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Prédio Maria Antônia: a história que a USP tentou apagar

O Prédio Maria Antônia é um edifício histórico da Universidade de São Paulo, localizado na Av. Professor Lucio Martins Rodrigues, no bairro da Cidade Universitária. Construído na década de 1960, foi durante anos um dos cartões-postais acadêmicos da universidade. Abrigava a antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) e simbolizava a resistência estudantil nos anos de chumbo da ditadura militar.

O que aconteceu com Maria Antonieta

O que se conhece popularmente como "o que aconteceu com Maria Antonieta" refere-se a uma sequência de eventos que começou nos anos 2010 e ainda ecoa até hoje. A Ocupação Estudantil de 2015 foi o ponto de ruptura. Estudantes de vários cursos invadiram o prédio em julho de 2015 para protestar contra cortes orçamentários e a precarização das universidades públicas. A ocupação durou cerca de 17 dias, período durante o qual o edifício sofreu danos consideráveis — pichações, destruição de móveis, equipamentos e acervos históricos. O que muitos não sabem é que o prédio já havia sido alvo de violência antes. Em 2018, um grupo de extremistas de direita arrombou as portas e devastou o interior, destruindo acervos, documentos e mobiliário que sobreviveram décadas de uso. A imagem ficou marcada: estantes derrubadas, livros espalhados pelo chão, vidros quebrados. A USP demorou semanas para sequer reconhecer oficialmente o ocorrido como vandalismo político.

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Depois disso, o prédio ficou fechado por meses, depois anos. A reabertura só ocorreu de forma parcial e gradual. O espaço agora abriga atividades culturais e eventos, mas grande parte do acervo original foi perdido ou precisa de restauração. Na prática, o que restou do prédio é uma sombra do que era. A biblioteca, que já teve milhares de volumes especializados, foi muito comprometida. Alguns setores foram recuperados, mas outros permanecem trancados. O telhado teve infiltrações sérias que aceleraram a deterioração de pinturas murais e forros antigos.

Um detalhe que poucas pessoas consideram: o problema não foi apenas o dano físico. Houve uma desconstrução simbólica ativa. Após os incidentes, parte do discurso público passou a tratar os ocupantes de 2015 e os vândalos de 2018 como equivalentes, como se fossem a mesma coisa. Isso é factualmente incorreto e prejudicou a narrativa de preservação do local. Os dois eventos tiveram naturezas, motivações e consequências políticas radicalmente diferentes. Se você quer visitar, o prédio fica aberto em alguns horários específicos para visitas guiadas, mas o acesso não é livre como era antigamente. A Praça Maria Antonia, em frente, também mudou — antes era um ponto de encontro estudantil ativo, com barracas de artesanato, debates e música. Hoje existe, mas perdeu muito do movimento que tinha nos anos 1990 e início dos 2000.