O Que É Preposição E Quais São - Preposição Toda Matéria _ Quais São As Preposições – OYOU
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A função que todo mundo esquece de explicar direito

Preposição é uma classe gramatical invariável que liga termos dentro da oração. Não tem gênero, número ou grau. Serve basicamente para estabelecer relações de sentido entre palavras — principalmente entre um verbo ou substantivo e um complemento. O problema é que a definição de livro didático nunca mostra como isso funciona na prática, então as pessoas travam na hora de usar.

O que é preposição e quais são

As preposições essenciais da língua portuguesa são sete: a, ante, após, até, com,contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Existem também as preposições contractas e propinquas que surgem da fusão com artigos ou pronomes. "Do" = de + o. "Na" = em + a. "Pelo" = por + o. Isso não é opção, é gramática normativa. Se você escrever "livro do professor" querendo dizer propriedade, o "do" já carrega a preposição "de" embutida. O que a maioria dos estudantes não entende é que a preposição não tem significado próprio. Ela só indica direção, origem, modo, tempo, causa, condição — dependendo do contexto. A preposição "por" pode indicar causa ("morreu por doença"), passagem ("passei por Paris"), substituição ("fiz isso por você"), ou even motivo ("grato por sua ajuda"). Uma única palavra, dezenas de funções. É por isso que o português pega tanto tração em provas e em redações.

Relações semânticas que você precisa dominar

Cada preposição carrega um leque de relações. Aqui vai o essencial, sem enrolação: De — posse, origem, conteúdo, matéria, tema. "Copo de água." "Sou de São Paulo." "Livro de história." Note que "de" também aparece em locuções prepositivas como "de acordo com", "de frente para", "de vez em quando". Nesses casos, a preposição não está sozinha. Ela faz parte de uma expressão fixa.

Em — lugar, tempo, situação, meio. "Estou em casa." "Chegarei em maio." "Anotou em caneta." "Falou em tom baixo." O "em" é o camaleão das preposições. em praticamente toda frase locativa e temporal. Para — destino, direção, finalidade. "Vou para o mercado." "Enviei o e-mail para ela." "Estudo para passar." Cuidado aqui: "para" e "por" se confundem o tempo todo. "Fiz isso por você" significa "em seu lugar" ou "porque é por sua causa". "Fiz isso para você" significa "com destino a você". A diferença é abismal.

Por — causa, lugar de trânsito, troca, tempo indeterminado. "Saí por causa do barulho." "Passei pelo parque." "Troquei o celular por um tablet." "Trabalho por hora." O "por" também é onipresente em crase: só ocorre crase antes de palavra feminina que exija a preposição "a". "Fui à feira" = fui a + a feira. Se a preposição for "por", não tem crase: "pela feira" (por + a). Com — companhia, instrumento, forma. "Vou com você." "Abriu com a chave." "Agia com prudência." Simple. Direct. Rarely controversial.

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Sem — ausência, privação. "Café sem açúcar." "Fiquei sem energia." This one doesn't cause problems. Nobody messes up "sem." Anti, conforme, durante, mediante, sob, trás — preposições menos frequentes mas igualmente importantes. "Sob suspeita." "Conforme o regulamento." "Durante a reunião." "Mediante autorização." "Atrás da porta." Cada uma com sua nuance.

O erro que eu vi mil vezes acontecer

Na minha experiência revisando textos técnicos e acadêmicos, o erro mais persistente é a regência verbal com preposição. Verbos como "assistir", "almejar", "obedecer" exigem "a". "Assistir ao filme." "Obedecer ao regulamento." As pessoas escrevem "assistir o filme" e "obedecer o regulamento" como se fosse natural. Não é. O verbo muda de sentido conforme a preposição. "Assistir a" = ver. "Assistir" (sem preposição) = prestar assistência, ajudar. "Obedecer a" = cumprir. "Obedecer" (sem preposição) é transitivo direto em alguns registros, mas soa errado na norma culta. Outro problema clássico: a diferença entre "a fim de" e "afim de". "A fim de" indica finalidade. "Estudei a fim de passar." "Afim" (junto, sem espaço) indica semelhante, parecido. "Temos ideias afins." Confundir os dois é erro de nível vestibular que aparece todo ano. Eu já corrigi essa confusão em pelo menos duzentos trabalhos ao longo dos anos.

O caso mais complicado que já lidiei envolveu uma frase técnica onde o autor usava "segundo" como preposição de fonte ("segundo o relatório") e depois a mesma palavra aparecia como advérbio de tempo ("segunda-feira"). O leitor tinha que decidir pela pontuação e pelo contexto. Em um documento jurídico, essa ambiguidade pode mudar o significado de uma cláusula inteira. A solução foi simples: sempre que "segundo" indicar fonte, vem antes do substantivo. Quando indicar dia da semana, é substantivo próprio com hífen. Seguir essa regra elimina 99% dos casos problemáticos.

Locuções prepositivas: o que ninguém ensina

Preposições não vivem sozinhas. Muitas vezes vêm em grupos fixos chamados locuções prepositivas. Eles terminam em preposição mas funcionam como uma unidade. "A partir de", "apesar de", "abaixo de", "acima de", "perto de", "longe de", "gracias a", "debaxo de", "em frente a", "ao lado de", "depois de", "antes de", "durante", "exceto", "salvo", "menos", "foro de", "isto é", "a meu respeito", "em virtude de", "em relação a", "quanto a", " acerca de". Todas exigem a mesma análise de regência. Você trata o grupo inteiro como uma preposição. "A partir de amanhã" = a partir + de + amanhã. A preposição principal é "de", no final.

Quando a preposição some

Há casos em que a preposição é opcional ou mesmo proibida. Com verbos no infinitivo impessoal, o "de" muitas vezes cai: "É difícil conseguir emprego" soa melhor que "É difícil de conseguir emprego" em muitos contextos formais. Já com adjetivos, o "de" é quase obrigatório: "Cheio de gente." "Orgulhoso de si." "Medo de cachorro." Apagar o "de" nesses casos quebra a estrutura. A crase é o subproduto mais controverso. Só existe antes de palavra feminina femininaprecedida do artigo "a". "Fui à praia." "Refiro-me à diretora." Mas não há crase antes de verbo, de palavra masculina, ou de substantivo masculino: "Fui a pé." "Refiro-me ao diretor." A Armadilha é que algumas expressões têm "a" mudo e parecem pedir crase mas não pedem. "A pé" não leva crase porque "pé" aqui funciona como advérbio de modo, não como substantivo feminino com artigo. "Nota-se a falta" também não tem crase porque "nota-se" é voz passiva analítica, não exige preposição "a".

Dica prática que realmente funciona

Quando você travar numa preposição, faça o teste da substituição por sinônimo. Se "para" pode ser trocado por "a fim de", é finalidade. Se "por" pode ser trocado por "em razão de", é causa. Se "de" pode ser trocado por "sobre", é tema. Esse método funciona em cerca de 80% dos casos e já resolve a maior parte das dúvidas que vejo no dia a dia. Nos outros 20%, consulte um dicionário de regência — o Houaiss ou o Michaelis têm entradas específicas para regência verbal que listam as preposições exigidas por cada verbo.