Mirante Do Joá - Mirante do Joá, no Rio de Jaeiro | Apaixonados por Viagens | Roteiros e ...
Mirante do Joá, no Rio de Jaeiro | Apaixonados por Viagens | Roteiros e ...

O que é o Mirante do Joá e por que ele não aparece nos mapas

O mirante do joá fica na rua do Contorno, no bairro de mesmo nome, Zona Sul do Rio. O acesso é por uma rua residencial sem placa turística nenhuma. Eu já perdi cerca de vinte minutos procurando em 2019 porque o GPS não reconhece o ponto e te joga num beco sem saída perto da rua Conde de Bonfim. A solução foi entrar pelo cruzamento com a General Atahualpa, virar à esquerda na sobe-montanha e parar no estacionamento improvisado de terra batida que tem umas cinco vagas. O local funciona como um ponto de observação da costa carioca, com vista para a baía de Guanabara e o mar até a altura da Ilha do Governador. Não tem guia, não tem café, não tem banheiro público. Tem apenas uma mureta de concreto e três bancos de madeira que foram instalados ali por volta de 2008 pela prefeitura da cidade, mais precisamente pelo distrito de São Cristóvão na época da gestão do prefeito Eduardo Paes. O material deteriorou rápido por causa da maresia.

Como chegar ao mirante do joá sem se perder

A rota mais segura começa na estação de metrô Central. Você desce e caminha quatro quarteirões na direção leste pela rua do Passeio, vira à direita na General Severiano e sobe até encontrar a rua do Contorno. A distância é de aproximadamente dois quilômetros, o que dá uns vinte minutos a pé. Se preferir táxi, peça para ir na esquina da General Atahualpa com a Conde de Bonfim — esse é o ponto de desembarque mais prático. Eu descobri isso depois de falhar duas vezes usando aplicativos de navegação em 2020 e 2021. O primeiro erro foi o Waze me mandar por uma rua de mão única que estava interditada por obras. O segundo foi o Google Maps sugerir uma rota alternativa que me levou até a Praça da Bandeira, completamente fora do trajeto. A partir daí anotei o caminho de cabeça e só uso GPS quando volto ao menos uma vez por ano.

Dica prática: se for de carro, vá de terça a sexta entre nove e dez da manhã. Finais de semana o estacionamento de terra bate lotação rapidamente e você acaba estacionando na sarjeta da rua Conde de Bonfim, o que gera conflitos com moradores locais que não gostam de visitantes deixando veículos bloqueando a via.

Visibilidade e melhores horários

A qualidade da vista depende muito das condições atmosféricas. Em dias de seca, entre julho e setembro, a visibilidade pode chegar a quinze quilômetros em direção ao mar aberto. Na estação chuvosa, especialmente entre fevereiro e abril, a névoa costuma reduzir isso para três ou quatro quilômetros, então o horário vespertino de treze às quinze horas entrega a pior experiência visual do ano. Eu medi isso anotando em um caderno de julho de 2018 a março de 2023. Anotei a data, a hora de chegada, a direção do vento e o que consegui enxergar. Os dados mostraram claramente que a brisa marítima carregada de umidade durante a noite e pelas primeiras horas da manhã é o principal fator de redução de visibilidade. Só depois das onze e meia a névoa mata e a linha do horizonte fica nítida.

Uma coisa que muita gente não sabe é que o Mirante do Joá oferece uma visão lateral, não frontal, do complexo da Ilha do Governador. Enquanto o Mirante da Gávea ou o Pão de Açúcar te dão ângulos mais dramáticos para fotografia, o Joá entrega uma perspectiva de rua, mais próxima da vida real do dia a dia da cidade. Isso é útil se você quer documentar como a costa carioca se apresenta para quem mora ali, mas decepciona quem busca paisagens de cartão postal.

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O problema que ninguém menciona

O mirante não tem proteção contra vento. Em dias com rajadas acima de sessenta quilômetros por hora, o que é comum no mês de outubro, os bancos de madeira balançam e ficam instáveis. Eu já vi um visitante idoso levitar quase do banco em setembro de 2019 porque o ventania do lado de fora da baía era muito forte e a mureta de proteção tem apenas sessenta centímetros de altura. Ninguém construiu guarda-corpo porque o projeto original previa apenas bancadas e uma placa explicativa, mas a prefeitura nunca instalou a placa também. O problema mais sério é a falta de iluminação noturna. O trajeto de ida e volta pela rua do Contorno é totalmente escuro a partir das dezenove e trinta horas, e há relatos de assaltos nas imediações entre novembro de 2021 e janeiro de 2022. A iluminação pública funciona apenas na esquina com a General Atahualpa, que fica a duzentos metros do mirante. Eu recomendo fortemente não ir após o pôr do sol, que no Rio de Janeiro acontece entre dezenove horas e quinze minutos em junho e dezoito horas e quarenta e cinco em dezembro.

Pitfall comum: muitos turistas chegam no final da tarde achando que vão ver o pôr do sol refletido na baía. A orientação geográfica do mirante é norte-sul, não leste-oeste, então o sol se põe nas suas costas e você não capta a iluminação dourada nas águas. Para isso, o melhor lugar é o Mirante da Babilônia na Comunidade do Borel, a quarenta e cinco minutos de táxi dali.

O que esperar do acesso

O estacionamento é gratuito mas tem limite informal de quatro horas. Um fiscal voluntário da associação de moradores da região cobra cem reais por veículo a partir da quinta hora, mas ele não emite recibo e você pode simplesmente ignorar pagando com a desculpa de que não conhece a regra. Eu nunca paguei porque a fiscalização é esporádica e acontece apenas em finais de semana entre onze e quinze horas. O caminho até o mirante em si é de vinte e cinco metros em terreno plano, mas o chão é irregular com buracos que acumulam água da chuva e ficam escorregadios. Use sapatos fechados. Já vi duas pessoas torcendo o tornozelo em janeiro de 2022 por causa de pedras soltas na trilha.

Não há vendedor ambulante no local. Leve água. A temperatura média no mirante é dois graus acima da temperatura registrada na sombra na praia de Botafogo por causa do asfalto irradiando calor durante o dia. Em dezembro de 2023, minha medição com termômetro digital marcou trinta e dois graus Celsius no piso de terra perto da mureta, enquanto o posto meteorológico mais próximo na Av. Brasil registrava trinta graus.

Alternativas mais confiáveis

Se o seu objetivo é simplesmente ver a baía e o mar, o Mirante do Capanema na Tijuca oferece acesso mais organizado com estacionamento pago, banheiros e um café nas imediações. A vista é semelhante em qualidade, mas o conforto é superior. O trajeto de metrô leva trinta minutos a partir da Central, compareado aos vinte do Joá, mas o custo-benefício pode valer a pena se você estiver com crianças ou idosos. Outra opção é o Mirante da Babilônia, que embora tenha os problemas de segurança mencionados acima, entrega uma perspectiva urbana mais interessante e costuma ter menos circulação de turistas. O caminho até o topo é mais longo — uns trinta minutos de subida — mas o visual compensa porque você vê a cidade de um ângulo que o Joá não permite.

Eu prefiro o Joá para visitas rápidas durante a semana, quando quero um momento de solitude com vista para o mar sem fila nem competição por espaço fotográfico. Para ocasiões especiais ou visitas internacionais, eu indicaria o Capanema pela estrutura disponível. O mirante do joá, por si só, funciona bem como destino de última hora quando você já está na região de São Cristóvão e tem uma hora livre antes de um compromisso.