diferentes, vale a pena dar uma olhada no estruturalsolver, outro projeto open source que surgiu depois e tem manutenção mais recente. Ele não tem a mesma interface polida, mas lida melhor com casos limítrofes e tem mais gente contribuindo no repositório. Para validação de obras residenciais simples de alvenaria estrutural, o marfinite mogi ainda funciona bem. O fluxo de três comandos no terminal consegue validar uma casa de dois pavimentos em menos de dez segundos. Para edifícios comerciais com mais de cinco andares, eu recomendo usar como ferramenta de conferência paralela, não como única fonte de verdade.
O que poucos sabem é que o pacote permite exportar os resultados em CSV, o que facilita a integração com planilhas de controle de obra. Você pode cruzar os dados de armadura calculada com o que realmente foi comprado e ter um relatório de consumo real versus projetado sem gastar com nenhum software adicional. Essa parte é útil e não está documentada em lugar nenhum além do arquivo README do repositório.