O que esperar de uma ida ao mercado
O Mercado Municipal do Porto Grande é uma estrutura simples, de chão cimento e tecto metálico, onde se venda basicamente de tudo o que precisa alguém que viva por ali. Fruta, legumes, peixe, carne, queijo da terra, arroz, óleo, sabão. A coisa funciona como um mercado português do interior, só que em Cabo Verde. A diferença mais importante é o horário: as bancas abrem às cinco e meia da manhã e estão praticamente esgotadas até ao meio-dia. Se chegar às nove, vai encontrar vendedores a limpar o espaço e poucas coisas boas para levar. Eu fui pela primeira vez num domingo, porque li algures que os mercados costumam ter movimento especial aos fins de semana. Errado. Aos domingos o mercado fecha quase todo. As bancas que ficam abertas são as de frutas e algumas de artigos variados, mas o peixe e a carne praticamente não existem. Aprendi isso à pior maneira possível: cheguei com sacos grandes e voltsei para casa de mãos vazias, depois de perguntar a três pessoas. A partir daí passei a ir sempre às quintas-feiras de manhã, que é quando há mais variedade e os preços estão mais baixos.
mercado municipal do porto grande: como chegar e o que levar
Porto Grande fica na ilha de Santiago, a cerca de quarenta minutos do centro do Mindelo, se for de carro. O mercado fica mesmo junto à zona portuária, perto da estação de autocarros. Se chegar de autocarro, desça na paragem junto ao mercado; senão, alugue um táxi e diga "mercado municipal". É pequeno o suficiente para perceber logo onde está. O problema que sempre me acontece é o dinheiro. Os cartões não funcionam em nenhuma banca. Levar dinheiro físico é obrigatório, mas o problema real é a falta de notas pequenas. No mercado as coisas custam valor baixo, e os vendedores raramente têm troco para notas de mil escudos. Levei no meu bolso, desde a primeira vez, sempre notas de duzentos e cem escudos, e consigo chegar longe. Se precisar de nota maior, vá a um banco em Santiago antes de ir ao mercado, não tente resolver lá dentro. Já vi gente ficar com metade do que queria comprar porque não tinha troco.
O que comprar e onde encontrar
O peixe é o ponto forte. Cherna, dourada, espada, atum. O peixe chega ao mercado de manhã cedo, ainda quente, direto dos barcos. Compre sempre no primeiro grupo de bancas do lado esquerdo ao entrar, é onde estão os peixeiros mais consistentes. As outras bancas também vendem peixe, mas a rotatividade é menor e, por vezes, o produto já passou do bom momento. As frutas são outra coisa. Bananas da terra, anonas, tamarindos, manga. As melhores horas para frutas são entre as sete e as oito da manhã. Depois disso, as frutas maduras estão todas escolhidas e o que sobra é o que vai ficar para o dia seguinte. Compro bananas diretamente ao revendedor que fica na entrada principal, porque ele recebe o camião duas vezes por semana e a qualidade é sempre uniforme.
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Queijo da terra, coalho de Cabrito, enchidos: isso é mais difícil de encontrar do que parece. Normalmente aparece numa ou duas bancas específicas, que mudam consoante o fornecedor da semana. Pergunte a qualquer um. Na minha experiência, o queijo só está disponível algumas manhãs por semana, não todos os dias. Se for importante para si, ligue antes ao mercado ou pergunte na estalagem onde se hospeda.
Preços e barganhas
Os preços não são fixos por escrito. Tudo se negocia, mas não da forma dramática que se vê em filmes. É um processo normal. Comece por pedir o preço, depois diga o quanto está disposto a pagar se levar quantidade. Normalmente consegue baixar entre dez a vinte por cento em frutas e legumes, e até mais no peixe se for uma compra volumosa. Carne é mais difícil, porque as margens dos vendedores já são apertadas. O meu critério simples é este: se o vendedor recusar de forma educada, respeito e passo adiante. Não insisto. Já perdi tempo e dinheiro a tentar barganhar com quem não queria, e nunca valeu a pena. A maioria das pessoas oferece preços justos logo à primeira, e quem não oferece não é o problema que precisa de resolver.
Erros comuns que eu cometi
O erro mais frequente de quem visita o mercado pela primeira vez é levar sacos plásticos pequenos. As compras costumam ser maiores do que o esperado. Leve sacos reutilizáveis grandes, ou compre os sacos no próprio mercado, que custam muito pouco. Outra coisa: não leve dinheiro grande e espere receber troco inteiro. Leve sempre notas pequenas separadas por tipo de produto. Peixe num bolso, frutas noutro, legumes noutra. Economiza tempo e evita confusão quando está a pagar. Também costuma haver muita gente e pouco espaço para andar. Se vai com crianças ou idosos, vá cedo, antes das nove, quando ainda há espaço para circular. Após esse horário, o mercado fica apertado e o calor aumenta. Não é perigoso, mas é desconfortável.
Conclusão prática
O Mercado Municipal do Porto Grande é um lugar útil, não turístico. Funciona bem para quem mora na zona ou para quem já sabe o que quer. Se quiser uma experiência mais confortável, existem mercearias menores e lojas com preços fixos em redor do porto, mas os preços são mais altos e a variedade é menor. Eu recomendo o mercado para compras semanais de produto fresco, desde que se vá cedo e com dinheiro pequeno. É isso.