Cartões magnéticos para lojas: o que funciona e o que dá problema na prática
A maioria dos donos de comércio acha que basta comprar uma maquininha e começar a aceitar cartões. A realidade é mais chata. Cartões magnéticos são uma tecnologia dos anos 70 que ainda insiste em existir, e entender como eles realmente se comportam evita dor de cabeça na hora da compra e do dia a dia.
Por que o dono de uma loja pretende usar cartões imantados
O cartão magnético é aquela faixa preta no verso do plástico. Ele armazena dados na forma de partículas magnéticas alinhadas em três trilhas. Quando você passa o cartão na leitora, o cabeçote de leitura induz uma corrente que é decodificada pelo processador da máquina. Simples assim, sem criptografia avançada, sem chip, sem toque. Eu tive um problema específico com isso há dois anos. Uma loja de materiais de construção pediu para eu configurar o sistema de pagamento. No terceiro dia de funcionamento, três cartões de crédito foram recusados consecutivamente. O funcionário já estava ligando para o SAC dos clientes quando percebi. A leitora estava funcionando perfeitamente, mas os cartões eram mais antigos, com a faixa magnética desgastada pelo uso excessivo. A solução foi limpar a leitora com algodão embebido em álcool isopropílico e ajustar a velocidade de passe do cartão para bem devagar, quase arrastando. Problema resolvido em dez minutos.
Aqui está o que ninguém conta: cartões magnéticos não têm checksum avançado. A trilha 2 contém os dados principais do cartão, número, validade e nome. A trilha 1 tem informações adicionais que raramente são usadas no Brasil. A trilha 3 existe em alguns cartões bancários para operações específicas, mas quase nunca é lida nas máquinas comerciais.
Configuração prática do equipamento
A configuração começa com a escolha da maquininha. Para cartões magnéticos, qualquer modelo com leitora de swipes serve. As marcas mais comuns no mercado brasileiro são Cielo, Rede, Smart e Ingenico. Todas funcionam com cartões magnéticos, mas a qualidade da leitora varia muito entre modelos. O processo de instalação leva cerca de quinze minutos. Você liga o equipamento, conecta à internet via Wi-Fi ou celular, cadastra o CNPJ da loja e testa com um cartão qualquer. A maioria das máquinas faz um teste automático de comunicação com a operadora. Se a autorização for aprovada, o equipamento está pronto para uso.
O custo inicial varia entre duzentos e quinhentos reais para a máquina, mais taxas de adesão que podem chegar a cento e cinquenta reais em algumas operadoras. O aluguel mensal gira em torno de trinta a cinquenta reais, dependendo do plano contratado. As taxas por transação são entre dois e quatro por cento, variando conforme o tipo de cartão e a bandeira.
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Limitações que você precisa conhecer
Cartões magnéticos têm uma limitação grave: segurança péssima. Os dados são lidos de forma óbvio, sem criptografia forte. Qualquer leitora barata, daquelas que se compra por cinquenta reais em sites chineses, consegue copiar os dados do cartão em dois segundos. Esse é o chamado skimming, e ocorre com frequência em caixas eletrônicos e algumas máquinas mal protegidas. Outro problema prático é o desgaste físico. A faixa magnética se deteriora com o uso. Cartões usados diariamente perdem legibilidade após seis meses a um ano, dependendo da qualidade do cartão e da frequência de uso. Lojas que recebem muitos cartões diariamente precisam trocar as leitoras com mais frequência também.
A aceitação caiu bastante nos últimos anos. Novos cartões têm chip EMV, que é muito mais seguro. Cartões apenas magnéticos estão ficando raros, especialmente os de crédito. Algumas operadoras já não aceitam novas contas que sejam apenas magnéticas. Se o seu cliente só tem cartão antigo, sem chip, pode haver problema na hora do pagamento. Existe uma alternativa melhor: cartões com chip. O chip EMV gera um código único para cada transação, impossibilitando a cópia dos dados. A taxa de fraude cai para praticamente zero. A maioria das máquinas modernas lê chip por padrão, além de aceitar contato sem toque via NFC.
Dicas do dia a dia
Limpe a leitora semanalmente. Um algodão com álcool isopropólico resolve. Não use produtos abrasivos ou água, que danificam os contatos internos. Teste a leitora mensalmente passando um cartão qualquer e verificando se a leitura foi completa. Os dados lidos devem aparecer na tela da máquina. Se um cartão for recusado, peça para o cliente passar devagar. Às vezes a velocidade do passe é o problema. O cartão deve ser arrastado, não passado rapidamente. Isso resolve cerca de sessenta por cento dos problemas de leitura em cartões antigos.
Mantenha registro das transações. As operadoras pedem extrato em caso de disputa. Sem registro, você não tem como provar que a venda foi legítima. O sistema da maioria das máquinas guarda os dados automaticamente por quinze dias, mas é bom manter backup externo também. O tempo médio de autorização é de três a cinco segundos para cartões magnéticos. Cartões com chip podem levar um pouco mais, cerca de cinco a oito segundos, devido à verificação adicional. Cartões sem contato via NFC são os mais rápidos, cerca de dois a três segundos.
Quando abandonar os cartões magnéticos
Se mais de vinte por cento dos seus cartões forem recusados por problema de leitura, considere investir em uma leitora de chip. O custo-benefício costuma ser positivo em três a seis meses, dependendo do volume de vendas. Cartões apenas magnéticos estão ficando obsoletos, e a tendência é que desapareçam completamente nos próximos cinco anos. Algumas operadoras já cobram taxa maior para transações com cartões magnéticos, reconhecendo o risco maior. Verifique as condições do seu contrato antes de continuar usando apenas esse tipo de cartão.
A migração para chip e contato sem toque reduz fraudes em noventa por cento. O investimento em equipamentos novos se paga em poucos meses, considerando a redução de chargebacks e disputas. Lojas que ainda aceitam apenas cartões magnéticos estão se arriscando desnecessariamente. Se você quiser ver detalhes técnicos sobre como os dados são estruturados nos cartões magnéticos, a ISO/IEC 7811 define os padrões de gravação nas três trilhas. Cada trilha tem formato diferente, e os dados são lidos sequencialmente pelo cabeçote de ferrite da leitora. Não tem segredo, é física básica aplicada.