A confusão que todo mundo tem com menos mal e menos mau
Eu vejo essa dúvida o tempo todo em revisões de texto e, sinceramente, não é erro grave do ponto de vista comunicativo, mas é errado sim. A forma correta é menos mal. Sempre.
Por que existe essa dúvida na hora do menos mal ou menos mau
A confusão acontece porque "mal" funciona como advérbio nessa expressão fixa, enquanto "mau" é adjetivo. Quando alguém diz "vai que dá menos mau", tá tratando o termo como se fosse uma qualidade que pode ser mais ou menos intensa. Não é. O "mal" ali é advérbio, e advérbio não varia em gênero nem em grau dessa forma. Você não vai dizer "muito bom" com "muito maum". A lógica é a mesma. A expressão "menos mal" significa basicamente "não tão mal assim" ou "hábil/surtido". É um jeito de atenuar algo que poderia ter sido pior. Funciona como um substituto coloquial para "não foi tão ruim". Não tem análise composicional transparente que justifique o uso do adjetivo "mau".
Outro fator que contribui: no português cotidiano, as pessoas ouvem tanto "fazer mal" (advérbio) quanto "ser mau" (adjetivo) e acabam misturando as coisas quando tentam formar o comparativo. Ouvido repetidamente, o cérebro preenche com a forma que parece mais lógica para o contexto, e "menos mau" soa plausível pra muita gente. Soa, mas não está certo. Na prática, eu já corrigi isso em textos técnicos, manuais e até em comunicações internas de empresa. A correção é direta: troque "mau" por "mal" e pronto. O problema real aparece quando você tá em um ambiente onde o padrão escrito deveria ser rigoroso — relatório, documento formal, publicação. Nesses casos, usar "menos mau" pode passar a impressão de descuido com a norma culta, mesmo que a maioria das pessoas não repare.
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Como se certificar de que tá usando certo
Substitua mentalmente "menos mal" por "não tão mal". Se a frase continuar fazendo sentido, tá no caminho certo. Se você tentar substituir por "não tão mau" e soar estranho, aí já ajuda a identificar que a forma original precisa do advérbio. Exemplo: "A reunião foi menos mal" "A reunião não foi tão mal". Funciona. Agora tenta "A reunião foi menos mau" "A reunião não foi tão mau". Soa diferente, porque "mau" pede um sujeito que tenha qualidade inata, não uma avaliação circunstancial. A reunião não "é má", ela "foi mal" em determinado contexto.
Existe um caso limítrofe que merece atenção: quando "mau" realmente funciona como adjetivo qualificando um substantivo, aí a variação com "menos" faz sentido. "O menos mau dos males" — aqui "mau" é adjetivo, então o comparativo com "menos" é aceitável. Mas essa não é a expressão idiomática. É construção sintática normal. A expressão fixa do dia a dia, a que todo mundo usa, é sempre "menos mal". Se você tá revisando um texto e se depara com "menos mau", a primeira pergunta que deve fazer é: isso é a expressão fixa ou é uma construção onde "mau" realmente funciona como adjetivo? Na esmagadora maioria das vezes, é a expressão fixa. Aí a correção é simples.
O que fazer quando encontrar
Se você é revisor, marca o erro e corrige. Se você escreveu e quer saber se tá certo, consulta uma fonte confiável ou aplica o teste da substituição que citei acima. Não existe justificativa para "menos mau" quando se trata da expressão consolidada. O uso correto se mantém em todas as variedades do português — Brasil, Portugal, Angola. Não é variação regional aceitas. É erro ortográfico e gramatical em qualquer registro formal.