Como classificar uma palavra quanto à tonicidade
A primeira coisa que todo mundo pega mal na hora de definir se uma palavra é oxítona, paroxítona ou proparoxítona é justamente o ponto de partida: achar que precisa analisar a grafia antes de ouvir o som. Na prática, você faz o caminho inverso. Fala a palavra normal, identifica qual sílaba recebe a carga vocálica mais forte e só aí conta quantas sílabas têm a partir daí. Para o mundo é oxitona paroxitona ou proparoxitona, o procedimento é direto. A sílaba tônica é a última: "do". Isso por si só já encerra a questão. Palavra oxítona é aquela cuja sílaba final é a tônica, independentemente do número total de sílabas. "Mundo" tem duas sílabas, mas o que importa aqui não é a quantidade, e sim a posição da tonicidade.
Mundo é oxitona paroxitona ou proparoxitona
Vou ser bem prático porque já vi gente passar horas confundindo isso em revisão de texto e em prova de concurso. A regra das paroxítonas é a que mais gera erro, e não por acaso: elas são maioria no português e a maioria delas é acentuada graficamente, o que cria uma expectativa visual enganosa. "Mundo" não leva acento gráfico nenhum. Isso não significa automaticamente que seja paroxítona, mas serve como um indício rápido de que você provavelmente está lidando com uma oxítona sem acentuação especial ou com uma paroxítona não acentuável pela regra padrão. No caso específico, o "o" final é claramente a sílaba forte. Você consegue testar falando devagar: MUN-do. A energia recai em "do". Se você falar com a ênfase em "mun", soa artificial, como quem está lendo num tom muito deliberado. Essa diferença entre a pronúncia natural e a pronúncia forçada é, na minha experiência, o teste mais confiável que existe para palavras monossílabas ou dissílabas curtas como essa.
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O problema que costuma aparecer na prática é quando a pessoa tenta aplicar regras de acentuação gráfica antes de identificar a sílaba tônica. Ela vê "mundo", pensa "termina em ditongo?", "tem hiato?", "é paroxítona porque não tem acento?", e o raciocínio entra em loop. Eu cheguei a corrigir um texto técnico em que o revisor classificou "mundo" como paroxítona só porque a palavra anterior na frase era "informação", que é proparoxítona, e ele deixou o viés da frase anterior contaminar a análise da palavra seguinte. A correção foi simplesmente pedir para ele ler cada palavra isolada, fora do contexto, e marcar a sílaba tônica em voz alta.
Regra prática para não errar mais
Identifique a sílaba tônica primeiro. Depois conte a partir dela. Se for a última sílaba, é oxítona. Se for a penúltima, é paroxítona. Se for a antepenúltima, é proparoxítona. Não tem mistério, mas a execução exige que você isole a palavra do resto da frase na hora da análise. Contexto sintático pode distorcer a percepção da tonicidade, especialmente em fala rápida, onde o estresse tônico às vezes se redistribui por questão de ritmo prosódico e não de estrutura lexic da palavra. Outro detalhe que pouca gente leva em conta: palavras iniciadas por prefixos átonos tendem a preservar a tonicidade da sílaba original. "Osmundo", por exemplo, continua tendo a sílaba tônica em "mun", o que o tornaria proparoxítona, mas isso não altera a classificação de "mundo" isoladamente. O oposto também acontece com frequência em conversação coloquial, onde o falante pode enfraquecer a sílaba final e criar uma pronúncia quase paroxítona, especialmente em variedades do português brasileiro onde o "o" final soa como [u] e perde intensidade. Se você está ouvindo "mûn" em vez de "mun-DÓ", o problema não está na palavra, e sim no falante. A classificação correta permanece a mesma: oxítona.
Se o objetivo for apenas responder à pergunta de forma direta, a resposta é que mundo é oxítona. A sílaba tônica é a última, "do", e isso não admite outra interpretação normativa. O restante da discussão é sobre como chegar lá sem se perder em regras de acentuação que se aplicam a outras classes de palavras, mas que não mudam o fato básico da tonicidade.