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Guia prático de instalação e manutenção do sistema Minoro em Ubatuba

O sistema Minoro é uma técnica de estabilização costeira que combina cercas quebra-vento, vegetação nativa e geotêxteis para conter a erosão em áreas de dunas e praias. Foi desenvolvido originalmente no litoral paulista e se espalhou por diversas cidades do estado. Em Ubatuba, onde o relevo é acidentado e a pressão turística é constante, o método tem se mostrado eficiente quando aplicado corretamente. Não adianta comprar o material e começar a instalar sem entender o terreno. O primeiro passo é fazer um mapeamento das áreas de maior perda de areia durante o ano. Anote onde a erosão é mais visível depois de tempestades e onde a areia mais facilmente migra em direção às construções. Com isso em mãos, você define onde colocar as cercas quebra-vento e quais trechos precisam de reforço com geotêxtil.

minoro ubatuba: como funciona na prática

A instalação começa com o posicionamento das cercas quebra-vento. O ideal é usar materiais permeáveis, como tela de polipropileno ou madeira ripada, com cerca de 50 cm de altura. O espaçamento entre as fileiras deve ser de 10 a 15 metros, dependendo da velocidade do vento local. Em Ubatuba, onde os ventos podem atingir velocidades mais altas durante o verão, eu recomendo usar fileiras duplas nos pontos mais expostos, com 3 metros de distância entre elas. Depois de posicionadas as cercas, vem a parte vegetativa. Aqui é onde a maioria erra. A grama escolhida precisa ser nativa da região, preferencialmente espécies como a Paspalum atratum ou Spinifex littoreus. Essas plantas têm raízes profundas que ajudam a segurar a areia sem competir agressivamente com a vegetação original. Evite usar grama importeda ou espécies exóticas — elas podem crescer rápido, mas não seguram o solo de verdade e ainda sobrecarregam o sistema de drenagem.

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O geotêxtil entra nos trechos onde a erosão é mais intensa ou onde há tráfego intenso de pedestres. Ele funciona como uma rede que distribui o peso e evita o desgaste localizado. Em Ubatuba, eu vi casos onde o geotêxtil foi instalado errado, coberto completamente com terra, e acabou sufocando a vegetação. O correto é deixá-lo parcialmente exposto e permitir que as mudas cresçam através dele. A manutenção é o ponto mais negligenciado. Cercas quebra-vento precisam ser inspecionadas a cada dois meses. Verifique se há danos causados por tempestades, se a areia não está ultrapassando a barreira em excesso, e se a vegetação está crescendo de forma adequada. Na prática, isso significa dedicação de cerca de 4 horas por mês por hectare instalado, sem contar os reparos emergenciais após eventos climáticos severos.

Um problema que encontrei pessoalmente foi em uma área perto da Praia do Sonho, onde o sistema Minoro foi instalado sem considerar o nível do lençol freático. A água subterrânea ficou retida sob o geotêxtil e causou apodrecimento das raízes das mudas nos primeiros meses. A solução foi fazer drenos laterais com tubos perfurados de PVC, enterrados a 30 cm de profundidade, paralelos à linha de costa, permitindo que a água escoasse naturalmente. Isso aumentou a taxa de sobrevivência das mudas de cerca de 40% para 85% no trimestre seguinte. O custo inicial varia bastante dependendo do tamanho da área e da topografia. Para um trecho de 100 metros lineares de praia com cercas quebra-vento e plantio de mudas, os gastos ficam entre R$ 8 mil e R$ 15 mil, incluindo materiais e mão de obra. A longo prazo, a economia é significativa porque a manutenção preventiva é muito mais barata do que reconstruir dunas destruídas ou arcar com ações judiciais por danos causados pela erosão em propriedades vizinhas.

Se você tem uma área com erosão ativa e quer testar o método, comece pequeno. Instale um trecho de 20 metros como prova de conceito antes de expandir. Anote tudo: velocidade do vento, direção predominante, tipo de solo, taxa de crescimento das mudas. Esses dados vão te ajudar a ajustar o projeto para áreas maiores com muito mais precisão.